Mar Grande: Vítimas são homenageadas

      



Uma caminhada foi realizada na manhã desta sexta-feira (24), em Mar Grande, em Vera Cruz, pelos familiares e amigos das vítimas e sobreviventes do naufrágio da lancha Cavalo Marinho I. O ato começou na frente do Fórum de Mar Grande, por volta das 8h30 e marcou um ano da tragédia que deixou 19 pessoas mortas.

Vestidas de branco, com balões e cartazes nas mãos, cerca de 150 pessoas caminharam até a praça onde fica o terminal náutico de Vera Cruz, onde acontecem as viagens das embarcações. No início da manhã, algumas famílias já tinham ido ao local.

Danilo Santos, pai de Darlan Queiroz, um menino de 2 anos que morreu no naufrágio, não conseguiu participar do ato. Além do filho, Danilo perdeu a esposa, Dulciana dos Santos Queiroz, de 38 anos, e a sogra, Dulcelina Machado dos Santos, de 58 anos.

"Eu não consigo, é muita dor. Dói demais", disse ele antes de ser amparado por parentes na frente do fórum.

No trajeto, as famílias recebiam os cumprimentos e solidariedade de quem estava pelo caminho, como a dona de casa Rita Maria Rangel. Ela não perdeu nenhum parente no naufrágio, mas tem empatia pela dor de quem passou pelo desespero no ano passado.

"É um momento triste, de muita dor. É difícil, muito pesar. Me solidarizo com as famílias. Desejo meus sentimentos para todas as famílias, que elas possam ser amparadas. A cidade toda sofre com isso", disse emocionada.

O apoio tem funcionado para quem precisa. "Para algumas pessoas pode ser besteira, mas esse carinho que a gente recebe das pessoas que encontramos significa muito. Mantém a gente em pé", disse Neide Dias, que perdeu uma amiga.

Enquanto os familiares chegavam na praça, uma lancha partia do terminal. "É um desrespeito com nossa dor. Eles não podiam parar só hoje pelo menos? Em solidariedade com as pessoas?", questionou uma mulher que não quis se identificar.

Na praça de Mar Grande, que fica próxima ao terminal náutico de Vera Cruz, foi instalada uma réplica da lancha que virou pouco tempo depois de sair do terminal. As famílias deixavam cartazes para prestar homenagens.

Junto à dor do luto, a revolta da impunidade com os responsáveis pela Cavalo Marinho I. A professora Sortinene da Silva, é uma das sobreviventes. No dia em que a embarcação virou na Baía de Todos-os-Santos, ela estava com a amiga, Rosemeire Novais Carneiro de Costa, 49 anos, uma das 19 vítimas.

"Eu perdi minha amiga. Não sei como consegui sair, porque eu fiquei entalada entre as madeiras. Hoje você chega no terminal e continua tudo a mesma coisa, o mesmo descaso", desabafou ela.

Após a caminhada, um ato ecumênico foi realizado na praça, com representantes de diversas religiões. Familiares de Rita dos Santos não conseguiram conter o choro ao ouvirem o nome dela na listagem dos homenageados. Rita tinha 54 anos e também foi uma das vítimas.

Quando as homenagens acabaram, as pessoas se dispersaram pela praça. Para alguns, a dor que o lugar traz não será esquecida nunca. Do G1 Bahia