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Sante Scaldaferri, entre ex-votos e meninas no ICBA
14 de Abril de 2015 12:21

Na Galeria ICBA (corredor da Vitória), dentro do circuito das artes 2015, encontra-se a mostra “Sala Especial que vai até o dia 10 de maio. A vida de Sante Scaldaferri já deu um livro... aliás, vários livros! Nascido em Salvador em 1928, filho de italianos, Sante viveu parte de sua infância, até os oito anos de idade, numa pequena cidadezinha da região de Basilicata, no sul da Itália perto do mar Tirreno. Depois voltou para a Salvador, morando por muito tempo na Ladeira dos Aflitos. Fez o curso primário na Casa d’Itália e o secundário no Colégio Sophia Costa Pinto com outros futuros artistas, como Genaro de Carvalho, seu grande amigo. 

Começou sua formação artística nos anos 1950 na Universidade Federal da Bahia, primeiro na Escola de Belas Artes, onde se formou em Pintura em 1957, com mestres como Mário Cravo Jr., e, logo em seguida, estudando cenografia com Giani Ratto na Escola de Teatro. Influenciado pela disciplina "Estudos Brasileiros", ministrada por Hélio Simões, Carlos Eduardo da Rocha e Cid Teixeira, começou a desenvolver interesse pela cultura popular e artesanato do Nordeste. Porém, seu engajamento com o meio artístico foi anterior à Universidade.

Desde os anos 1940, participava de movimentos, salões de arte e atividades culturais junto a vários artistas e poetas da chamada "Geração MAPA", inclusive fez editoração da revista MAPA. Fez parte da famosa turma do Campo Grande, acompanhando todo tipo de manifestações e convivendo com muitos personagens populares. Mais tarde, colaborou com Glauber Rocha e o Cinema Novo como cenógrafo e ator. Foi assistente de Lina Bo Bardi à época da criação do Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, onde também foi professor de educação artística para crianças. Segundo Sante, foi com ‘Dona Lina’, entre 1958 e 1964, que “aprendi a ser profissional”.

No princípio da carreira, em Salvador, implantou e dirigiu os Centros Artesanais do SESI (Serviço Social da Indústria) no Largo do Papagaio e no Retiro, do SESC (Serviço Social do Comércio) em Nazaré, e do IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia) no Pelourinho. Assim, nos anos 1970, teve destacada participação em projetos de educação artística vinculados a programas sociais.
O repertório de referências filosóficas, teóricas e artísticas de Sante decorre de muitas vivências, viagens e, principalmente, de estudos sistemáticos de arte e de dedicação ininterrupta à pintura. Fez a primeira exposição individual na Escola de Belas Artes à qual se seguiram umas 40 individuais até hoje e mais de 80 coletivas, realizadas no Brasil e no exterior. Recebeu uma dúzia de premiações e vários críticos, poetas e artistas renomados escreveram sobre sua obra, de Jorge Amado a Umberto Eco. Participou em inúmeras feiras de arte e salões nacionais e internacionais. Expôs três vezes na Bienal de São Paulo, além da II Bienal de Pintura de Cuenca (Equador), I Bienal de Buenos Aires (Argentina), III Bienal de La Habana (Cuba), Bienal Interparlamentar do MERCOSUL (Uruguai), dentre outras grandes mostras. Mais de 25 instituições e museus no Brasil e no exterior tem obras suas.

Dentre as inúmeras publicações e referências ao trabalho de Sante, destacam-se as seguintes obras monográficas que resumem sua trajetória: “A Cultura Popular na Arte de Sante Scaldaferri” (1977), o catálogo em comemoração aos trinta anos de profissão nas artes plásticas (1988), “Sante Scaldaferri – Pop/Bienais” (2011) e “Sante Scaldaferri – baiano, nordestino, brasileiro, universal” (2014) de Claudius Portugal e editado pela Assembléia Legislativa da Bahia. Desde início dos anos 1980, o trabalho de Sante foi influenciado notadamente pelo Neo-expressionismo, a Transvanguarda e a Pop Art, consolidando uma fase da produção artística que o próprio artista denomina “Fase Antropomórfica” a partir da criação de figuras volumosas e inspiração nos traços dos ex-votos. Nos anos 1990 começa a desenvolver pinturas com inserção de objetos (sobretudo pequenos bonecos de pano e continuando com ex-votos) e a explorar a infogravura associada à manipulação de imagens com auxilio de softwares, trabalho que realiza até hoje em sua bela casa em Itapoã na companhia inseparável de sua querida Marina.