Especialista dá dicas de como preservar a saúde do coração depois dos 60

      



O envelhecimento é o maior fator de risco para as doenças cardiovasculares, mal que acomete cerca de 40% da população idosa. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como idoso o indivíduo com mais de 60 anos. Este dado, presente na literatura médica, serve de alerta para o Brasil – a estimativa é que o número de idosos nos próximos 40 anos seja triplicado, segundo o IBGE.

Pela urgência do contexto, áreas como Cardiogeriatria e estudos científicos sobre como tratar e identificar alterações de forma mais eficaz no coração do idoso têm crescido rapidamente. Preservar hábitos saudáveis, no entanto, continua sendo a dica básica dos médicos para uma maior qualidade de vida em idade avançada.

De acordo com o cardiologista Mozart Cardoso Filho, da Diagnoson a+, do Grupo Fleury, a prevenção deve começar na infância, pois muitos problemas cardíacos que aparecem mais tarde são reflexos dos hábitos ao longo do tempo. “É preciso ter uma cultura de vida saudável, ou seja, cuidar da alimentação e praticar atividades físicas com regularidade”, explica o médico.

Mas nunca é tarde para mudar os hábitos, mesmo acima dos 60 anos. Essas orientações continuam sendo fundamentais para não agravar os problemas cardíacos já existentes e nem potencializar fatores de risco como diabetes, colesterol elevado e pressão alta. Além desses cuidados básicos, outros específicos para essa faixa etária também precisam ser adotados, segundo o especialista.

A literatura mostra que 40% da população mundial têm infarto ou morte súbita antes de manifestar qualquer sintoma. Dessa forma, a investigação diagnóstica mostra-se fundamental.

Dicas de prevenção:

- Realizar exames preventivos ou de investigação, antes que os sintomas apareçam. Isso, ao lado dos fatores de risco tradicionais como hereditariedade, tabagismo, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e colesterol alto auxiliará a estratificar o perfil de risco de eventos cardiovasculares. Os exames são o escore de cálcio, ultrassonografia com doppler de carótidas e teste ergométrico;

- Cuidado com as interações medicamentosas devido ao volume de remédios ingeridos nessa faixa etária;

- Procurar um geriatra, médico especializado na saúde do idoso e conhecedor dos medicamentos que podem ou não ser administrados conjuntamente, assim como as doses adequadas para o idoso;

- Quanto menos medicamento, melhor!

- Cuidado com os exames que usam contraste, antes é sempre bom saber como estão funcionando os rins.

Para aqueles que apresentam sintomas, como falta de ar, dor no peito, redução da capacidade dos exercícios habituais, entre outros, as orientações são diferentes.

Dicas para quem tem sintomas:

- A primeira dica é procurar logo auxílio médico!

- Realizar teste ergométrico, caso não haja limitação, que traça o risco de entupimento das artérias coronárias e ecocardiograma, que mostra, entre outras coisas, as alterações funcionais;

- Caso haja limitação para o teste ergométrico, as alternativas são métodos de imagens associados a estímulo farmacológico, que são drogas que fazem o papel parecido com o do exercício: cintilografia do miocárdio, ecocardiografia sob estresse ou ressonância magnética cardíaca.