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  Home - Poesias - A cidade ideal é uma construção coletiva
 

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 Guto Amoedo

 
 
A cidade ideal é uma construção coletiva
26 de Junho de 2013 12:07

No momento em que prefeitura e estado anunciam um pacote de obras e intervenções urbanas em Salvador, cabe perguntar qual a conectividade que essas ações têm com a busca de uma cidade ideal. Afinal, as cidades são o resultado de um trabalho coletivo da sociedade, onde se dão atividades econômicas, culturais e sociais de agentes que buscam melhores condições de bem estar, que envolve desde uma  maior oferta de empregos, salários de qualidade e serviços públicos eficientes.

A arquiteta Sylvia Angelini escreveu um artigo, citado  no blog de Núbia Dantas, mostrando que a cidade ideal  é aquela onde “repousam os sonhos de cada cidadão, o lugar onde há terra, segurança, saúde e justiça para todos”. No entanto ela chama atenção para a cidade real, em que vivemos que “se revela em cada canto esquecido, cada imóvel invadido, cada serviço não oferecido”, ou seja, ruas esburacadas, falta de saneamento básico, iluminação precária, carência de espaços de laser etc. Uma contradição materializada no dia a dia do cotidiano das cidades brasileiras.

Como bem frisou Núbia, precisamos, cada um de nós, lutar diariamente para que a cidade dos nossos sonhos seja também a que habitamos, e eu acrescentaria, afinal, de que adianta uma eficiente coleta de lixo, se o cidadão joga sistematicamente o lixo nas ruas, de que serve uma campanha de saúde pública, se o morador acumula água que gera o mosquito da dengue, da mesma forma, de que adianta decisões estapafúrdias, que oneram o custo de se viver na cidade, como também devemos discutir como fazer o adensamento de Salvador.

Richard Rogers, 78, um dos reformula dores da arquitetura contemporânea e ganhador do prêmio Pritzker de 2007, considerado o Nobel da Arquitetura numa entrevista à Ong Eco Cidades, feita por Fabíola Ortiz, diz que a cidade ideal é compacta, branda como lema. O arquiteto ítalo-britânico defende a reinvenção da cidade densa sob uma perspectiva de sustentabilidade ambiental, que valorize em primeiro lugar o cidadão. Ele é um crítico contundente do modelo de expansão predatória das cidades.

Uma cidade compacta funciona melhor e tem mais potencial ecológico do que outra espalhada horizontalmente. “Veja as cidades japonesas, por exemplo. Claro que a verticalização tem seus próprios problemas e não é a única forma de adensar. É preciso estar no chão também. Na Europa, a cidade mais densamente povoada é Barcelona, na Espanha, e seus prédios têm no máximo oito andares. Ela é bem planejada, eficiente e provê espaço para todos. Antes que se avance sobre o cinturão verde, é preciso fazer a cidade funcionar bem. No transporte, isso significa dar força ao ciclista, o pedestre e o usuário de transporte público. Ele defende a ideia da mistura de moradia, trabalho e lazer. O zoneamento é perigoso. Ter um centro comercial de um lado e casas de outro, como Brasília, obriga a fazer tudo de carro. Richarad defende o uso da tecnologia de ponta nas edificações. Por isso é importante usar o que temos de melhor nos projetos sustentáveis. Afinal, a arquitetura se resume a solução de problemas de um ambiente, colocando como condição central o bem-estar das pessoas. Uma cidade mais compacta pode ser também menos agressiva ao ambiente”

.

A cidade com que sonhamos e que habitamos é uma construção não somente das ações dos poderes públicos, mas também, como diz Sylvia Angelini, da participação de todos nós,“aqui, ali, de um jeito ou de outro, como for possível. É isso que vai fazer da nossa cidade – real – o melhor lugar para se viver”.