Por que a reforma do secretariado de Rui não sai?

      



Por Osvaldo Lyra
Reeleito com uma votação expressiva na última eleição, o governador Rui Costa, do PT, anunciou ontem que pretende concluir a reforma do seu secretariado só na próxima semana. Esperada para o final do ano passado, a reforma não foi finalizada e o governador iniciou o segundo mandato sem apresentar a composição do seu primeiro escalão. Seja no meio político ou na própria base de sustentação, ninguém sabe ao certo “o” ou “os” reais motivos que levaram o petista a retardar a apresentação do seu secretariado. Após conversar com muita gente que circula na governadoria, foi possível começar a entender a estratégia do petista.

Na verdade, o governador reeleito planeja fazer a mudança no perfil de pastas estratégicas, como a Casa Civil e a de Relações Institucionais. No primeiro governo, havia uma previsão de entrega de obras e ações de grande porte, como o metrô e as vias estruturantes em Salvador, o que obrigava a Casa Civil a ter uma postura mais ativa, com um perfil “tocador de obras”. “O primeiro mandato teve uma dinâmica de mobilidade muito grande na capital, o que consumiu muita energia na antessala do governador. Agora não, vamos ter outros processos”, explicou um auxiliar direto de Rui.

No entendimento de alguns petistas, diante do fato de não ser mais candidato à reeleição e de não contar com o alinhamento do governo federal para atrair recursos, o governador será levado a conceituar a própria gestão de forma diferente, diminuindo a entrega de obras e ampliando o diálogo com a base e com a sociedade baiana. Para isso, ele planeja deslocar para a Secretaria de Relações Institucionais o aliado Jerônimo Rodrigues, que possui um perfil aglutinador e de maior diálogo, “necessário para azeitar as relações”, diferente da atual ocupante do cargo, Cibele Carvalho. “A atual secretária é uma pessoa excelente, tem um relacionamento bom com a base, mas na política ela não tem muito traquejo”, completou outro aliado direto do governador. Na lista de mudanças, consta ainda o atual chefe da Casa Civil, Bruno Dauster, que pode ir para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).

Até agora, o governador confirmou apenas a presença de André Curvello na Secretaria de Comunicação e de Paulo Moreno na Procuradoria Geral do Estado (PGE). A expectativa é que o eixo central do governo seja mantido, com Manoel Vitório na Fazenda, Fábio Vilas-Boas na Saúde, e Marcus Cavalcanti na Infraestrutura. O atual titular da Segurança Pública, Maurício Barbosa, também deve permanecer à frente da pasta. Resta saber como Rui está articulando a composição do seu time junto aos partidos aliados. Para ele, é natural o pedido de mais espaço. “Não espero ouvir nada diferente disso, mas eu não ampliei vagas no governo. Ao contrário, eu reduzi o tamanho da máquina. Portanto, não se pode falar de multiplicação de espaços, uma vez que reduzimos”, disse recentemente o petista, que deve mudar quadros, a partir da indicação dos próprios partidos aliados.

A expectativa é que o governador Rui Costa sente neste final de semana com o presidente estadual do PDT, Félix Mendonça Júnior, que estava em viagem fora do país. “Vamos finalizar esse processo e anunciar todas essas mudanças para começarmos a fazer a programação do ano", revelou o governador ontem, durante a entrega de uma nova obra no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Pelo sim e pelo não, resta agora aos partidos e seus filiados aguardarem a decisão do governador sobre o desenho do seu novo time de auxiliares diretos e dar seguimento ao trabalho, aprovado por quase 76% da população. A conferir.

*Osvaldo Lyra é editor de Política da Tribuna da Bahia