"Nunca" vão tirar a Venezuela do Mercosul, diz Maduro

      



O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, garantiu que seu país vai continuar no Mercosul, apesar da suspensão imposta pelos quatro membros fundadores do bloco neste sábado, numa reunião de chanceleres em São Paulo.


"Não vão tirar a Venezuela do Mercosul. Nunca. Somos Mercosul de alma, coração e vida. Algumas oligarquias golpistas, como a do Brasil, ou miseráveis, como a que governa a Argentina, poderão tentar mil vezes, mas sempre estaremos aí", repondeu Maduro em declarações à Rádio Rebelde da Argentina.

Os chanceleres da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, fundadores do Mercosul, decidiram, ontem, sábado (5/8), de forma unânime, excluir a Venezuela do bloco por "ruptura da ordem democrática".

"A suspensão da Venezuela foi aplicada em função das ações do governo de Nicolás Maduro e é um chamado imediato para o início de um processo de transição política e restauração da ordem democrática", declara o comunicado assinado pelos ministros após uma reunião em São Paulo.

Essa é a segunda vez que o Mercosul, fundado em 1991, aplica essa cláusula assinada em 1998 no Ushuaia, na Argentina, ratificada e ampliada em 2011. Ela estipula que "a plena vigência de instituições democráticas é essencial" para a integração regional.

Na prática, a decisão quase não muda a situação da Venezuela no grupo, já que o país está suspenso do bloco desde dezembro de 2016 por não cumprir obrigações comerciais com as quais tinha se comprometido quando entrou no Mercosul, em 2012. O único precedente de aplicação do "Protocolo do Ushuaia" foi em 2012, contra o Paraguai, após a destituição do presidente Fernando Lugo.