7º CASO DO FREUD DE CÂNDIDO SALES: O PARANOICO

      



Por Henrique
A recepcionista do analista é eclética, pois recebe e dá, faz o

possível para preveni-lo sobre os pacientes novos… como diz o
analista: se o sujeito entra arreganhando, eu recebo no tapa. Ela
deixa um lencinho de veludo francês vermelho ao alcance dos pacientes.
Depois escreve na ficha se o cliente gostou ou não. O último cliente
não gostou e ficou escandalizado...era com toda certeza um paranoico
de primeira. Entrou na sala do analista e olhou todo desconfiado.

-Senta maxo-veio

-Pra quê?

- Para te consultar- pegou pelo braço e jogou no tapete onde já caiu
sentado….Aceita um chá de tapete de oxalá? O copo (em formato de
peito) tá limpo não tem micróbios.

- Não bebo estas ervas, não.

- Qual é o teu problema?

- Já andaram espalhando que eu tenho problema?

- Se o maxo-veio veio aqui é por que tem problema, desembuche.

- Todo mundo me persegue

- Não é verdade

- Ninguém acredita em mim

- Eu acredito

- Você fala isso para me agradar

- Eu não estou querendo lhe agradar, eu quero lhe provar que você tá
mania de perseguição, deixe essa frescura de lado ou eu te dou surra
e mando minha sogra morar em tua casa...aí você esquece essa paranoia
de uma vez por todas.

O cliente agradeceu seus conselhos e prometeu que jamais ia ser
necessário ele mandar a sogra dele para sua casa e concluiu:

- Deus me livre desta penitência...isso sim é uma perseguição daquelas.