"Presidente eleito tem direito de organizar governo do jeito que achar melhor", diz Rui Costa

      



Após a derrota do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial, Rui Costa (PT) adotou uma postura mais reclusa e evita tecer comentários sobre o pleito. “Não quero ser comentarista de política. Isso eu deixo para vocês, jornalistas, que sabem. Tenho compromisso que é gerir o Estado”, ironizou, ontem, em conversa com a imprensa durante a inauguração do Centro de Quimioterapia do Hospital da Mulher. “Ontem eu estava em Brasília defendendo os interesses da Bahia. O governo foi eleito, democracia é isso, temos que respeitar. Qualquer ação que prejudique a Bahia, vamos lutar com as ferramentas institucionais que temos", continuou. Pressionado mais uma vez pelos jornalistas para falar sobre o assunto, Rui afirmou que quer "trabalhar". “Eu disse há pouco que não quero comentar declarações de políticos, prefiro, como foi meu perfil durante 3 anos e meio, me dedicar a gestão e ao trabalho. Tem gente que nasceu pra falar, eu nasci pra trabalhar. Passado o período eleitoral, prefiro voltar ao meu padrão que é colocar o trabalho acima de qualquer coisa”, disse. "

Rui pregou cautela e frisou que Bolsonaro foi legitimado pelo voto e tem direito de organizar seu governo do jeito que achar melhor. “Não quero comentar montagem, cabe ao presidente eleito organizar da forma que ele e o Congresso nacional entenderem. Ele foi legitimado pelo voto popular e tem que organizar o governo do jeito que achar melhor e é isso que vou fazer aqui. Quero me concentrar aqui nas ações do governo. O meu desafio já é grande o suficiente para, além de acumular a minha função de governador acumular a função de comentarista político. Então, prefiro não usurpar essa tarefa dos jornalistas, radialistas e até dos parlamentares, que têm função de fazer esse debate. Prefiro me concentrar agora, findadas as eleições, no desafio que tenho de fazer mudanças na estrutura do meu governo”, disse.

O petista disse que, no último quadrimestre, o Executivo estadual superou a despesa do limite prudencial e as mudanças serão mais do que necessárias. O governador admitiu que enviará à Assembleia Legislativa da Bahia um projeto que altera a estrutura no governo baiano, de forma a manter o equilíbrio fiscal. “O Estado precisa se adequar aos desafios fiscais, orçamentários. Voltamos no último quadrimestre a superar a despesa do limite prudencial, o estado está acima. Porque é aquilo que eu digo, há um crescimento que os especialistas chamam de vegetativo da folha e mesmo que não façamos nada vai crescendo e tem elevação de no mínimo R$ 200 milhões por ano. E nós voltamos a ultrapassar com as novas contratações de policiais que fizemos e outros servidores, principalmente na área de educação e segurança. Então eu tenho que ir contendo para manter o equilíbrio fiscal”.

O chefe do Executivo estadual frisou que se trata de “um remédio muito amargo, mas necessário para evitar um colapso". "O povo não aceita mais atraso de salário, de pagamento”, destacou. Sobre os nomes que comporão sua equipe e a possibilidade de Josias Gomes retornar ao governo, o líder petista minimizou. "Só vou anunciar tudo de uma vez só em dezembro. Vai ter mudança sim, mas antecipo que retorno para pasta original não haverá de ninguém. Gosto de dar novos desafios e oxigenar”.
*Da TB