Página Inicial  |  Perfil  |  Equipe  |  Contato  | 
Links

  

redacao.noticia@noticiacapital.com.br
71 9128-9520

 
  Home - Poesias - José Cândido de Carvalho
 

Categorias

  Brasil
  Cultura
  Cursos & Concursos
  Dos Blogs & Sites
  Economia
  Educação
  Entrevistas e Reportagens
  Esporte
  Geral
  Internacional
  Mosaico
  Municípios
  Notas
  Opinião
  Politica
  Salvador
  Saúde & Medicina
  Turismo
 

Colunistas

 Agenor Calazans
 Aldo Trípodi
 Alessandra Nascimento
 Gerson Brasil
 Gil Vicente Tavares
 Guto Amoedo
 Kim Niederauer
 Marcelo Torres
 Valter Xéu
 Vitor Carvalho
 

Serviços

  Coelba
  Embasa
  Auxílio a Lista
  Prefeitura de Salvador
  Previdência Social
  Receita Federal
 
COLUNISTAS
 Marcelo Torres

 
 
José Cândido de Carvalho
7 de Setembro de 2014 12:49

Amigos, seguem dois textos curtos de Zé Cândido, que completaria 100 anos neste 2014. 
 
 

 

José Cândido de Carvalho

Adeus tardes fagueiras à sombra das laranjeiras de Casemiro de Abreu

Alcimaco Azambuja, dono de muito boi e muito voto em Pirapora, tendo de resolver umas coisas e loisas com o governo, rebocou Zizinho Pinto para terras e mares do Rio de Janeiro. E, na porta do Palácio do Catete, que naqueles dias comandava a vida do Brasil, falou para o compadre Zizinho:

— Vou ver uns papéis que estão entalados nas gavetas do governo. Venha comigo.

Zizinho recusou:

— Compadre, careço de competência para pisar chão tão mimoso. Vou quedar do lado de fora, assuntando compadre.

O compadre sumiu pela larga porta de entrada enquanto Zizinho, instalado num bom cigarro de palha, ficava vendo aquele entrar e sair de gente em formato de formiga de correição. Alcimaco, depois de desencravar seus papéis, voltou e quis saber a opinião de Zizinho Pinto:

— Compadre, gostou do Catete? Coisa assim não tem em Pirapora.

E Zizinho de Pirapora:

— Eta, compadre, lugarzinho bom de especial para um varejo, para um comercinho de cachaça e rapadura!

E  mais não disse nem lhe foi perguntado.



Em boca fechada bem-te-vi não faz ninho

 


Campos de Melo passou todos os anos de sua vereança sem dar uma palavra. Era o boca-de-siri da câmara municipal de Cuité. Até que, uma tarde, ergueu o busto, como quem ia falar. O presidente da Mesa, mais do que depressa, disse:

— Tem a palavra o nobre vereador.

Então, em meio do grande silêncio, o grande mudo falou.

— Peço licença para fechar a janela, pois estou constipado.

 



José Cândido de Carvalho (1914 - 1989), foi jornalista, contista e romancista. 

Bibliografia:

Olha para o céu, Frederico!, romance (1939)

O coronel e o lobisomem, romance (1964)

Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon, contados, astuciados... (1971)

Um ninho de mafagafos cheio de mafagafinhos, contados, astuciados... (1972) 

Ninguém mata o arco-íris, crônicas (1972)

Manequinho e o anjo de procissão, contos (1974)

Se eu morrer, telefone para o céu, Ed. Ediouro - Rio de Janeiro, 1979

Os Mágicos Municipais, José Olympio Editora — Rio de Janeiro, 1984