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  Home - Poesias - Crônica: "Chorar aos pés do caboclo ou reclamar ao bispo Sardinha"
 

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 Marcelo Torres

 
 
Crônica: "Chorar aos pés do caboclo ou reclamar ao bispo Sardinha"
24 de Maio de 2013 10:36

Aqui da capital federal, olhando para o fuzuê que acontece lá na primeira capital, vou puxar a brasa para a minha Bahia, ou melhor, vou puxar Brasília para a minha sardinha.

 

Foi o treinador Joel Santana, o dito Papai Joel, quem botou o apelido de “Sardinha” no Bahia. Portanto, o apelido não é de minha autoria, mas sim de um ex-funcionário deles.   

 

Certa feita, entrevistado no SporTV, ao lhe perguntarem se treinaria o Bahia, ele respondeu: “Não, eu não quero Sardinha. Quero treinar time grande. Sardinha não!”   

 

Depois disso, veja só que beleza de Creuza: ele foi contratado duas vezes para treinar a Sardinha, ou melhor, o Baêa.  Por isso, o nome do clube ficou este: “Sardinha”.

 

E lá vou eu gritando assim: “Bora, Sardinha, minha porrinha”. Posso também suplicar: “Devolvam minha Sardinha”. Ou assim: “Sardinha pouca, meu Leão primeiro”.

 

Tricolores fazem romaria até o Campo Grande para chorar aos pés do caboclo. Deveriam reclamar ao bispo, digo aos pés do monumento ao primeiro bispo do Brasil.

 

Dom Pero Sardinha foi o primeiro bispo do Brasil. Foi devorado pelos índios caetés, quando o barco naufragou no litoral de Alagoas, em 1556.

 

Tornava-se, assim, a primeira sardinha comida, degustada, deglutida, devorada por estas bandas. A desgraçada ironia é que o bispo devorado nascera em Évora, Portugal.   

 

Évora, a cidade onde há uma capela construída apenas com ossos, e em cuja entrada está escrito o seguinte: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos".

 

Voltando ao bispo, reza a lenda que, enquanto era comido, Sardinha xingava os índios: “Seus canibais! Seus animais!”  E os índios se animavam mais ainda.

 

Então, viva seu Oswald de Andrade, que em Piratininga, 374 anos após a degustação do bispo Sardinha, escreveu o Manifesto Antropofágico.

 

E mais: 443 anos após a deglutição de Sardinha, Ivete Sangalo, que é fiel torcedora do Vitória, fez uma música que dizia: “sonhava com um índio que me desse alegria”.

 

E esse índio apareceu no Vitória, um atacante chamado Índio, um cruel canibal que fez um caminhão de gols no Bahia, em especial no último Ba-Vi da velha Fonte Nova.

 

Pois o monumento ao bispo Sardinha fica ali no Pelourinho. E já que eles não vão, eu vou lá reclamar ao bispo: “Devolva minha Sardinha”. “Devolva meu rival”.  

 

Rindo cá, dá vontade de dizer a eles: “Cadê Osório Vilas Boas? Chamem o Osório! Por onde aquele pecador confesso? Acaso estará comprando títulos no inferno?”

 

Osório morreu, e deixou o livro “Futebol: paixão e catimba”, no qual conta “façanhas”, que deixariam Marcelo Pai e Marcelo Filho no chinelo.

 

E cadê o macumbeiro-mor Lourinho, meu Senhor do Bonfim, onde está que não responde? Em que beco, em que encruzilhada, em que trave ele se esconde?   

 

E por que não chamam Paulo Maracajá? Aquele, sim, é que foi presidente!  Com ele, o Baêa ganhou a Copa União de 88. Ele virava a mesa e pronto! Morreu Maria Preá!

 

Chamem Lourinho, e aquele anãozinho, e também Paulo Maracajá! Chamem logo, pois a Série B já gritou para a Série A: “Devolva meu Baêa” ( Baêa é com B = Série B).

 

E o que fazer com Tiririca pai, o Tiriricão? E o que fazer com este Tiririca Júnior, o Tiririquinha?  Perto de Maracajá e Osório, os Tiriricas não passam de dois palhaços.

 

Nada de ir chorar aos pés do caboclo. Eu vou reclamar ao bispo lá no Pelô. Devolva meu Osório! Devolva meu Maracajá! Devolva a porrinha da minha Sardinha!

 

Marcelo Torres (marcelocronista@gmail.com)