AMIGO NAGAZAKI

      



Por Henrique Ribeiro
Esta é uma história muito especial, ocorrida na década de 70, mais
precisamente em 1975, quando uma colônia de estudantes de Cândido
Sales (BA) resolveu migrar pela segunda vez, de Vitória da Conquista
para a capital do Estado da Bahia. Isto por que estes mesmos migrantes
já tinham saído de Cândido Sales para Vitória da Conquista em busca de
novos horizontes estudantis.
Estes jovens, ao chegar a Salvador, se instalaram inicialmente na
Pensão Amides, na Rua do Paraíso, próximo à Barroquinha, um
movimentado terminal de ônibus que nem de longe se assemelhava a um
paraíso, mas foi este o paraíso que o destino nos apresentou.
Posteriormente, vários foram outros endereços, nossos transitórios
paraísos, entre eles, o Arreial de Baixo e o Garcia, onde, com ou sem
carnaval, fazíamos quase sempre uma mudança tal qual o famoso bloco
carnavalesco "Mudança do Garcia".
Entre estes famosos candidosalense, se encontravam o Amâncio de
Antônio Padeiro, os filhos do senhor Etelvino do Armazém, entre os
quais eu me incluo, e o amigo Zito de Zé Barroca, que mais tarde se
tornaria o grande amigo Nagazaki.
Dentre todos, o amigo Nagazaki se destacava por ser um um jovem ainda
em fase de formação, mas que sempre teve a audácia de querer falar
difícil e seguramente gastar o vocabulário, nem sempre adequado para
cada momento.
Um certo dia, acordei e encontrei o amigo Nagazaki triste e ao
inqueri-lo por que estava triste, o mesmo me respondeu, que tinha
recebido uma missiva que informava o falecimento de sua vovó materna
e, por isso, estava eufórico. Parei sem entender como alguém poderia
ficar eufórico com a morte da sua vovó? Só depois de algum tempo é que
percebi que nosso amigo estava triste, sorumbático e melancólico, mas
jamais eufórico, apenas tinha usado o vocábulo eufórico de forma
errada com uma colocação por demais inadequada como se quisesse dizer
melancólico.
É claro que o caro leitor está mais que curioso para saber como surgiu
o apelido Nagazaki, afinal, este nosso amigo não é nenhum nipônico,
sanssei ou nissei e nem mesmo um Telefunken, como sempre diz o nosso
grande comediante da Rede Globo Didi Mo Coffe Colesterol Sonrisal.
O nosso grande amigo Nagazaki é um baiano arretado e seu apelido
surgiu após uma prova de simulado para o vestibular, onde existia uma
pergunta sobre a Segunda Guerra Mundial, que indagava onde haviam sido
foram jogadas as bombas atômicas? E nosso heroi Nagazaki só lembrava
de Hiroshima e ficou muito puto da vida quando o pessoal da república
lhe informou que além de Hiroshima, a cidade de Nakasaki também teria
sido atingida. A partir deste momento, se qualquer um quisesse
estragar o dia do nosso amigo, era só
perguntar, onde foi jogada uma das bombas além de Hiroshima na Segunda
Guerra Mundial.
Como todos nós sabemos, a primeira bomba atômica empregada contra o
inimigo foi lançada por um avião norte-americano, a 6 de agosto de
1945, na Segunda Guerra Mundial, contra Hiroshima, base militar e
cidade japonesa de 343 mil habitantes, causando 66 mil mortos e 69 mil
feridos. Desapareceu todo o setor do
comércio central, e restou apenas a armação de cimento armado de três
edifícios. A mais de três quilômetros do centro, as casas sofreram
sérios danos.
A segunda bomba atômica foi lançada três dias após, também de um avião
norte-americano, contra a cidade de Nagasaki, causando 39 mil mortes e
25 mil feridos. O Japão rendeu-se a 14 de agosto de 1945.
O nosso amigo Nagazaki fica furioso até hoje e declara guerra a
qualquer um, não importando o grau de amizade que tenha ao inqueridor.