Sobape alerta para imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório

      



A Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape) reforça o alerta para a imunização de crianças, especialmente as menores de dois anos, contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que de março a julho tem maior incidência de casos na região Nordeste.

De acordo com a pediatra e professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Edna Lúcia Souza, são necessárias até cinco doses da imunização, a depender do mês de nascimento da criança ou da aplicação da 1ª dose, para reduzir a gravidade da infecção, principalmente em crianças com maior risco para doença de maior gravidade, como os prematuros, os cardiopatas e as crianças com displasia broncopulmonar.

 

No mundo, anualmente, ocorrem cerca de 34 milhões de novos episódios de infecções respiratórias agudas provocadas por VSR em menores de cinco anos, o que resulta 3,4 milhões de hospitalizações, sendo responsável por cerca de 16% de todas as mortes por infecções do trato respiratório inferior.

 

Entre 2015 e 2017 a Bahia registrou, segundo a secretaria estadual de Saúde, 2294 casos de internação de bronquiolite aguda causada pelo Vírus Sincicial Respiratório. Nesse período foram registrados dois óbitos resultantes da mesma causa.

 

“A infecção pelo VSR ocorre quando o material infectado, oriundo de outras pessoas com a infecção ou de superfícies contaminadas atinge o organismo através da membrana mucosa dos olhos, boca e nariz ou pela inalação de gotículas derivadas de tosse ou espirro”, explica a pediatra Edna Lúcia.

 

O vírus causa infecções respiratórias em vias aéreas superiores e inferiores, como pneumonias e bronquiolites e podem levar a necessidade de hospitalização.

 

“Na verdade, não é uma vacina, mas um anticorpo contra o vírus”, esclarece a pediatra, ao informar que a imunização está disponível em algumas unidades da rede pública de saúde para crianças que tenham indicação para o uso a partir de orientação médica.

 

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que, anualmente, cerca dois milhões de menores de cinco anos requerem atendimento médico devido à infecção por VSR. No Brasil, não existe vigilância epidemiológica para este vírus.

 

A novidade na imunização este ano fica por conta das novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), publicadas em 2017, e orientam diversas medidas preventivas para a infecção pelo VSR, além de recomendar o uso do Palivizumabe para grupos de risco.

 

“Cabe destacar que a recomendação da SBP com relação à imunização dos prematuros é que o grupo daqueles nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de gestação e menores de 6 meses devem ser imunizados, o que difere da recomendação do Ministério da Saúde que orienta imunizar apenas os prematuros nascidos com menos de 28 semanas e menores de um ano”, pontua a pediatra Edna Lúcia Souza, ao destacar a preocupação da Sobape com o tema.