PT e PCdoB descartam candidatura de Jaques Wagner

      



Tribuna
O PT e o PCdoB anunciaram uma grande aliança da centro-esquerda em torno de Fernando Haddad e Manuela D`Ávila. Oficialmente, os petistas mantêm o discurso de que Lula é candidato, mas apenas os dois irão percorrer o país difundindo um programa de governo petista. O ex-prefeito de São Paulo deve encabeçar a chapa no lugar do ex-presidente – que está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Políticos ligados aos dois partidos ouvidos pela Tribuna garantem que a candidatura presidencial de Jaques Wagner (PT), pré-candidato ao Senado na Bahia, está descartada. O próprio ex-governador, inclusive, sepultou a possibilidade em entrevistas no final de semana. Ele era o favorito de Lula para encabeçar a campanha. Fontes garantem que a opinião da ex-primeira-dama Fátima Mendonça foi decisiva para o fim do imbróglio.

“O PT reitera que vamos com Lula até as últimas consequências. Por isso, a ideia é que tenha uma pessoa para vocalizar sua campanha e essa missão seria feita através de um companheiro do PT, que tenha identificação com Lula e que seja seu amigo. Então decidimos juntos com o PROS, PCdoB e PCO que o Fernando Haddad é o vice na nossa chapa”, discursou a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, ao anunciar a aliança. Em seu pronunciamento, Haddad agradeceu o apoio e destacou a importância da união da centro-esquerda. “Fico muito feliz com a unidade em torno dessa figura extraordinária, o maior líder da esquerda que é o presidente Lula. Vamos pela quinta vez junto com o PCdoB e tenho certeza que vamos para um pentacampeonato. Mesmo com toda perseguição Lula só cresce nas pesquisas e vai ser um prazer cruzar o país ao lado de Manu. Agora vamos compatibilizar nossos programas”, afirmou.

Procurado, o deputado federal baiano Daniel Almeida (PCdoB) lamenta que esquerda não tenha se unificado em torno de um único nome. “O nosso desejo era que todos os partidos de esquerda se unificassem em torno de uma candidatura. Isso não foi possível e nós decidimos fortalecer aquela candidatura que tem mais identidade com o PCdoB e mais condições de ir para um segundo turno e ganhar a eleição, que é a candidatura construída por Lula e o PT”, declara à Tribuna. “Nós estamos nesse projeto há muito tempo com a principal liderança, que é o Lula. E nós não podemos descuidar do esforço que deve ser feito para que o Brasil vá para o abismo. Foi isso que levou à nossa posição. O entendimento é que Manuela será vice. Se Lula conseguir se manter como candidato, ela será vice dele. Se Lula for retirado, ela vira vice com Haddad”, explica.

“É um cenário ainda não definitivo”

O também deputado federal baiano Afonso Florence (PT) diz à Tribuna que o arranjo ainda está em “consolidação”. “É um cenário ainda não definitivo. Ainda corre o tempo para candidaturas e arranjos finais. Algumas estão mais consolidadas, outras ainda estão em consolidação. O grande fato político desse final de semana é a aglutinação em torno da agenda da defesa da democracia e combate ao golpe”, revela.

O parlamentar criticou a movimentação do presidenciável do PDT, Ciro Gomes, que tentou angariar o apoio tanto da esquerda, quanto dos partidos do chamado “centrão”. “Ciro [Gomes] faz um movimento zigue-zagueante. Não ampliou. Tentou fazer acordos com a direita e com a esquerda”, alfineta. Já o presidente estadual petista, Everaldo Anunciação, exaltou o acordo entre PT e PCdoB.

“Acho que é uma relação que já tem uma história. PT e PCdoB sempre foram dois partidos que estiveram juntos na luta pela democracia. Essa aliança que se estabelece é importante e vai se bom para a nossa campanha”, diz à Tribuna. Ele, no entanto, ainda defende a candidatura do ex-presidente Lula. “Acho que nós temos que insistir com a candidatura de Lula. Penso que não podemos deixar que a Constituição seja rasgada”.