A MULHER E A MALA

      



Por Henrique Ribeiro
Era uma vez um casal comum, que sempre brigava e também achava que se

amavam. Naquela madrugada, o marido acordou com muita vontade de fazer
amor e disse:
- Mulher eu quero amá-la.
A mulher responde quase dormindo:
- A mala está em cima do guarda-roupa.
O marido morrendo de rir diz:
- Mulher, eu quero amar-te.
A mulher vira para o lado e diz:
- Quero que você vá a marte, a plutão, a puta que o pariu, mas por
favor me deixe dormir.
O marido ficou chateado e saiu à procura de um bordel, onde passou
toda manhã, com lindas vagabundas, só chegando no prédio a tarde. A
mulher tinha ligado para o celular do marido várias vezes, sem
resposta.
Na última ligação que fez, ouviu uma voz feminina dizer:
- Por favor, megera, deixe meu doce cliente em paz, tchau...
Depois desta, não lhe faltava mais nada para "quebrar o pau" o com o
maridão. Ficou no para-peito do apartamento aguardando o adúltero
chegar. Quando o marido apareceu no playground, começou a receber do
quinto andar todos seus pertences pela cara, eram calças, camisas,
cuecas, CDs, livros, por último, viu
espatifarem no chão seu violão e uma mala velha. As velhinhas sentadas
na praça assistiam a tudo.
De repente, notaram que a mala velha que a esposa jogou no chão estava
de cheia de euros e dólares que o maridão vinha economizando a muitos
anos, sem ela saber, é claro. O homem passou a mão na velha e rica
mala e seguiu seu caminho. Sua mulher, a verdadeira mala, ficou
lamentando sua sorte, após tê-la jogada pela janela. Uma das
velhinhas, ainda brincou com o homem e sua mala cheia de euros e
dólares:
- Você é meio feinho, mas com essa grana, eu tenho um lugarzinho para
você lá em casa.
Até hoje não descobri para onde foi o feio que com aquela velha mala
ficou muito bonito e ainda se livrou da
mulher mala. Mais uma vez, um patinho feio se transformou em cisne e
uma nova megera pagou por seus pecados.