Existe algum risco da Barragem Pedra do Cavalo se romper?

      



Por Osvaldo Lyra
Nos últimos dias começou a circular na internet a informação de que a barragem Pedra do Cavalo, localizada entre os municípios de Cachoeira e São Félix e que abastece Salvador, estaria sob ameaça de se romper. No entanto, a Votorantim, que opera e dá manutenção no equipamento (que é de propriedade do Estado) emitiu nota para a imprensa negando qualquer risco nesse sentido. A Votorantim informou que a operação e manutenção são realizadas pela empresa “com cuidadoso monitoramento das condições físicas, por meio de vistorias constantes feitas pelo corpo técnico da empresa e reforçada por inspeções freqüentes de empresas especializadas, garantindo assim a segurança na barragem”. A preocupação se deu após o rompimento da barragem de rejeitos que ficava no Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerias, fazendo com que a atenção da população se voltasse também para a realidade desses equipamentos na Bahia.

Ontem, em entrevista à Rádio e TV Câmara Salvador, o engenheiro Luís Edmundo Campos, presidente do Crea - Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia - repudiou as informações falsas sobre o assunto. “Estão dizendo que Pedra do Cavalo é a próxima da vez. Um grande irresponsável que não sabe de nada, que está querendo criar pânico na população. Deveriam ser tomadas medidas sérias para quem cria pânico desnecessário para a população”.

Ex-diretor da Escola Politécnica da UFBA, professor Luizão disse que um eventual rompimento atingiria a Ilha de Itaparica, que está na foz do rio Paraguaçu. “Acredito que seja muito pouco provável que isso aconteça”, explicou ele, ao enfatizar que uma barragem de rejeito exerce um esforço muito menor, porque é um material mais denso do que a barragem de água. “A de água é mais perigosa do que a de rejeito e deve ter um cuidado maior”, pontuou o especialista, ao enfatizar que mais risco tem as barragens menores, que são construídas de forma inadequada só para represar água para alimentar o gado.

Para o presidente do Crea-Ba, fazer manutenção é a palavra de ordem para evitar acidentes como o que ocorreu em Brumadinho, pois não dá para construir uma barragem e esperar que não ocorra nada, sem a devida manutenção. “Barragem é uma coisa perigosa, se comparado com outro tipo de obra, que não avisa com antecedência quando vai ceder. “Se não tiver observando a infiltração e cuidar, aquilo tende a crescer assustadoramente, só restando avisar a população que vai romper (ou nem isso). Agora, se tivesse cuidado anteriormente (dado manutenção), teria evitado esse acidente de Brumadinho. Portanto, uma observação e uma manutenção são as chaves para dar tranqüilidade ao cidadão”.

Ex-diretor da Escola Politécnica da UFBA, professor Luizão falou também sobre eventuais riscos na barragem de Jacobina. “Houve na semana passada uma reunião, lá em Jacobina, em que nos foi passada uma informação bastante tranqüila, de que a barragem apresenta boas condições técnicas”, inclusive, como a de Jequié, que não tem qualquer tipo de ameaça, como finaliza o especialista.

*Osvaldo Lyra é editor de Política da Tribuna