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  Home - Poesias - JK, ACM e o personalismo
 

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 Marcelo Torres

 
 
JK, ACM e o personalismo
24 de Março de 2015 12:57

Pense num absurdo, e na Bahia haverá um precedente. A frase foi

eternizada pelo ex-governador baiano Octávio Mangabeira. Ele que, em
1951, construiu um estádio, o estádio da Fonte Nova, e neste colocou
seu próprio nome, abrindo um precedente.

Depois dele veio Roberto Santos, que construiu outro estádio, em 1979,
e o batizou como Estádio Governador Roberto Santos, que o povo chama
estádio de Pituaçu – que é o nome do bairro.

Depois veio ACM, que construiu dez estádios pelo interior, sete deles
com seu nome, dois com o nome do filhinho - Luiz Eduardo Magalhães - e
o décimo em nome de um irmão.

Matéria de Eliano Jorge hoje no jornal A Tarde informa que esses sete
estádios davam a ACM o título de campeão nacional em nomes de estádio
de futebol. O vice era Juscelino Kubitschek, que curiosamente é outra
sigla - há cinco estádios batizados de JK.

“Mas em 2009 ACM sofreu três perdas”, diz o repórter Eliano Jorge, "e
acabou ultrapassado pelo mineiro, que soma cinco: em Paranoá-DF,
Itumbiara-GO, Uberaba-MG, Manhuaçu-MG e Andradas-MG”.

Além dos estádios, essas siglas dão nome a mil e uma coisas. Enquanto
ACM se espalhou pela Bahia, JK tem alcance nacional. Na Bahia, ACM é
nome de aeroporto, de estádio, de escola, rua, praça, avenida,
travessa, hospital e o'scambau.

A coisa era de um jeito que este escrevedor certa feita ouviu o
seguinte diálogo numa mesa de dominó:

- Ô, Fulano, cê sabe o que é ICM?
- Claro que sei!
- E o que é?
- Intõe Carlo Magalhães.

ICM era Imposto sobre Circulação de Mercadorias, que depois ganhou um
S (de Serviços) e ficou ICMS.

Pois em Brasília JK é tudo: aeroporto, estádio, hospital, ponte,
memorial, faculdade, hotel, edifício, rádio, TV, colégio, banca de
revista, bar, restaurante, lanchonete, pensão, pousada...

E também é dedetizadora, chaveiro, drogaria, prato de restaurante,
alameda, vidraçaria, desentupidora, loja de bateria, farmácia,
panificadora, funerária, lavanderia, pizzaria, limpa fossa e o diabo.

“Eu moro num apartamento JK” – é uma frase comum na capital federal.
JK é o apelido de um tipo de apartamento no Plano Piloto em Brasília.

Até um rato, vejam os senhores - um rato raro, diga-se - descoberto em
Brasília na época da construção, até a esse ratinho deram o bendito
nome de Juscelino. É mole?

O personalismo, sabe-se, não é nenhuma exclusividade desses dois
homens, dessas duas siglas. O Mineirão, em BH, por exemplo, leva o
nome do governador que o construiu - Magalhães Pinto, na época da
ditadura militar.

No Brasil, cerca de 15% dos topônimos de cidades levam as marcas do
personalismo: tem-se Governador Valadares, em Minas; Florianópolis, em
Santa Catarina; Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul; João Pessoa, na
Paraíba; Petrópolis, no Rio de Janeiro...

Há 26 cidades cujo primeiro nome é Presidente: tem Getúlio e tem
Vargas, Jânio Quadros, Castelo Branco, Tancredo Neves, Nereu,
Olegário, Prudente, Figueredo e adjacências.

Temos duas cidades chamadas Presidente Dutra e outras duas Presidente
Médici. Agora, acreditem se quiser, existem no Brasil dois municípios
de nome... Presidente Kennedy.

Temos também, é claro, duas cidades com o nome de Presidente
Juscelino, uma fica em Minas, obviamente, e a outra no Maranhão, onde
também não poderia deixar de ter um município chamado Presidente
Sarney.

Ainda em Minas, teve uma cidade que, como não podia mais ser
Presidente Juscelino - pois já existiam duas homônimas - foi batizada
como Presidente Kubitschek.

Lê-se na Wikipedia que alguns habitantes usam o nome antigo - Tijucal
- e que pessoas de outras cidades se referem a esta com uma
abreviatura depreciativa - "Preku".

Na Bahia, graças a Deus e ao Senhor do Bonfim, ACM não deu nome a
nenhuma cidade, deixou para o filhinho - Luiz Eduardo Magalhães, que
também emprestou o nome ao aeroporto de Salvador, antes chamado Dois
de Julho.

Ainda bem que a sigla do terminal aéreo de Salvador, no cadastro
internacional, permaneceu SSA. Mas bem que poderia ser ALÉM, ou seja,
Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães.

Apesar de a Bahia ter lá os seus absurdos, no dizer do Governador
Mangabeira – que é outro nome de município -, pelo menos os filhos da
cidade de Luiz Eduardo Magalhães não podem ser chamados de ACM-Netos.

Se bem que, na capital, a maioria hoje prostra-se diante da TV Bahia
(da família do mandachuva) e de mãos espalmadas reza para ACM Neto, o
novo santo Salvador.

Porque as siglas, meus senhores - as siglas e o personalismo - também
deixam suas marcas, suas viúvas, seus netos. E seus seguidores,
obviamente. (marcelocronista@gmail.com)