Neymar... latria ou fobia?

      



Por Zedejesusbarreto
Depois do amistoso contra a Croácia ( 2 x 0, gols de Neymar e Firmino, em Liverpool), o assunto principal é Neymar. Ele voltou ! Sim, e voltou confiante, solto, decisivo. Que belo gol !

Há os amam, idolatram o craque e os que o odeiam, pela sua postura, pela marra, arrogância, pelos cabelos, pela Bruna Marquezine, pelas roupas, pela fortuna que ganha, pelo pai e agente crente e usurário, pela celebridade em que se tornou o menino de periferia paulistana de uma hora pra outra, ele, Neymar, nosso astro maior e, de repente, um dos melhores jogadores de bola do planeta.

Eu, como não quero conviver com ele nem tenho filha pra casar com ele, atenho-me ao jogador de bola: um fora de série, diferenciado, um craque que faz diferença dentro de campo pela sua técnica e habilidade com a bola. Gosto da arte de Neymar. Vejo um pouco de Garrincha e de Ronaldinho Gaúcho nele. Brasileiríssimo. E um moleque que não tem medo de cara feia.

Preocupa-nos apenas a cabecinha dele. Vai suportar a violência, as provocações, a marcação cerrada em campo? Vai jogar mais coletivamente? Reclamará menos da arbitragem, simulará menos nas divididas? Gostaria de vê-lo mais amadurecido e focado na seleção, na Copa, em vencer, tipo Pelé, Messi. Mas pode ser sim essa a Copa do Neymar. Desejamos sorte pra ele.

 

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A uma semana

A seleção de Tite continua em Londres, treinando para a Copa da Rússia, que tem abertura no dia 14. O Brasil estreia dia 17 contra o ‘ferrolho’ suíço. Antes, dia 10, faz um amistoso/treino em Viena, contra a Áustria. Só então segue para a Rússia.

Dos 23 convocados, apenas um não treina ainda, machucado no joelho, o meia Renato Augusto, que, aliás, nem deveria estar no grupo, mas é um queridinho do treinador desde os tempos de Corínthians. Assim, Tite pode e deve escalar contra a Áustria a equipe inteira com que pretende estrear na Copa:

- Álisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Cassemiro e Paulinho; William, Phillipe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus.

 

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O baixo-astral de Sérgio Ramos

Um dos melhores zagueiros da atualidade, o vitorioso espanhol Sérgio Ramos, capitão do Real Madrid e titular absoluto da seleção espanhola, vai disputar a Copa da Rússia sob uma pressão planetária demoníaca. Até jurado de morte já foi.

Está sendo acusado pela grande mídia esportiva (que adora uma fofoca, uma intriga) e por parte da torcida de ter usado de violência e deslealdade nos dois jogos decisivos da Copa dos Campeões da Europa, quando o Real Madrid, na bola, venceu o Liverpool e sagrou-se campeão da competição pela 12ª vez, absoluto.

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No jogo decisivo, em Madri, ele, Sergio Ramos, enroscou-se com o atacante Salah, ídolo Egípcio e principal jogador, artilheiro do Liverpool, ainda por volta dos 20 minutos da primeira etapa, e ambos caíram no gramado, de braços presos. No lance, Salah levou a pior, machucou, quase que deslocou o ombro na queda e saiu de campo com dores, facilitando muito as coisas para o Real no jogo. Em princípio falou-se até que Salah estaria fora da Copa mas não é verdade; ele estará recuperado, não teve ligamentos rompidos como parecia. Alguns fanáticos islâmicos (a religião de Salah e da maioria dos egípcios) ameaçaram o espanhol e seus familiares pelas redes.

Teria sido um lance desleal ? Quem jogou futebol sabe muito bem que foi uma pegada maldosa (prendeu o braço do adversário no sovaco), para deslocar e derrubar o perigoso atacante, na intermediária, e evitar um lance de perigo contra a meta do Real. Mas não é justo acusar Sérgio Ramos de ter tido o propósito de tirar o adversário de campo. Foi apenas uma consequência do corpo-a-corpo, da queda e ‘mala suerte’ do Salah.

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Pois bem, naquele jogo final em Madri ficou clara a infelicidade do goleiro Karius, do Liverpool, em dois lances de gol do Real Madrid, decisivos, falhas incomuns num mesmo jogo para um atleta de ponta. E não é que os médicos do clube inglês descobriram agora que o goleiro atuou machucado na partida final, com uma lesão na cabeça, que poderia ter afetado o cérebro e causado seu bizarro desempenho na partida decisiva?

E mais, a contusão/concussão cerebral teria acontecido na partida anterior, em Liverpool, decorrente de um choque entre Karius e (adivinha quem?) o ‘truculento’ Sérgio Ramos.

Vimos e revimos o lance na tevê: na bola alçada na área inglesa em cobrança de escanteio, o zagueiro inglês empurra Sérgio Ramos que, desequilibrado, choca-se com o goleiro, protegendo-se da queda com o cotovelo alto que atinge o lado da cabeça do goleiro que também se projetava no lance, na disputa pela bola. O goleiro foi ao solo sentindo o impacto na cabeça mas, atendido pelos médicos, continuou em campo, aparentemente sem problemas até o final do jogo.

Malícia, agressão ou simples reflexo de defesa natural no atleta que disputa um jogo coletivo e de contato?

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Não vimos deslealdade em nenhum dos lances. Sérgio Ramos é um zagueiro clássico, técnico mas duro, malicioso, daqueles atletas que não gostam de perder nem um cuspe a distância. Tipo um Roberto Rebouças, que também não alisava. Mas em nenhum dos dois lances, em que agora é acusado de violento, vimos deslealdade ou algum propósito de liquidar o adversário. Houve, sim, muita infelicidade na disputa. Coisas do futebol.

No mais, como é que o médico do clube inglês permitiu que o goleiro, com concussão cerebral, disputasse o jogo final? Isso me parece muito mais sério e grave.

E Sérgio Ramos que se cuide. Vai ser vaiado, cobrado, provocado e ‘jurado’ de morte na Rússia. Que Alah o proteja.

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Ausências sentidas

É incompreensivel a ausência de atletas da qualidade de Benzema, Rabiot (francêses), Sané (alemão) e Ibrahimovic (Suécia) na Copa, por escolha e caprichos dos treinadores.

Não basta o peso da perda da Itália e Holanda, desclassificadas?

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Você sabia ?

- O Brasil é o único país presente em todas as 21 Copas do Mundo, disputadas desde 1930.

- Islândia e Panamá estarão presentes pela primeira vez em Copas, na Rússia.

- Também pela primeira vez a Rússia abrigará a competição. O melhor desempenho da Rússia foi na Copa de 1966, um quarto lugar.

- No Brasil a Copa aconteceu duas vezes: em 1950, quando perdemos a final para o Uruguai, por 2 x 1, no Maracanã. E em 2014, aquela dos 7 x 1 no Mineirão. Os alemães foram campeões, vencendo a Argentina na final, 1 x 0.

- Os alemães marcaram presença em oito finais, venceram quatro.

- O Brasil disputou sete finais, venceu cinco: 58 na Suécia, 62 no Chile, 70 no México, 94 nos EUA e 2002 no Japão/Coreia do Sul. Perdeu a de 50 e a de 98 para a França de Zidane, em Paris.

Estaremos em Moscou, dia 15 de julho, na final?

 

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