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COLUNISTAS
 Guto Amoedo

 
 
Flertar com a inflação é perigoso e pode custar caro
21 de Abril de 2014 11:51

Guto Amoedo

Mas afinal, que diabo está acontecendo com a inflação no país? Das muitas interpretações, há aquela que vê renitência no fato dos preços mês após mês continuarem subindo, bem como as projeções futuras dos economistas. Na segunda-feira, por exemplo, aqueles ligados a 100 instituições financeiras, o que inclui os grandes e médios bancos, cravaram a inflação este ano em 6,47%, numa alta pela sexta semana consecutiva.
Mas do lado do governo, a inflação é passageira, nas palavras do ministro da Fazenda Guido Mantega. Na sua avaliação ele vê o IPCA esse ano dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, ou seja, 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para baixo e para cima. Nesse caso, o ministro aposta numa inflação no máximo de 6,5% ao ano.

Tanto o presidente o BC Alexandre Tombini como Mantega acreditam piamente de que a inflação é temporária e que provem do choque de alimentos provocado pela seca, mas eles não explicam porque os preços dos serviços, que têm peso na composição do IPCA, estão queimando o bolso do consumidor.
Mas essa explicação não convence o mercado, que estima a inflação rompendo o teto de 6,5%. Em que pese o otimismo do governo e as estimativas do mercado, o fato é que a inflação aí está, corroendo o poder de compra dos trabalhadores, encarecendo o custo das empresas e tornando difícil a vida do empresário.
Afinal, como planejar um investimento num ambiente inflacionário? Repassar para os preços a inflação atual e a futura, como forma de se defender? Ou acreditar que no final todos vão ser felizes e trabalhar com uma reversão inflacionária?
Para tornar o cenário mais incerto e o caldo mais grosso, o governo vem sistematicamente aumentando os juros, a taxa Selic, para tentar baixar a inflação, mas não obtém o resultado desejado, pior, o IPCA dispara e a Selic já está na casa dos 11%. Ou seja, o paciente tem tomado fortes doses de remédio, mas a febre não cede, está renitente e mostra sinais de que o calor vai aumentara mais ainda.
Mas esse é apenas um aspecto da inflação no país. O ex- ministro da Fazenda, do governo de Fernando Henrique Cardoso, Armírio Fraga, disse em entrevista ao Estadão no domingo passado, dia 13, que a inflação real é ainda mais alta entre 7% e 8%. De fato, há uma cadeia de preços, estimada em 25%, que é administrada pelo governo, como é o caso dos combustíveis, da energia elétrica e dos transportes públicos.
Enquanto os chamados preços livres de produtos e serviços correm no mercado na velocidade da demanda, muito alta , por sinal, e bastante incentivada pelo governo, para manter o mercado de trabalho prá lá de aquecido, os preços administrados caminham com o freio de mão puxado
Calcula-se que os preços administrados trazem embutidos uma alta de 3,4%, enquanto os demais estão na casa dos 7%. Ora, se a inflação oficial já está alta demais, 6,15% nos últimos dozes meses, imagine se ela tivesse incorporado a alta real dos preços administrados. Talvez, por conta disso, é que o reajuste dos combustíveis vem sendo represado, com prejuízos enormes para a Petrobras, que é obrigada a comprar petróleo por um preço no exterior e vende-lo aqui no país mais barato do que pagou lá fora.
O Índice Nacional de Custo da Construção do Mercado (INCC-M) apurado pela Fundação Getúlio Vargas, nos dois primeiros meses do ano, acumula elevação de 1,14% e, em 12 meses, 8%. A inflação é o pior dos impostos, porque recai sobre toda a sociedade, nubla o ambiente de negócio e carrega o otimismo de incertezas. É preciso sair, e urgentemente, dessa armadilha.