Salvador e interior da Bahia sofrem com a falta de abastecimentos de produtos

      



Tribuna
Banana da prata já é quase impossível encontrar. Batata, onde ainda tem, está sendo comercializada quase pelo dobro do valor. O caos decorrente da greve dos caminhoneiros que clamam pela redução do valor do diesel segue causando grandes impactos na vida do consumidor. Quem não quis esperar o final de semana para fazer a feira, já encontrou, na sexta, estabelecimentos sem produtos alimentícios. No sábado, a escassez dos alimentos deve ser maior. A falta de produtos está concentrada no principal centro de abastecimento da cidade, a Ceasa, que fica na BA 0-93, em Simões Filho. De acordo com a administração, boa parte dos produtos começaram a faltar já leva que chegou na última quarta-feira (23). Nessa sexta, o abastecimento foi 20 vezes menor do que a média.

Enquanto o normal era receber cerca de 400 caminhões carregados de materiais em apenas um dia, somente 20 veículos conseguiram chegar para reabastecer a Ceasa. As cargas que conseguiram chegar foram desviadas pelo ferry boat. Frutas e Verduras são os alimentos que mais faltam.

Com isso, os preços dispararam. Em feiras como as da Sete Portas e de São Joaquim, banana da prata não era mais possível encontrar já na manhã de ontem. Nem mesmo a Ceasa tinha mais do produto para distribuir. Tomate, pimentão e aipim já estavam acabando. De acordo com vendedores, a caixa do tomate passou de R$ 25 para R$ 60, ou seja, 140% mais caro.

Também falta carne. Na barraca de alguns feirantes, não sobrou nada para vender o fim de semana. “Teve carga que foi perdida na estrada. Apodreceu sem chegar. Teve carga saqueada. Está difícil”, relatou o vendedor Manelito Figueiredo, 57, que está acompanhando a greve com informações de seu irmão, Agnaldo, que é caminhoneiro.

É do comércio na Sete Portas que seu Bigode da Fruta tira o sustento da família. Com a escassez dos alimentos, ele reclama do prejuízo que está sofrendo. “Se eu tivesse o que vender, não teria mais nada na barraca agora. Só que o que o povo quer já foi, e não tenho para colocar no lugar. Banana não tem mais em lugar nenhum. A gente nem sabe quando vai ter material pra voltar a vender”, lamentou.

O vendedor Alisson Fonseca, 33, trabalha na barrada do Nininho do Tempero. Por lá, ainda há estoque. Mas, sob a ideologia de que a falta pode levar ao aumento dos preços, ele chegou primeiro na Sete Portas não para vender, mas para comprar. “Corri para comprar batata doce, que tá de R$ 3,80 e já disseram que vai aumentar para R$ 8,00; além de inhame, que comprei por R$ 7 e estão dizendo que vai aumentar para R$ 12”, revelou.

Uma das altas mais significativas está sendo no preço da batata. Como dito acima, a última remessa chegou quarta-feira na Ceasa. Na sexta, quem ainda tinha para revender, estava dobrando o preço. De acordo com um feirante, antes da greve, a saca da batata estava sendo comercializada a R$ 130. Agora, quem ainda tem, está vendendo a valores superiores a R$ 300 – o que representa um aumento de 130% no preço.

Supermercados

A situação não é muito diferente nos supermercados. Alimentos perecíveis já estão faltando e estabelecimentos começaram a limitar a quantidade de itens que cada consumidor pode levar. De acordo com a Associação Baiana de Supermercados (Abase), segmentos que têm abastecimento contínuo, como hortifruti e granjeiro, são os mais prejudicados.

Em uma tentativa de manter produtos por mais tempo, a rede Walmart está limitando a quantidade de itens que cada cliente pode levar. Letreiros foram instalados nas unidades da capital baiana pedindo a compreensão dos clientes e informando que as pessoas só poderão levar cinco unidades de cada produto.

A crítica situação não atinge apenas Salvador, mas também está deixando bem complicada a vida de consumidores de diversas cidades do interior da Bahia. Cidades como Vitória da Conquista, Ilhéus, Itabuna e Feira de Santana já têm relatos de alimentos em falta e outros produtos que já estão para acabar.