Bolsonaro e a derrocada dos conservadores

      



Por Gerson Brasil
O nome de Bolsonaro tem provocado uma agitação, pueril, em certos setores da sociedade, semelhante à aquela encetada pela criança quando se debate na banheira a criar bolhas amorosas para enredar a mãe. Mas a agitação também é carregada de ideologia e de moralismo tardio, com muito mais coloração para este último. Bolsonaro foi pregado na cruz do ultra direitismo, excomungado tanto pela esquerda, como pelos conservadores, esses no pior momento político de suas práticas seculares retrógradas, (me ajeite, que eu te ajeito), que exclui o liberalismo e consequentemente o capitalismo das sociedades burguesas, admiradas pelos brasileiros, cujo único acesso são as compras.

O moralismo está sempre a exigir virtudes, nos outros, que muitas vezes não passa de ações e interesses que a sorte e a nossa habilidade sabem arranjar.

Desde Color os conservadores não se viam numa enrascada tão grande. Sem candidato e sem discurso para empolgar as massas, vêm o eleitorado lhe fugir pelos dedos, levando os anéis para lhes purgar os delitos cometidos no âmbito da Lava Jato.

Sem eleitores não há consagração nas urnas, por mais que se tente dourar a pílula. Na época de Color se fez necessário abraçá-lo, para fugir da república sindical apregoada por Lula.

Ulysses Guimarães não encontrou o discurso e o legado de Sarney guardava semelhança com óleo de rícino, maná e sena. Beberagem muito consumida para curar diversos males, antes de chegar a farmacologia, “Saúde das Crianças”.

O alagoano, jovem e impetuoso, não se fez de rogado, tomou a coroa com as mãos, pilotou um caça, acabou com a reserva da informática, abriu o mercado cativo das montadoras, assim como o de telecomunicações. O telefone passou a ser um serviço e não mais um bem, listado no IR. Bom, Collor foi deposto como corrupto, mas depois, incrivelmente, inocentado.

Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso também responderam ao conservadorismo, embora FHC tenha privatizado a Vale do Rio Doce e a Telebrás, mas criou a CPMF, mais um tributo.

Até hoje na história do Brasil, nenhum candidato falou em baixar impostos, ou jogar fora alguns.

O aloprado do Lula, depois da carta aos brasileiros, em que prometia respeitar os contratos, recebeu a aquiescência dos conservadores e se elegeu. Agora, preso, depois do grande escândalo de corrupção, descoberto pela Lava jato, ensaia Getúlio de calças curtas; mas quase ninguém escreve ao coronel, à espera de um reino que nunca chega, a belíssima novela de Gabriel Garcia Marques.

O liberalismo no Brasil nunca vingou, por mais que tenha feito Joaquim Nabuco, que via na escravidão um empecilho à implantação do trabalho assalariado e um obstáculo a valorização da iniciativa privada. Roberto Campos era visto com desdém pelos conservadores e pela esquerda, porque dentre suas ideias estava a privatização da Petrobras, dos bancos públicos et AL. Dizia que “o liberalismo econômico assim como o capitalismo não fracassaram na América Latina. Apenas não deram o ar de sua graça.”.

Bolsonaro é um nome. Seu economista, Paulo Guedes, é favorável a privatizar as estatais, o que seria bom. Mas Bolsonaro concorda? Recentemente, ele disse que é favorável a privatização, mas excluiu o BB e a Caixa. Por enquanto. Uma economia com banco estatal é uma aporia. Pensar que ele baixará um édito proibindo que alguém se identifique com esse ou aquele gênero não é crível. O transgênero é uma realidade e está consolidada em lei, assim como o divórcio.

Bolsonaro não é uma ideia, nem um projeto de desenvolvimento, nem de obscurantismo, muito menos vai liberar as força produtivos do julgo do Estado e deixar de tutelar o cidadão, que xinga o governo quando está com dor de dente, porque não encontra atendimento no posto de saúde, mas não usa a escova de dente.

Melquíades era estrangeiro, cigano. Todos os anos visitava Macondo, o mundo que nos afeiçoamos. Causava alvoroço. Certa vez trouxe uma lupa e disse que era possível ver o mundo sem sair de casa. Descoberta dos judeus de Amsterdan. Bolsonaro está sendo constituído também como estrangeiro. Quem sabe ele demonstre, após cálculos multitudinários, que a terra é redonda como uma laranja, mas não dá para fazer limonada. Que contrariedade!