Roteirista de Santo Amaro desponta no cenário cinematográfico

      



Por Janara Rodrigues
Um roteirista desponta no cenário baiano. O jovem Renan Queiroz, nascido em Santo Amaro, no Recôncavo, é graduado em Letras Vernáculas e Inglês (UFBA) e Mestre em Estudos de Linguagem (PPGEL/UNEB), e se aventura agora no universo cinematográfico.

As riquezas culturais, arquitetônicas e patrimoniais de Santo Amaro e de todo recôncavo foram estímulos para as suas narrativas audiovisuais. Com seu trabalho, Renan diz que pretende atingir seu público alvo que são as minorias: negros, mulheres, e sobretudo, as mulheres negras e a comunidade LGBTQ.

 

O seu primeiro roteiro cinematográfico de curta-metragem se chama Rolo Cotidiano. A premissa dramática do roteiro é  sobre as crises de um homossexual de meia-idade, atendente de telemarketing que não se encaixa no universo onde os sentimentos são banalizados em prol do capital, que, como é sabido, é voltado para a aquisição de bens materiais.

 

Nesta entrevista, Renan relata como iniciou sua caminhada.

 

Como surgiu a vontade de entrar neste universo cinematográfico? Já era um sonho antigo ou uma nova paixão? 

 

É um pouco de cada. Desde jovem, Por volta de meus 13, 14 anos, sempre tive vontade de escrever um romance ou uma telenovela. Eu nem sabia o que significava cinematografia e dramaturgia. Quando entrei para universidade, com 17 anos, o curso de Letras me apresentou tantas possibilidades outras que acabei deixando esse sonho pela dramaturgia para depois.

Enfim, me graduei em Letras e Inglês pela UFBA, um ano depois, iniciei o mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, na UNEB. No mestrado, tive a oportunidade de cursar um componente curricular chamado Linguagens e Mídia, ministrado pelo Prof. Doutor João Antônio de Santana Neto. Nesta disciplina, estudei Semiótica, bem como o modelo actancial que nos permite compreender como os personagens participam da ação dramática, em qualquer narrativa. A partir daí, esse sonho começou a crescer aliado à maturidade teórica que crescia na mesma proporção. No entanto, ainda não era o momento de investir nessa área, pois tinha como prioridade finalizar meu mestrado e escrever minha dissertação, que não tinha relação com o universo cinematográfico. Quando finalizei o mestrado, voltei para UFBA como aluno de reingresso para cursar uma nova habilitação no curso de Letras. Aí, para minha surpresa, foi ofertada a disciplina CRIAÇÃO LITERÁRIA: O ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO. Foi uma disciplina muito rica em conteúdo; o trabalho final da disciplina foi a proposta de escrita de um roteiro para curta-metragem. A culminância da disciplina proposta pelo professor Lucas Portela foi uma sessão de pitching com as principais produtoras baianas, onde tive oportunidade de apresentar o meu roteiro! É uma oportunidade rara, pois apenas os alunos de roteiro do New York Film Academy têm, e não é gratuito, pois o curso custa aproximadamente US$15.000,00 por semestre e, no Brasil, a inscrição para sessões de pitching custam, em média, de 500 a 3000 reais.

 

Qual seu objetivo e expectativas como futuro roteirista?

Janara, minhas expectativas não são altas! Tenho muito ainda a aprender e pretendo investir ainda mais na minha formação como roteirista! Pretendo me aventurar na construção de roteiro para documentário e videoclipe. Minha cidade natal, Santo Amaro, é muito rica em história, arte e cultura, e eu pretendo explorar bastante esse cenário.

 

Que caminho pretende percorrer no cinema?

O que mais me interessa no setor audiovisual é a escrita de roteiro cinematográfico, mas tenho um desejo de me aventurar na direção. Muito em breve, darei continuidade ao meu aperfeiçoamento na Faculdade de Comunicação da UFBA. Além disso, pretendo desenvolver pesquisas acadêmicas sobre construção de personagens, adaptação literária para o cinema, entre outros. As possibilidades são inúmeras e todas muito ricas. Mas estes são projetos para toda a vida, sem prazo definido, estou vivendo um dia de cada vez, aproveitando o doce sabor de errar, aprender com os mais experientes sobre esse universo mágico, que é o cinema.

 

Quem você quer atingir com seu trabalho?

Olha, eu quero que meu trabalho atinja as minorias: os negros, mulheres, sobretudo as mulheres negras, e a comunidade LGBTQ.

 

A Bahia, o Recôncavo é o cenário que você deseja mostrar e explorar? Por quê?

Com toda certeza, Janara. Eu sou de Santo Amaro, recôncavo baiano, e levarei as riquezas culturais, arquitetônicas e patrimoniais de Santo Amaro para as minhas narrativas audiovisuais. Além disso, acredito ser de suma importância roteirizar o patrimônio público, e o recôncavo, tem muitos deles! Como exemplo, temos o Solar Araújo Pinho, onde há alguns anos se tornou o Centro de Referência do Samba de Roda do Recôncavo Baiano. O solar tem mais de um século que foi construído e, nos foi reformado e tombado como patrimônio histórico em 2004. É um espaço que é nosso, é público.

 

 

Pretende participar de festivais?

Pretendo sim participar de festivais. À propósito, haverá um festival chamado 1º Festival de Cinema Móvel de Brasília, que acontecerá no segundo semestre de 2018; estou amadurecendo a ideia de escrever um roteiro de curta metragem para participar desse festival.