Nos pênaltis, classificam-se a Rússia e a Croácia

      



Por zedejesusbarreto
Aquele futebol europeu clássico, tático, coletivo mas burocrático e sem brilho foi o que vimos nos dois confrontos de domingo entre quatro grandes equipes do continente. Resultado: em ambos, empate de 1 x 1 nos 90 minutos regulamentares, prorrogação (sem gols) e cobranças de tiros diretos da marca do pênalti para decidir.

  Em Moscou, a Rússia venceu a Espanha nas penalidades e, em Novgorod, a Croácia foi mais feliz nas cobranças. O goleirão Subacic defendeu três cobranças dos dinamarqueses, todos já sem pernas e emocionalmente em frangalhos. Virou o herói da classificação croata.

 

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    O dia dos goleiros

   A partida de Novgorod teve um começo esfuziante. Logo aos 2 minutos, num vacilo da zaga croata, a Dinamarca abriu o placar, finalização de Jorgensen, autor então do gol mais rápido da competição. Dois minutos depois, num bate-rebate na área dinamarquesa, a bola sobrou na frente do avante croata artilheiro Mandzukic, que não perdoou, empatando.

   A partir daí, muita disputa e as defensivas prevaleceram. A Croácia trabalhava melhor a bola com os meio-campistas Modric e Rakitic, mas a Dinamarca foi mais incisiva, sobretudo na segunda etapa. E o gol não saiu, até pelas boas atuações dos goleiros Subasic e Schmeichel, este filho de outro estupendo goleiro com o mesmo nome, que estava presente nas arquibancadas, vibrando com o herdeiro.

  No ocaso da prorrogação, Modric (muito bem vigiado em campo) enfiou uma bola para Perisic, derrubado na hora da finalização. Pênalti, nem precisou do VAR.  Modric cobrou  mal e o goleiro Schmeichel catou bem.  Daí, a definição foi mesmo para a cobrança dos tiros livres da marca penal.  Então, brilharam os goleiros: Schmeichel defendeu duas cobranças, mas Subasic pegou três e classificou a Croácia. Delírio das camisas tabuleiro de damas em vermelho e branco. Croácia segue na competição e Dinamarca deu adeus.

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  Depois dos dois jogos de domingo, mais um confronto das quartas de final restou definido:

  - Rússia x Croácia, dia 7,  às 15h, em Sóchi.

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   E tem Brasil !

  Nesta segunda-feira, o nosso Dois de Julho, dia da Independência, o Brasil joga às 11 h, na calorenta Samara, contra o tinhoso México. É vencer ou voltar. 

  À tarde, 15 h, em Rostov, a bem arrumada Bélgica encara o Japão, uma zebra asiática.

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  Adiós España !

   Na manhã do domingo, em Moscou, caiu fora mais uma seleção favorita, a poderosa Espanha, campeã do mundo em 2010 na África do Sul.  Com um futebol sem flama, a enfastiada Espanha, bem longe daquela ‘La ´fúria’, não foi capaz de dobrar a vigorosa e valente Rússia, anfitriã, turbinada pelas arquibancadas em vermelho e branco. Não estava no script, mas nenhuma zebra foi, até pelas opacas apresentações da equipe ibérica na copa até então.  Muita troca de passe, posse de bola e pouca objetividade.

  Depois de um empate modorrento de 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação (a primeira da Copa), os espanhóis perderam por 4 x 3 na cobrança de penalidades da marca do pênalti, o critério do desempate nessa fase eliminatória.

  Desperdiçaram cobranças o meia Koke e o avante Aspas. Apareceu o goleiro russo Akinfeev, o maior destaque da partida, que defendeu a cobrança do meia; Aspas chutou pra fora. E os cobradores russos acertaram todas.

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  Nos 90 minutos regulamentares, a Espanha abriu o placar aos 11 da primeira etapa: Sérgio Ramos enroscou-se na pequena área com a zaga russa depois de uma cobrança de falta da lateral direita, a bola bateu no calcanhar de um dos dois, caídos, e ganhou as redes. Os russos empataram ainda no primeiro tempo; gol de pênalti cometido por Piqué (uma bola alçada desviou no braço dele) e foi bem convertida pelo avante Dzyuba.   Isco foi o melhor dos espanhóis, o mais aceso.    

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   Brasil escalado

  Tite já anunciou que mantém, contra o México, a mesma escalação com que começou a partida contra a Sérvia: Álisson, Fagner, Tiago (o capitão), Miranda e Flipe Luiz; Cassemiro, Paulinho, William e Phillipe Coutinho; Neymar e Gabriel Jesus.

  Com atletas mais famosos e mais caros a seleção brasileira é favorita, tem uma equipe mais técnica. Porém, é bom lembrar, o México surpreendeu e detonou a Alemanha por  1 x 0  na primeira rodada da fase classificatória. É um time bem treinado que marca forte, defende-se em bloco e costuma atacar em contragolpes velozes e bem tramados. Equipe traiçoeira, não podemos errar.

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  Neymar ou Mbappé ?

  Em recente entrevista, o excepcional meio-campista Xavi (ex-Barcelona e seleção espanhola) rasgou elogios ao futebol de Neymar, segundo ele o sucessor de Cristiano Ronaldo e Messi, os melhores do século até esta Copa. Mbappé, seis anos mais jovem que o astro brasileiro, na boca da espera.

  Mas, se Neymar não explodir, e até agora não o fez, o afro-francês, companheiro do brasileiro no ataque do PSG, pode atropelar. Já mostrou suas qualidades no jogaço que fez contra a Argentina. Foi decisivo, fez dois gols e sofreu um pênalti que resultou em gol. Deu uma arrancada que lembrou o negão Pelé. Se a França chegar ao título com ele brilhando ...   teremos uma nova era nascendo, a do  Mbappé.

  Se o Brasil vencer com Neymar decisivo, sem presepadas, será a Copa do Neymar e ele pode chegar a melhor do mundo. Bora Neymar ! Bora Brasil !

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  Quem vem de lá?

  Claro que para os torcedores a saída prematura dos astros Cristiano Ronaldo e Messi, cada um deles eleito ‘melhor do mundo’ por cinco vezes este século, ídolos do Barcelona e do Real Madrid, duas das melhores e mais queridas equipes do planeta, a ausência deles na competição tira um pouco  do brilho da Copa da Rússia.  Ou não, diríamos.

  Porque no futebol como na vida tudo gira, tudo muda, há uma evolução constante. Di Stéfano, Pelé, Maradona, Zidane ...   e quem vem agora?  Mbappé, Neymar, Modric ?

O futebol mudou, o jeito de jogar, de bater na bola, os gramados, a tessitura da pelota,  o equipamento dos atletas, o preparo atlético, as táticas de jogo, as arbitragens, as câmaras que tudo registram ...  E tem a globalização, hoje todos conhecem todos.

  Messi, 31anos, e Cristiano Ronaldo, 34, jogaram quatro copas do mundo, não venceram uma sequer. Golearam pouco também em Copa, nunca foram decisivos. Jamais fizeram gol em partidas eliminatórias, de mata-mata.  Nesses critérios, estariam bem abaixo de Pelé, Maradona, Zidane...   por exemplo.  

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  Copa que segue, bola que rola.