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Eliana Calmon critica a oposição baiana
24/03/2014 09:45:47

Depois de deixar o Judiciário para enfrentar o desafio da seara política, a ministra Eliana Calmon (PSB) mostra que já está em sintonia com a pré-campanha ao Senado, na corrida para as eleições de outubro. O seu estilo direto é evidenciado nesta entrevista, onde a senadora destaca não apenas crítica à indefinição da oposição como as “hipocrisias” da legislação eleitoral.

Sobre sua campanha, Calmon promete não atacar os adversários, mas, as “políticas equivocadas”. Além de fazer análises sobre o atual cenário, a ministra também apresenta seu posicionamento em relação à nova gestão do Tribunal de Justiça da Bahia, que, para ela, veio para mudar a cara da tão criticada Justiça baiana.

Osvaldo Lyra

Tribuna da Bahia Como está essa fase de pré-campanha da senhora? Ainda tímida ou já está em campo, tentando conversar com o eleitorado baiano?
Eliana Calmon - Está bastante tímida por causa da própria legislação eleitoral, que é extremamente hipócrita. Nós precisávamos fazer uma reforma inteira da legislação eleitoral a partir, exatamente, da pré-campanha porque a pré-campanha é uma vergonha. Aqueles órgãos, aquelas pessoas que já estão no poder usam toda a máquina, toda a estrutura do Estado para investir em campanha. E quem não está, fica, absolutamente, desguarnecido, sem captação de recursos. Não existe, ainda, o auxílio do partido e por isso as pessoas não podem fazer campanha. Não podem porque não têm recursos e porque a legislação exige, sequer, que o cargo almejado seja dito. Não se pode dizer nada. Nesta fase de pré-campanha, eu estou visitando as cidades do interior e também muitas universidades estão abrindo as portas através dos diretórios, diretorias de escolas, ONGs, como Rotary, Lions, Ordem dos Advogados. Todos eles têm aberto as portas para que eu tenha atividade acadêmica, de forma que eu dê palestras dizendo o que penso sobre ética, gestão, corrupção e as reformas do Poder Judiciário, por exemplo.

Tribuna - A senhora pretende levar o discurso contra os adversários na campanha?
Eliana - Não contra os adversários. É uma técnica que nós do PSB e também de Marina. Não queremos atacar ninguém, nós queremos atacar as políticas equivocadas, no nosso entendimento. Nós vamos mostrar ao povo aquilo que não deve ser. Uma campanha de ataque direto ao adversário não vamos fazer.

Tribuna - Teme disputar o Senado com nomes experientes da política, como Otto Alencar e um possível nome do DEM ou do PMDB?
Eliana - Não, porque a minha candidatura e a minha política são diferentes. Eu estou entrando agora para um desafio e para quebrar um paradigma. Tudo isso eu obtenho. Qualquer que seja o resultado eleitoral, eu estou muito satisfeita até aqui com o que eu já vi da Bahia, com o que eu já aprendi com o povo e visitando este grande interior. Estou admirada com tantas riquezas que temos e estarrecida com as deficiências das políticas públicas em nosso Estado.

Tribuna - Como a senhora avalia o governo Wagner? O que considera como erro e acerto ao longo desses sete anos, pelo que já viu até agora?
Eliana - Eu acho que a Bahia está muito desprezada. Muito pouca coisa foi feita. O primeiro ano de governo foi razoável, muitas estradas foram construídas, mas o último ano foi única e exclusivamente de politicagem. Deixou a desejar, nós, baianos, estamos com a autoestima muito baixa. Nós, que tínhamos tanta ideia da grandiosidade da Bahia, hoje, estamos sem querer dizer que somos baianos. Eu, que sempre vi a Bahia de longe porque morava em Brasília, sabia exatamente o que o povo falava da Bahia. Nós dizíamos o seguinte: “eu não quero me gabar, mas eu sou baiano” ou “desculpe, modéstia a parte, eu sou baiano”. E as pessoas riam porque todo mundo queria vir para a Bahia. Agora, as pessoas não querem mais vir para a Bahia, não querem mais vir para Salvador, nem no Carnaval. Eles dizem que a Bahia é insegura, a segurança pública é pífia, péssima. A cidade estava muito suja, muito abandonada e eles ficavam até admirados de ver a cidade maltratada, muito cara, com uma exploração imensa do turismo. Todos esses elementos juntos fizeram a Bahia perder turismo, fizeram a imagem da Bahia muito ruim para quem está de fora. Nós estamos perdendo turistas para Aracaju, que é uma cidade pequena, mas é arrumada, em paz e um lugar onde não há tanta exploração. Eu pergunto: o que aconteceu com a nossa Bahia, gente? Alguma coisa aconteceu, não cuidaram dela.

Tribuna - O governador Jaques Wagner, o governo do PT se preocupou em fazer mais política do que gerir a coisa pública com qualidade. É isso?
Eliana - Tudo o que nós estamos sentindo como resultado. Mesmo que a gente não queira entrar nessa seara, não se pode dizer que isso não tenha acontecido. A preocupação é a manutenção do poder do PT.

Tribuna - Como a senhora avaliou essa disputa política pela vice do PT? Acredita que o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), que teria sido preterido em relação ao deputado federal João Leão do PP, possa marchar com o PSB e ocupar, inclusive, a chapa na vaga de vice, como a senadora Lídice o convidou?
Eliana - Eu não sei. Eu não tenho base para dizer isso. Eu acho que é uma mistura muito grande. Todo político deve ter um lado e eu não admito que as pessoas não tenham um lado. O lado que eu digo não é de pessoas, é de ideias, de propostas, de princípios. Quando Eduardo Campos rompeu com o PT, ele rompeu porque tem outros objetivos na política e o PSB tem que caminhar ao lado de Eduardo Campos. Portanto, eu acho muito preocupante esses coringas que estão lá e cá, que acendem uma vela a Deus e outra ao diabo. Eu estou na política porque eu acho que nós temos que melhorar a política em nível nacional. Não é possível que os políticos pulem de galho em galho sem olhar os objetivos, os princípios, as consequências de cada governo. Não me diga que isso vai mudar com a legislação.

Tribuna - Qual o discurso que a senhora acha que vai pautar a sua campanha e a de Lídice da Mata?
Eliana - Mudança. A minha campanha é por mudanças e mudanças radicais, no sentido de não serem possíveis políticas públicas pela metade. Nada do que foi feito, até agora, com as políticas públicas incentivadas pelo PT foram completadas. E nós estamos preocupadíssimos porque já começamos a perder terreno com essas políticas. Por exemplo, no Rio de Janeiro, nós brasileiros conseguimos a coisa fantástica que foi a política de levar o Estado aos morros que estavam absolutamente apropriados pela marginalidade, pelos traficantes. Mas, todo o esquema dessa política foi no sentido de que outros passos precisavam ser dados. Quatro passos para que o Estado se incrustasse nas comunidades: a presença pela força, que é a Polícia; uma política pacificadora e por isso eu precisava de uma política diferenciada, policiais diferenciados, tanto que eles tinham como ideia dentro do projeto, de só colocar os policiais novos, recém- ingressados na corporação e que tivessem a formação de política. Era preciso levar até esses lugares saneamento básico, saúde e educação. Esses eram os cinco passos necessários para que o Estado permanecesse nas comunidades, mas isso não aconteceu. Eu vi, por exemplo, uma palestra dada pelo Beltrame, em que ele mostrava claramente que estava frustrado porque só a Polícia não iria resolver. Isso eu vi em um congresso da ONU. De forma que aquilo tudo que fizemos com muito dinheiro e com muito esforço, que foi a chegada do braço policial nos morros, termina sendo inutilizado, como nós estamos vendo agora com os marginais voltando. A mesma coisa nós falamos em relação ao Bolsa Família, que foi uma grande vitória. Não podíamos deixar os nossos semelhantes morrendo de fome. Precisávamos ter uma política que acudisse, mas é uma política emergencial, para que as pessoas não morram. Mas, por favor, nós não vamos dar guarida a uma política de Bolsa Família que passe para os filhos e netos e eu tenha uma horda de miseráveis que sejam sustentados pelo Estado. Eu dou o Bolsa Família para que as pessoas possam se manter vivas, mas eu tenho de dar educação, saúde e saneamento básico. Ganha o Bolsa Família, mas tem a obrigação de colocar os filhos na escola e isso já está sendo dispensado. As estatísticas estão mostrando a defasagem das meninas nas poucas escolas que existem. As mulheres são as que mais se ausentam das salas de aulas porque precisam tomar conta dos irmãos. Então, nós precisamos incrementar as políticas públicas e avançar com elas. O PT se propôs a assumir os dois papéis: fazer política com ética e inclusão social. Foi a partir daí que eu me tornei eleitora de Dilma e aplaudi de pé os programas sociais, que não avançaram. Ao contrário, houve regressão porque o Programa do Bolsa Família está atrelado ao Programa da Criança na Escola. Agora não precisa. A fiscalização existia para verificar quem tinha família, efetivamente. Essa preocupação acabou e a aflição de agora é fazer a distribuição de dinheiro. Isso me deixa muito preocupada porque teríamos que fazer investimento em outras políticas: saneamento básico, saúde e educação.

Tribuna - Falamos sobre a questão partidária, sobre o discurso de campanha, mas estamos também em uma fase de indefinições para as oposições. Como a senhora avalia essa indefinição de candidatos? É Geddel, é Paulo Souto ou, para a senhora, isso pouco importa nesse momento?
Eliana - Eu acho que isso é fundamental e mostra a grande confusão que está havendo na nossa Bahia, onde não temos nada de moderno. O que temos de novidade na política baiana é uma mulher de 69 anos de idade que se chama Eliana Calmon. É isso que nós temos de novidade, uma mulher que não terá vida política longa por causa da idade e eu nunca fiz política, mas estou entrando para quebrar paradigmas. Não é possível que não tenhamos pessoas capazes de renovar esse quadro. Chega, não é possível! A indefinição está a partir daí. As pessoas estão velhas, desgastadas e desiludidas, mas não querem deixar a política.

Tribuna - A senhora acredita que o PSB vai tirar votos do candidato do PT, já que passeiam pela mesma fatia do eleitorado?
Eliana - Eu acho que sim. A gênese é a mesma.

Tribuna - Fala-se em uma possível aliança entre Geddel Vieira Lima, do PMDB, e a cúpula do PSB e da REDE nacional. A senhora acredita que há algum movimento para atrair o PMDB, também, para uma aliança?
Eliana - Eu não sei, eu não tenho conhecimento sobre estas alianças porque elas ficam mais a critério nacional. O PSB, na Bahia, é muito pequeno, é um partido frágil, não tem nenhum deputado federal e tem pouquíssimos deputados estaduais. Ele terminou sendo engolido pelo PT, começou a se fragilizar e a diminuir em razão da fortaleza do PT. Na política local, as coisas são tão indefinidas que a gente fica sem saber. Não existe lado, ideologia, princípio nenhum. A gente passeia de um lado para o outro, como se não houvesse partido. Os partidos existem para sustentarem ideias que podem estar próximas umas das outras ou em sentido absolutamente antagônico. No Brasil, esses partidos representam pessoas, aliás, pessoas são donas de partidos.

Tribuna - Em um eventual segundo turno, a senhora acredita que seria mais fácil dialogar com o DEM, PMDB, PSDB ou com o PT?
Eliana - Eu acho que a primeira hipótese. O PT não dialoga, o PT impõe.

Tribuna - Quanto à candidatura de Eduardo Campos, qual a expectativa da senhora? Acredita que vai, realmente, apresentar uma alternativa de mudança para o país?
Eliana - Vai sim. É toda uma vida política iniciada por Arraes e dada continuidade pelo seu neto e até mesmo as origens do partido, do PSB pelas mãos de João Mangabeira, que iriam fazer essa diferença. Esse é o PSB legítimo.

Tribuna - O que fazer para viabilizar a campanha sobre o aspecto financeiro?
Eliana - Eu tenho perguntado muito isso aos interlocutores, a Marina e a Eduardo. Nós temos muito pouco dinheiro e o que eles dizem é que campanha é feita com dinheiro, mas não precisa muito dinheiro. Precisa muita imaginação e militância. É exatamente nisso que estou embarcando, na ideia de militância. Enquanto têm partidos que estão com aviões estipendiados pelos cofres públicos, inclusive, nós vamos em aviões de carreira, captação de recursos que possam ser dados por empresas, por pessoas físicas, mas dentro de uma contabilidade onde não haja caixa dois. Marina disse que os dois milhões de voto que ela teve, conseguiu com esta política. É isso que estamos esperando fazer aqui na Bahia.

Tribuna - A senhora disse recentemente que caso perguntassem se queria ser presidente do Supremo Tribunal da Justiça (STJ), sua resposta seria negativa, pois seria apenas administradora do prédio. Isso significa que a política arrebatou a senhora de vez?
Eliana - Foi, e vou dizer por que. Depois que eu passei pelo Conselho Nacional de Justiça, em meus 34 anos de Magistratura, eu nunca assumi nenhum cargo para ficar longe da judicatura. Eu judiquei todo esse tempo. Eu nunca assumi cargo público, nunca fui assessora de ninguém, nunca saí da atividade de juíza, sempre fui julgadora. O único cargo que me afastou da judicatura foi a corregedoria por imposição constitucional. Já amadurecida como magistrada, eu me deparei com a atividade política do Poder Judiciário. Política, entendemos como a arte de governar o Poder Judiciário. Deixando a Corregedoria, voltei para o STJ e continuei com a atividade de julgadora, mas o lugar não me coube mais. Para ser absolutamente sincera, eu não fui mais feliz como era antes de ter conhecido as entranhas do Poder Judiciário. Eu fiquei mais por causa da Escola Nacional de Magistratura porque, junto à Judicatura, eu também tinha a direção da Escola Nacional, que é a escola que dá formação aos magistrados que estão entrando. Isso me encanta, tanto que a minha dúvida sobre eu deixar ou não a Justiça para empreender uma carreira política me balançou muito por causa da escola, a Enfan. Eu ficaria na escola até setembro, mas o que pensei é que consegui estruturar a escola, tirá-la do papel, e isso todos os meus colegas reconhecem. Empreendi projetos que têm início, meio e fim, de forma que qualquer outro colega que me sucedesse tinha matéria para trabalhar aquilo que consegui implantar. A minha falta na Enfan até o mês de setembro, de janeiro a setembro não fará tanta falta, foi quando me decidi. Mas na realidade, a atividade judicante deixou de ser a grande questão da minha vida porque descobri que a atividade mais forte é a política. É ela quem conduz, e se nós não tivermos um bom direcionamento político não adianta a atividade de julgar. A gente pega o Direito, joga para um lado, joga para o outro, para cima e para baixo, e isso não me encantou mais.

Tribuna - Como a senhora avalia a gestão do atual presidente Eserval Rocha no comando da Justiça da Bahia?
Eliana - Eu estou encantada com as atitudes que estão sendo tomadas por ele. Ele está tomando atitudes de gestão muito sérias, e uma coisa que está me surpreendendo é a aceitação por parte de seus colegas. As coisas estavam tão ruins no Tribunal de Justiça que os magistrados que são bastante políticos nessa política interna deles abriram mão de qualquer interesse pessoal para aceitar as posições do desembargador Eserval, que têm sido muito institucionais.

Tribuna - A senhora acredita que o Judiciário da Bahia pode começar a vislumbrar e a respirar novos horizontes a partir dessas medidas?
Eliana - Eu tenho certeza que nós quebramos uma forma de ser e que vem de muitos anos. Não posso dizer que seja das últimas administrações, mas o Poder Judiciário da Bahia vem se deteriorando há muito anos. É uma promiscuidade entre as políticas. O Poder Judiciário a serviço “de”, isso tende a acabar no momento em que ele se organiza como instituição.

Tribuna - Para finalizar, o que a senhora vislumbra para se aproximar cada vez mais da população da Bahia, falar para os baianos e conseguir, através das urnas, ter a confiança da população para que a senhora seja representante do povo no Senado?
Eliana - Eu quero falar, quero dizer o que eu penso, mas, sobretudo eu quero que conheçam o meu passado. Eu venho dizendo sempre para na hora que forem votar não votem em um nome, votem na vida. Procurem saber o que as pessoas fizeram e o que foram, porque não é possível que deixemos esse grande poder nas mãos de oportunistas que querem apenas ter o poder nas mãos para enriquecer ou para exercer o poder pelo poder, sem contribuir para uma melhora da sociedade.

Colaboraram: Fernanda Chagas, João Arthur Alves e Lilian Machado.


 
 

 

 


 

 

 
 



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