Cadê a raça?

      



Por Zédejesusbarreto
Foto: Romildo de Jesus
Acabado o Bahia 0 x 2 Grêmio, na saída da Fonte me bato com Tuninho, amigo das antigas, irmão tricolor, mais que lúcido, injuriado:

- Quer saber? Tá faltando é negão nesse Bahêa, pai. Parece time da Escandinávia, uma porrada de branquelo sulista emproado, cada qual jogando pra sí, um treinador nojento... Cadê a raça tricolor, a garra, o axé da Bahia, do Bahêa, nessa porra? A seleção da França, da Suécia tem mais preto que o Bahia, pode? Vamo botar preto e baiano nesse time, véi !

Enquanto Tuninho, parceiro de babas na juventude, ótimo zagueiro por sinal, falava, eu repassava no pensamento as grandes equipes do Tricolor que vimos jogar. Lembrava de Henricão, Flávio, Florisvaldo, Mário, Biriba, Baiaco, Ronaldo, João Marcelo, Claudir, Zé Carlos, Osmar, Marquinhos ...

E o negão Tuninho, indócil :

- Quer saber mais? Só volto a Fonte Nova quando o meu Bahêa voltar a ser Bahia, time de raça, com jogador honrando a camisa, correndo, dando pau, brigando pela bola, chutando, fazendo gol ! Quero preto e baiano nesse time, porra !

Eu, branquelo (ele me chamava de Palu, corruptela de impaludismo, pela minha pele pálida), só espiando e matando saudade da resenha, do emotivo coração generoso e da gana de viver do parceiro de muitas cabriolas.

Meu abraço, meu apreço, irmão de fé, de alma tricolorida. Prometi-lhe esse escrito. “Tá rebocado se você não escrever!”. Rebocado piripicado, taí cumpade.

Pouco depois da despedida soube que o treinador Guto tinha caído. Bem, se é por falta de adeus, até nunca mais. Axé !

“Ninguém nos vence em vibração”