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Rosa de Lima dialoga com História da Gente Brasileira
10/01/2017 11:43:50

Volume I trata do período da Colônia e a autora deve publicar, em breve, o Volume II - Império

Rosa de Lima , Salvador | 09/01/2017 às 21:27

 

Mary Del Priore, linguagem simples e coisas do dia-a-dia
Foto: DIV
​ Existem várias maneiras de apresentar conteúdos da história do Brasil. A premiada ex-professora de História da USP, Mary Del Priori, diria que inova uma vez mais ao publicar "Histórias da Gente Brasileira", Volume I relacionado a época da Colônia (Editora Leya, Rio, 2016, 427 páginas) dividido em três partes - Terra e Trabalho; o Supérfluo e o Ordinário: casa, comida e roupa lavada; e Ritmos da Vida - nascimento, adolescência, uniões, doença e morte".

Mais sugestivo do que isso, impossível. Criatividade e didatismo, nos mais de 30 pequenos capítulos escritos com linguagem bem acessível ao público, sem firulas e aquelas longas citações históricas dos compêndios tradicionais com abordagens do cotidiano das pessoas, desde os primórdios da colonização e a arte da sobrevivência nos trópicos até um tempo do Brasil colonizado e em processo de urbanização, país tropical que se deparava com os hábitos da vida e da morte, a sujeira nas cidades, as doenças, os nascimentos e os sepultamentos.

Mary Del Priore é uma veterana em narrativas sobre a história brasileira, tem 45 livros publicados e pertence a várias academias. Tem se destacado com mais visibilidade é por traduzir essa história nacional de forma que as pessoas entendam, de uma maneira mais popular e didática. "Histórias da Gente Brasileira" tem esse enredo facilitador.

E seu livro, além dessa abordagem simples, traz centenas de novas informações para quem gosta e cultua a história, detalhes que não são vistos nos compêndios clássicos exatamente porque ela aborda as coisas comuns do dia-a-dia do período colonial, em especial, a luta que foi tanto para os escravos vindos da África; quando aos europeus de Portugal e de outros países tiveram que enfrentar nos trópicos, uma espécie da arte da sobrevivência, muitos costumes aprendidos com os nativos locais que também sofreram com as doenças traziados pelos brancos e pelos negros e muitos deles foram dizimados, por febres e por balas.

O que se propagava, por exemplo, era que o "Brasil representava o inferno dos negros, o purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos". Como destaca a autora, "não faltou quem comparasse a nossa cultura como 'farta e davidosa' ao paraíso tropical.

Mas, a realidade era bem mais dura do que se supunha até mesmo para os colonizadores brancos a soldo de Portugal porque passaram a enfrentar no dia-a-dia, além do 'inferno brasileiro' do imaginário popular nativo - os seres sobrenaturais como o curupira, o espírito malfazejo do Anhangha e outros, as doenças tropicais, os animais selvagens - especialmente as cobras, a carência de uma medicina rudimentar que fosse e os próprios ataques dos nativos com suas flechas envenenadas.

O que a historiadora deixa bem claro do seu Voliem 1 da "História da Gente Brasileira" é que o período incial da colonização não foi fácil pra ninguém, mas, ainda assim, a partir da unidade produtiva dos engenhehos da cana-de-açucar com a 'cana nossa de cada dia' introduzida pelos europeus da costa da Índia, representou uma atividade comercial e industrial de peso na vida da Colônia e sedimentou negros e brancos no interior brasileiro, especialmente na Bahia, Pernambuco e na região de Sorocaba, em São Paulo.

A autora comenta um ponto pouco lembrado pelos historiadores clássicos, os papéis das mulheres no ciclo da cana-de-açucar, o mais importante do início da colonização até a chegada do ouro com a descoberta das minas de Taubaté. Segundo Antonil, as mulheres usavam a foice e a enxada como os homens na plantação e roçagem da cana. O termo roça vem daí. As roceiras - completa a autora - plantavam cana com a ajuda ou não dos escravos do senhor ou da senhora dos engenhos.

Longe de nós pensarmos que só os homens dirigiram os engenhos. Alguns deles, alguns varões depois de mortos, cabiam as viúvas, com muito êxito e autoridade dirigir esses sitios de produção suas casas grandes, senzalas e muitos escravos. E vem também desse primeiro período colonial o surgimento dos negros fugidios que se embranhavam na mata para formam núcleos comunitários se dissociando dos engenhos, hoje, catalogados como núcleos quilombolas.

O livro de del Priori é uma delicia. A cada subtema novas informações desse dia-a-dia colonial o inicio da expansão do comércio nas áreas urbans, os portos de Salvador e do Rio de Janeiro, o bacalhau e o vinhos importados de Portugal em barris, as formas de se vestir e se divertir, o comportamento dos homens e das mulheres, as comidas, os doces, os artesãos, o comércio, as residências, as artes e a cultura religiosa, o papel da Igreja e em especial dos jesuitas, todo um caldo de cultura extraordinário.

Lembra a autora que ao chegar a Salvador o marquês do Lavradio, dirigente todo poderoso da época, ficou horrorizado com o que chamou de 'memoráveis urupemas' ... que guarneciam portas e janelas da cidade, fazendo parecer mais cabanas do que casas de uma capital". Tais urupemas era um tipo de treliça que, na falta de madeira eram confeccionadas com fibras de vegetal.

Diga-se, ressalva nossa, a arquitetura portuguesa era muito pobre se considerada com a espanhola nas Américas com suas casas majestosas, balcões com flores e salões com pé ddireito mais altos, os pátios mexicanos da grã-Colômbia e outros.

Del Priori trafega com sua pena por esse mundo diário das pessoas nesses centros urbanos iniciais e nos campos e engenhos comentando desde as receitas e os segredos da beleza usados pelas mulheres vaidosas daquele momento da vida nacional aos cuidados com o fim da vida, as missas pagas e encomendas nas paróquias pós-mortem e como se comportava a juventudade, quando sequer se falava em quais métodos pedagógios para o ensino na adolescência, desses jovens nas diferentes camadas sociais nesse Brasil Colônia.

O prussiano Theodor Leithold observou em visita ao Rio de Janeiro por volta de 1850/60 que, "as mulheres vestiam-se de preto, geralmente com seda, com meias de seda branca, sapatos da mesma cor e sobre a cabeça um véu preto de fino crepe que cobre metade do corpo. O tal véu, segundo La Flott, servia de disfarce, também, pois como todas (creio as brancas mais ricas) se escondem atrás de um véu e se vestem de preto, assim, sob o ptetexto de irem à igreja poderiam, tranquilamente, dirigir-se a um encontro amosoro.

O próximo volume a ser escrito por Del Priori tratará da época do Império (a partir de 1822) e as transformações no cotidiano dos nossos ancestrais. Com certeza vem boa narrativa por aí.


 
 

 

 


 

 

 
 



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