"Os nomes do jogo"

      



Por Marcelo Torres
Antes do início do duelo de ontem, o jogo entre amarelos e vermelhos, achei que os canarinhos sairiam religiosamente derrotados da peleja. Por quê? Ora, bolas, por causa dos nomes. Há nome que, já na chegada, ao ser ouvido, já impõe respeito ou indiferença.

 

No lado de lá, entre os vermelhos, um era Xacra, o outro era Shakira. E o técnico era um Petkovic, que no segundo tempo botou Zacarias, que não era nenhum trapalhão, e botou também um tal de Embolô, para embolar o meio-campo, como de fato embolô.

 

Do nosso lado, vejam só: o goleiro era Alisson; os laterais: Danilo e Marcelo; os zagueiros: Thiago e Miranda; os volantes: Paulinho e Casemiro; os meias: William e Philippe Coutinho; e os atacantes Neymar e Gabriel, que também atende como Jesus.

 

Ou seja, no nosso escrete só havia nomes bonitinhos. Cadê o bom e velho apelido? O Brasil que eu quero tem que ter jogador com apelido: é um Dida, um Cafu, um Garrincha, um Zico, um Tostão. Se Pelé fosse chamado de Edson, seria um perna-de-pau.

 


Aí você olha a escalação na tela e vê nomes perfeitos: um é William, o outro é Danilo, o outro é Marcelo. Depois vêm aqueles nomes de duas palavras: é Renato Augusto, é Roberto Firmino, é Philipe Coutinho, é Gabriel Jesus.


Já com o treinador ocorre o inverso, sai o nome grande e entra um pequeno apelido. Lembremos os imponentes nomes dos técnicos brasileiros que foram campeões mundiais: Vicente Feola (1958); Aimoré Moreira (1962); Mario Jorge Lobo Zagalo (1970); Carlos Alberto Parreira (1994); e Luiz Felipe Scolari (2002).

 

E o que temos para hoje? Temos um Tite. Ou seja, coisa pequena, um sufixo diminutivo. Por isso que não funcionou. Se ele adotasse o nome de batismo, Adenor Leonardo Bacchi, seria muito diferente, os adversários já entrariam em campo tremendo, sentindo o baque. Mas não, preferiu ser Tite.

 

E tem mais: sabem por que não foi marcado aquele pênalti para o Brasil? Ora, porque o juiz mexicano tinha o nome de César e o lance foi em cima de quem? De Jesus. Aí o árbitro de vídeo-game fez como Pôncio Pilatos. O jogo de ontem pode ser resumido em duas palavrinhas: "Deu tilt". (marcelocronista@gmail.com)