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  Home - Poesias - "Viva João Ubaldo Ribeiro!"
 

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COLUNISTAS
 Marcelo Torres

 
 
"Viva João Ubaldo Ribeiro!"
21 de Julho de 2014 11:27

Foi o primo Antônio Torres - confrade de João Ubaldo - que me recomendou: "Corra e compre 'O Albatroz Azul'! É muito bom".
 
Minutos depois, já no aeroporto, onde pegaria um vôo para a Bahia, fui à livraria comprar o último romance de Ubaldo.
 
Ainda bem que fiz check-in cedo, ficando com um bom tempo de sobra, senão Ubaldo me faria perder o vôo.
 
Cheguei na Laselva e fui rapidinho até onde estavam duas vendedoras, alegres, solícitas, aquele sorriso de comissárias.
 
- Vocês têm o último livro do Ubaldo, O Albatroz Azul?
 
Elas se entreolharam, como se ouvissem algo pela primeira vez; depois viraram para mim e uma delas falou:
 
- Como é o nome do livro?
 
- O Albatroz Azul - eu disse, calmo.
 
Sem mais palavras, fomos os três até um terminal de consultas. Elas à frente, eu uns três passos atrás.
 
Uma delas, no teclado, toc, toc, toc, parava e... nada. Toc, toc, toc, toc. Nada. Toc, toc, toc, toc... Nada de achar o livro.
 
Uma perguntou baixinho para a outra algo que me pareceu "É com  'u'?", ao que a colega respondeu "Não sei, põe com 'u' mesmo".
 
De cá, não acreditei. Não era possível que as vendedoras estavam em dúvida se Albatroz era com "l" ou com "u"! Ou era possível?
 
Ou será que dúvida era sobre Ubaldo? Se há Humberto de Campos e Umberto Eco, poderia haver Ubaldo e Hubaldo...
 
- Moço, pelo título não achei - O senhor pode repetir o nome do autor?
   
- É João Ubaldo Ribeiro - tornei a dizer, já sem a calma de antes.
 
Como podia uma vendedora de livraria, no aeroporto, na capital do país, não conhecer um dos maiores escritores brasileiros vivos?
 
Não se tratava de um qualquer, mas de um membro da Academia Brasileira de Letras, colunista de jornais, com obras adaptadas para teatro e TV e tudo mais!
 
E a moça só no toc, toc, toc... Toc, toc, toc, toc. Nada... Toc, toc, toc, toc. Uma teclava, a outra palpitava. E tome-lhe toc, toc, toc, toc... 
 
- Desse autor eu não vou ter nenhum - disse a que teclava.
 
Agradeci pela atenção, mas estranhei. O livro acabara de ser lançado, era muito difícil não ter. Pior ainda era não ter nenhum outro romance do autor na loja.
 
Pensei em ir checar lá na seção de Literatura Brasileira, mas achei que iria demorar. Fui então saindo devagar, nas últimas olhadelas, quem sabe...
 
Foi aí que, na mesa que fica na entrada - como não olhara antes? - estavam "Os mais vendidos". Entre eles, O Albatroz, quase voando para mim.
 
Então, peguei-o firme, abri-lhe as orelhas e voei com ele até o caixa. Não, não tive vontade de mostrar às vendedoras; ao contrário, agora eu me escondia delas.
 
Comecei a devorar o Albatroz assim que o paguei. O vôo atrasou uma hora, mais duas horas de viagem, até que, ao sobrevoar a Ilha de Itaparica, concluí a leitura. 
 
E assim como o neto de Tertuliano Jaburu, que, no enredo do livro, nasceu com a bunda virada para a lua, eu me senti um leitor de sorte, por ter encontrado e lido aquele livro.
 
- Viva João Ubaldo Ribeiro - gritei para mim mesmo ao final das viagens (a aérea e a literária). 
 
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Tempos depois, no início deste ano, enviei essa crônica para ele, que respondeu: "Obrigado pela crônica, muito divertida, guardei aqui".
 
Com o bom humor que Deus lhe deu, revelou-me que isso ocorre (ocorria) até mesmo com ele próprio, quando ia a uma livraria.
 
"Às vezes eu peço um livro que não tem na hora. O vendedor pega meu nome e telefone e diz: 'Seu João Paulo, quando chegar [o livro] eu aviso ao senhor'".
 
Este era o Ubaldo.