Hiperplasia prostática afeta homens a partir dos 40 anos

      



Oito em cada 10 homens terão, até os 80 anos, desenvolvido Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), doença que levou ao hospital o presidente Michel Temer na última semana. A HPB pode interferir no fluxo de urina e, caso não tratada, levar a situações mais sérias, como alteração das funções renais, sangramento e até a necessidade de hemodiálise, conforme aponta o urologista da equipe do Hospital Cárdio Pulmonar (HCP), Romeu Magno.

“Estima-se que 90% dos homens entre 40 e 80 anos podem ter algum grau de sintomatologia. Os sintomas geralmente acontecem de forma insidiosa e os homens se acostumam. Muitas vezes, não relatam ao urologista por achar que é algo comum à idade”, afirma o especialista.
No mês dedicado à campanha de prevenção do câncer de próstata, Novembro Azul, o também urologista da equipe do HCP, Marcelo Cerqueira, chama a atenção para a importância das consultas regulares e exames para prevenir a hiperplasia. Para identificar a doença, os exames mais convencionais são o toque retal e Antígeno Prostático Específico (PSA).

“Utilizamos muito a ultrassonografia, a medição do fluxo urinário e o toque retal para descartar a possibilidade de câncer. É importante que o paciente procure o urologista a partir dos 45 anos e conheçam os sintomas para que ele possa ajudar no diagnóstico e identificar os casos de hiperplasia precocemente”, reforça Cerqueira.
Hiperplasia

De acordo com Romeu Magno, ainda não há conhecimento sobre uma causa exata para a doença. A HPB ocorre quando há um aumento da próstata, fazendo com que a glândula masculina comprima a uretra e gere complicações.

“É importante sabermos da severidade dos sintomas para adequar o tratamento. Geralmente eles estão relacionados ao esvaziamento da bexiga como retenção urinária, formação de cálculos na bexiga e infecção urinária. O paciente sente que precisa fazer um esforço maior para urinar, o jato fica intercortado e, pela manhã, ele apresenta maior dificuldade de iniciar o jato”, pontua o urologista Fábio Sepúlveda.

A partir dos sintomas, o médico avalia a necessidade do tratamento medicamentoso ou cirúrgico. Na maioria dos casos, de sintomas leves, é possível controlar o crescimento da próstata e assim evitar complicações da doença com o uso de medicamentos.
Quando o paciente apresenta sintomas moderados e mais severos, a indicação é cirúrgica. “Uma obstrução maior, a longo prazo, altera as características normais da bexiga e pode causar danos irreversíveis”, destaca Romeu Magno.

Para o coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Cárdio Pulmonar, o urologista Lucas Batista, o procedimento mais indicado é aquele ao qual o presidente foi submetido. Trata-se da ressecção da próstata, que é a raspagem da glândula, feita através de um bisturi elétrico que retira pequenos fragmentos e alarga o canal da uretra. Este é um tratamento reconhecido pelo pouco risco ao paciente e grande benefício.

“Utilizamos no Hospital Cárdio Pulmonar várias técnicas minimamente invasivas para esse tratamento, como a ressecção endoscópica que oferece uma rápida recuperação para o paciente. Inclusive novas técnicas, como a utilização do bisturi bipolar são utilizados frequentemente, pois apresentam menor risco de sangramento, melhor coagulação e menor taxa de complicações”, frisa Lucas Batista.

Já para pacientes com risco cardíaco e utilização de anticoagulantes a intervenção mais indicada é a utilização de laser Green Light, pois tem elevada capacidade de hemostasia (coagulação), alta no mesmo dia e menor índice de complicações.