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 Marcelo Torres

 
 
Entrevista com a presidenta
4 de Janeiro de 2015 12:19

- Fulana, agora que você é a nova presidenta da associação dos...

- Presidenta, não! Pu favô, né? Sô a nova pre-si-den-te. Com "e".

- Mas você pode usar as duas formas! Por que não presidenta?

- Purquê eu istudei, ora! 

- Estudou, sim, claro...

- Quem istudô não fala presidenta.

- Eu mesmo não devo ter estudado. Porque só falo presidenta.

- Ah, cê fala purquê é petista.

- Eu não sou petista. Aliás, nem todo petista fala presidenta. E nem todo que fala presidenta é petista. 

- Mas vocês não falavam antes da Dilma.

- Antes da Dilma nenhuma mulher foi  eleita para presidir o Brasil. Eu falo presidenta para valorizar a mulher. Se Marina ganhasse, eu também falaria presidenta Marina. Se Luciana Genro ganhasse...

- Duas petistas! 

- Ellen Gracie foi presidenta do STF.

- O STF tá aparelhado, o STF é bolivariano.

- Ela não está no STF. Foi indicada bem antes do PT. Indicada por FHC. 

- Bom, eu só sei que presidenta não ixiste.

- Ué! Você acabou de falar presidenta! E eu acabei de ouvir! Como é que "não existe"?

- Falei pra dizê que é errado. É coisa de petista, bolivarista, comunista...

- Pelo jeito, também deve ser de petralhista, de vermelhista, de cubista...

- Presidenta é um istúpido erro de portugueis. 

- Não é erro.

- É mais qui um erro, é um istrupo!

- Um estupro!?

- Claro quié! Dilma é terrorista, ela istrupou o portugueis. 

- Meu Deus! Deve ser também o "istrupício"...

- Intenda: a mulhé qui istuda é istudante, não é istudanta.

- E a mulher que "governa" o lar, é o quê? Não é governanta?

- Governanta é coisa de petista! É otro erro ortográfico. 

- Não é erro. E não é questão ortográfica. É morfológica. 

- Lógica? Quilógica? Só si fô a lógica dos petistas.

- A formação de palavras possui regras e exceções, anomalias...

- Presidenta é coisa de petista! Da anta da Dilma. 

- Não foi Dilma que criou essa palavra.

- Não foi ela? Foi ela, sim! Foi o PT. Isso é coisa de petista.

- Fulana, a palavra presidenta está nos melhores dicionários.

- Só si fô no dicionário de voceis.

- Qualquer dicionário. Você tem um dicionário aí pra olharmos?

- Não tenho.

- Se você tivesse um Houaiss...

- Um quê????

- Um Dicionário Houaiss. De Antônio Houaiss.

- Roubais! Deve ser otro petista.

- E tá no Volp...

- No quê????

- Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa; é da Academia Brasileira de Letras.

- A Academia diz que presidenta é certo?

- Diz.

- Aquilo lá deve sê otra coisa aparelhada pelo PT.

- É o contrário. A Academia tá cheia de tucanos, a começar por FHC.

- E o petista Sarney? Num tá lá?

- Sarney deve ser petista, e comunista, e bolivarista, e vermelhista, e cubista...

- Com certeza foi ele que colocou presidenta nesse vocabulário aí. Ele é aliado da Dilma.

- Você pode acessar o site da ABL. Aproveita e pergunta se presidenta é certo.

- E eles respondem?

- Respondem. O termo presidenta existe desde o milênio passado.

- Milênio passado?

- Sim, desde pelo menos o ano de 1875 essa palavra é usada.

- Mas cê falô milênio passado!

- Sim, 1875 não é milênio passado?

- É?

- É claro!

- Mas como é que cê sabe que era usada desde 1875?

- Foi uma pesquisa feita pela equipe do Dicionário Aurélio. Saiu no portal iG, pesquise lá.

- Vô pesquisá.

- Pelo menos três grandes escritores usaram a palavra presidenta.

- Já sei, foi Paulo Coelho, Sarney e Chico Buarque, esses bolivarianos...

- Não, não. Os três são Machado de Assis, Jorge Amado e Monteiro Lobato.

- Eles usaram!?

- Usaram. Machado, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. 

- Eu sabia!

- Sabia o quê?

- Sabia que tinha Cuba no meio. Coisa de comunista!

-  Pois é, né? E Jorge Amado usou em "Farda, fardão, camisola de dormir".

- Otro comunista! Nunca feis nada por ninguém. Rico e comunista.

- Já Monteiro Lobato usou em "O Presidente Negro".

- Eles usaram uma licença poética. Eles podem. Dilma não pode.

- Primeiro, não se trata de nenhuma licença poética. Eles usaram porque o termo é certo. Segundo, por que Dilma não poderia usar?

- Purquê ela impois pur decreto.

- Ela não impôs nem fez decreto. Apenas pediu para usarem uma palavra que é certa, é usável e está nos dicionários. 

- O que todo mundo diz é que foi capricho da Dilma. Ela foi estudanta. E agora ela é presidanta. Purquê ela é uma anta mesmo. Não fala nada com nada. Quando abre a boca é um terrô.

- Que você não goste de Dilma, tudo bem. Mas não precisa distorcer. A palavra está nos dicionários desde 1875. Quer discutir mais o quê?

- Mas é feia, é ridícula. É mau gosto. E é a cara dela, aquela anta, istudanta. Nenhum jornal usa essa palavra.

- Não usa agora. Mas, antes, todos eles usavam. A Folha usava.

- A Folha?

- Sim, a Folha usava. Pesquisei no site deles e vi 128 usos entre 1998 e 2002. 

- Sério?

- Sério. E pesquisei nos outros veículos também. 

- Ques veículos?

- Estadão, O Globo, Veja, Época, Istoé, TV Globo, todos, todos, todos usavam a palavra presidenta.

- Todos?

- Todos. Antes de Dilma. Mas bastou Dilma ganhar e eles, por serem oposição, não usam mais.

- Cê tem provas disso?

- Claro! Você também pode checar. Bastar entrar no site de qualquer desses veículos e fazer uma pesquisa antes de 2010. Delimitar o período anterior a 2010, colocar a palavra "presidenta" e pesquisar. É de estarrecer. É uma vergonha. Eles sempre, sempre, sempre se referiam a outras chefes de Estados estrangeiros como "presidentas". 

-...

- E o jornalista Alexandre Garcia, repórter, apresentador e comentarista da TV Globo? 

- Que que tem ele?

- Hoje ele só usa o termo presidente. Mas, antes de Dilma Rousseff na chefia do governo brasileiro, ele publicou o livro “Nos bastidores da notícia”, no qual escreveu 28 vezes a palavra "presidenta".

- Cê pesquisô?

- Pesquisei. Qualquer pessoa pode pesquisar. Basta entrar no Google e inserir o título do livro e clicar em "livros". Depois clicar "ctrl + F" e digitar a palavra presidenta. Esta vai aparecer 28 vezes.

- 28?

- Sim. E ele hoje se recusa a usar. Esse livro dele é de 1990. Ele usou 28 vezes. Antes de Dilma. Agora diz que não existe. Isso é desonestidade. Isso é coisa parcial, tendenciosa. 

- Tá bom, tá certo. Mas... no início cê disse que ia fazer uma entrevista...

- Bom, a entrevista está feita. 

- Era sobre presidenta? 

- Era. Muito obrigado pela entrevista. 

- Mas...

(marcelocronista@gmail.com