Genro de Nilo, diretor da Embasa é alvo de operação da PF

      



Um diretor da Embasa e um servidor da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz) também são alvos da Operação Opinião, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) na manhã desta quarta-feira (13). A operação é a mesma que investiga o deputado estadual Marcelo Nilo (PSL), inclusive com mandados de busca e apreensão em seu endereço residencial, no Horto Florestal, e em seu gabinete na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

O CORREIO apurou que o diretor da Embasa é o genro de Marcelo Nilo, Marcelo Dantas Veiga, enquanto o servidor da Sefaz é Roberto Pereira Matos, um dos sócios da empresa Bahia Pesquisa e Estatística Ltda (Babesp).

No próprio site da Embasa, Marcelo Dantas Veiga é apresentado como diretor de gestão corporativa desde fevereiro de 2017 – um dos maiores cargos da empresa, logo abaixo do presidente. Em nota, a assessoria da Embasa informou que a empresa não é objeto ou alvo da operação e que está “à disposição das autoridades para prestar informações de natureza funcional sobre qualquer de seus colaboradores”.


No currículo de Veiga listado no site, há passagens pela assessoria jurídica do Tribunal de Contas do Estado (entre 2014 e 2017) e como coordenador da Assessoria Jurídica da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado (entre 2011 e 2013).

Não é a primeira vez que o nome de Marcelo Dantas Veiga aparece no noticiário político diante de um tema polêmico. Em agosto de 2013, quando era presidente da Alba, ele foi nomeado por Nilo como subprocurador-geral da casa – como é possível ver no currículo de Veiga. Na época, Veiga tinha 23 anos e tinha recebido o diploma de Direito, pouco mais de um mês antes.


Marcelo, à época, namorava a filha mais jovem do deputado, Natália Nilo. A nomeação causou ciumeira entre advogados que formavam a equipe jurídica da Assembleia, como foi noticiado pela Satélite. Devido à repercussão, Marcelo foi exonerado um mês depois.

Já a Sefaz, através da assessoria, informou que, por volta das 6h10 da manhã, a PF chegou à sede do órgão, no CAB, para cumprir um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral, tendo como alvo o servidor, que é um técnico administrativo do quadro efetivo da secretaria. O órgão não divulgou a identidade do servidor.

Ainda segundo a Sefaz, o servidor é lotado na área administrativa e não exerce nenhum cargo de confiança, direção ou assessoramento na Secretaria. Em nota, o órgão destacou que não é alvo da PF e que “a orientação da Sefaz é a de colaborar com as investigações, acompanhar os seus desdobramentos e, caso necessário, tomar as providências cabíveis”.

Operação Opinião
A operação foi deflagrada pela PF em conjunto com o MPE. As buscas também acontecem na Avenida Cardeal da Silva e no bairro do Horto Florestal, onde mora o político. Além de deputado, Nilo, que tem 62 anos, é engenheiro civil. Ele foi presidente da Alba por cinco vezes e está no sétimo mandato como deputado estadual.

De acordo com o MPE, a Operação Opinião tem o objetivo de cumprir sete mandados de busca e apreensão em endereços de Salvador, dentre os quais na residência do deputado e no seu gabinete na Assembleia Legislativa, no CAB. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE), com base em representação formulada pela Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE), em procedimento que investiga o crime de falsidade eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, envolvendo também a empresa Bahia Pesquisa e Estatística Ltda (Babesp).

"Os fatos são objeto de investigações em andamento tanto no Ministério Público Eleitoral quanto na Polícia Federal, que buscam apurar se o deputado Marcelo Nilo prestou informação falsa à Justiça Eleitoral, havendo indícios de que ele seria o controlador de fato da Babesp e que utilizaria a referida pessoa jurídica para contabilização fraudulenta de recursos utilizados de maneira ilegal em campanhas políticas, o que se costuma chamar de "caixa 2". Além disso, há suspeita de possível manipulação do resultado das pesquisas eleitorais divulgadas por aquela empresa", afirmaram a PF e o MPE, em nota.

Segundo o MPE, os alvos da operação foram os endereços residenciais e profissionais do político; de seu genro Marcelo Dantas Veiga; do sócio da Babesp Roberto Pereira Matos; e a sede da empresa Leiaute Comunicação, na Avenida Tancredo Neves. A operação visa apreender documentos, papéis, registros e dados arquivados em equipamentos de informática que possam contribuir com as investigações.

"Cerca de 30 policiais federais participaram da ação e dois membros da Procuradoria Regional Eleitoral acompanharam as buscas na Assembleia Legislativa e no endereço residencial do deputado. O nome da operação, Opinião, é uma referência à empresa investigada, cujo objeto seria a realização de pesquisas de opinião", destacam o MPE e a PF.

O CORREIO tentou contato com o deputado Marcelo Nilo, a Babesp, Marcelo Dantas Veiga, Roberto Pereira Matos e a Leiaute Comunicação mas até o momento ninguém retornou o contato. (Do Coprreio24horas)