O amor de Joaildo por Hosana

      



Por Jolivaldo Freitas
Meu amigo Joaildo está triste, e  se vê pelo rosto com os músculos travados e o olhar parecendo de golfinho preso numa rede, coisa de dar pena, dar dó, rasgar o coração. Ele está com o coração esfarrapados, como velho pano de chão. Ele recusou um cafezinho por estar com um travo na garganta.

Não quis o biscoito Maisena por ter um bolo no estômago. Nem quis suco de jabuticaba, pois perdeu o paladar. Joaildo sabe que deve ter errado, mas não quer errar mais. Os olhos dele, aqui da minha varanda, contemplam a Baía de Todos os Santos em pleno dia de aniversário da baía, descoberta e batizada por Américo Vespúcio e vai em busca do alto-mar numa viagem tão longa e solitária quanto a do navegante genovês.

Mas Joaildo está numa viagem onde seu porto seguro está quase que à deriva, levado num tsunami de emoções. Hosana não quer perdoar Joaildo e ele não quer perdê-la por muito amor que sente; é uma tonelada de amor que ainda tem para dar. E ele quer dar.

Para isso basta Hosana perdoar. E Hosana só tem a ganhar com isso pois meu amigo é, hoje, um cara diferente. Um navegante atrevido, capaz de singrar mares para fundear no colo da sua amada.

Espero ver de novo o brilho nos olhos de Joaiido. Um cara cheio de amor para dar, se Hosana aceitar. Hosana, que é um hino em ação de graças.

Escritor e jornalista