É O CRAQUE QUE DEFINE O TALENTO FAZ DIFERENÇA

      



Por Zedejesusbarreto
Quando Ghiggia, Obdúlio Varela e Schiaffino com a beca da Celeste Olímpica calaram o Maracanã e provocaram a primeira trágica comoção nacional futebolística eu não tinha ainda compreensão da vida nem sabia o que era futebol. Só muito depois fui entender e assimilar os ensinamentos daquele Uruguai 2 x 1 Brasil, de virada, na final da Copa de 50. Tivemos de engolir nossa arrogância, em prantos. O gol de Ghiggia saiu aos 34 minutos do segundo tempo, o único chute do ponteiro direito ao gol de Barbosa na partida.

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Dos jogos da seleção brasileira na Copa da Suíça, em 1954, ficaram-me ecos da transmissão precária pela boca de um alto-falante preso no galho mais alto de uma frondosa mangueira bem defronte da morada, na rua Voluntários da Pátria, no Cacau, a poucos metros da linha do trem, Subúrbio, antes do Lobato.

Perdemos da lendária Hungria de Puskas, Kocsis, Hidegkuti, por 4 x 2, mas, acreditei durante um bom tempo, que fomos ‘roubados’ por um tal Mister Ellis (o árbitro inglês Arthur Ellis), que expulsou dois brasileiros, Humberto e Nilton Santos. Os húngaros eram melhores. Eu já gostava do goleiro Castilho, dos avantes Índio e Baltazar, um exímio cabeceador que atuava pelo Corínthians. Ficou-me no ouvido o refrão da musiquinha repetida no alto-falante: “Gol de Baltazar/ Gol de Baltazar/ Gol de cabecinha/Dois a zero no placar !”

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A Copa de 58 acompanhei inteira de ouvidos grudados no rádio de válvulas e cinco faixas, no qual minha mãe e as vizinhas ouviam a rádio-novela mexicana ‘O Direito de Nascer’, e eu ligado em bola e no seriado ‘Gerônimo, o Herói do Sertão” que tinha Moleque Saci pra ajudar nas aventuras. O som chegava em Ondas Médias e Curtas, ondas que iam e vinham, subiam e desciam, aumentavam e sumiam, nos deixando aflitos, a mente a imaginar o que estava de fato acontecendo. Foi a Copa do menino-rei Pelé, do anjo das pernas tortas Garrincha, do príncipe Didi, do raçudo Vavá ... O ano da Bossa-Nova, a Copa da Suécia que nos livrou do ‘complexo de vira-latas’.
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Na ‘Era Pelé’ vencemos três Copas do Mundo : Suécia (58), Chile (62) e México (70), essa última já vista pela tevê, em imagens turvas, cheias de riscos e fantasmas. Tais como os anos de chumbo. Mas nosso futebol em campo era limpo, belo, majestoso. Arte pura. Uma equipe de muitos craques: Carlos Alberto, Piazza, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Êle, Pelé.

Porque em campo é o craque que define, faz a diferença. O talento, a inspiração. Sempre.

 

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Brasil x Bélgica

Talentos em campo

É nesta sexta,15 h, em Kazan, o jogo mais importante e quiçá o mais difícil até agora do Brasil na Copa da Rússia. Quem perder cai fora. Bélgica e França foram as duas equipes europeias que mostraram melhor futebol na competição até aqui.

A equipe de Tite não terá Casemiro, suspenso. Será substituído por Fernandinho que joga no futebol inglês e conhece de perto os astros belgas que também atuam nas equipes de lá. O lateral esquerdo Marcelo, talvez o melhor do mundo, está de volta à equipe, que tem na zaga a firmeza de Tiago Silva e Miranda, mais a força de Paulinho, a garra do avante Gabriel Jesus e os talentos de William, Phillipe Coutinho e Neymar, decisivos.

No ‘diabos rubros’ belgas, toda atenção é pouca com os meias Hazzard e De Bruyne, talentosos, e com o centroavante Lukaku, um descendente do Congo com faro de gol, largo, veloz, 1m90 de altura e que se mexe com inteligência.

Esperamos um jogo ofensivo e bonito de se ver, na bola.

 

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Uruguai x França

Brilho, tática, raça

Pela manhã, sexta, em Novgorod, França x Uruguai. Mais um confronto Europa x América do Sul. Duas escolas, dois estilos, jeitos de jogar diferentes.

O Uruguai com sua mística de “Celeste Olímpica”, muita raça e determinação em campo, marcação severa, uma postura mais defensiva buscando os contragolpes e o brilho do avante Suarez, que talvez não conte com o parceiro goleador Cavanni, machucado. Fará muita falta. Os uruguaios se sustentam numa defensiva sólida – um bom goleiro e dois zagueiros firmes e que jogam juntos há muito tempo na seleção e no Atlético de Madri – Gimenez e Godin. Um time que toma poucos gols.

A França, de futebol mais vistoso, também tem seu desfalque, o meio-campista Matuidi que, ao lado do incansável Kanté, é responsável pela marcação e coberturas no setor, liberando o elegante e inteligente Pogba para armação de jogadas. Na frente, o talento de Griezmman e o fenômeno Mbappé, de 19 anos, veloz e goleador.

Esperamos um jogão. Emoções fortes.

Aliás, dois jogões, Imperdíveis nesta sexta-feira de Copa Russa/2018.

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