O alcaide de Camaçari e a feira...E a cadeira da socialite que pode virar mobília numa Salvador elitista

      



O alcaide Antonio Elinaldo precisa agir rápido para garantir de forma equilibrada e justa uma solução para a manutenção do funcionamento da Feira de Camaçari, sem abrir mão dos interesses da cidade, dos trabalhadores da feira e dos contribuintes, independente de serem clientes ou não do maior centro de compras da região. 

A decisão do juiz César Borges determinando 30 dias para que a prefeitura encontre uma solução para acabar com os gastos do município com a manutenção do equipamento é mais um teste para a gestão do demista. Como mostrou reportagem do Camaçari Agora (Confira), o titular da Primeira Vara da Fazenda Pública de Camaçari deu prazo até 12 de março para que a gestão municipal apresente uma solução para sanar a inadimplência dos permissionários do espaço com as taxas de condomínio. 

Mesmo reconhecendo  o grave prejuízo que centenas de famílias terão com o fechamento da feira, como admite na sua decisão, o titular da Primeira Vara da Fazenda Pública de Camaçari não descarta a dura medida. Sugere ainda qua a prefeitura acione os inadimplentes e promova um  processo de licitação para troca dos permissionários que estão sem pagar a taxa condominial.

 A Feira de Camaçari sempre foi um equipamento usado para atender interesses políticos dos governantes de plantão. Sem nunca terem pago um centavo de despesas com segurança, limpeza, água e luz, permissionários em boa parte escolhidos por interesses pessoais dos alcaides anteriores, como destaca a decisão do próprio magistrado, se acostumaram com o lucro livre de qualquer contrapartida para o dono do espaço, no caso o município de Camaçari. 

Com o aumento da cobrança da responsabilidade fiscal das prefeituras e a crise econômica os custos, antes diluídos na conta da política, aumentaram e exigiram novos posicionamentos e transparência com o dinheiro do contribuinte. Mesmo assim a manutenção da feira com despesa "zero" para permissionários prossegiu, apesar do prejuízo para a cidade. Os ex-alcaides Luiz Caetano (PT) e Ademar Delgado (sem partido), responsáveis por  parte dessa herança maldita, e devidamente acionados na Justiça por crime de improbidade, prosseguiram com a prática de agradar os feirantes, mesmo gerando um prejuízo mensal de alguns milhões para os cofres do município.

Ex-feirante e agora prefeito sabe que a sua condição de responsável por algo muito maior, que é a cidade de todos os feirantes e compradores, precisa exercer os lados "vendedor" e "cliente". O equilíbrio do gestor precisa agregar a capacidade do vendedor que, por princípio, tem que passar sua mercadoria para frente e garantir sua sobrevivência. Mas, o alcaide também não pode deixar de olhar pelo olho do cliente. Assim como quem compra a mercadoria, o município também não pode perder dinheiro.

O gasto equilibrado do dinheiro público é a chave na negociação que precisa unir vendedor, cliente e poder público. Oferecer alternativas para que vendedor pague suas dívidas de forma justa, e clientes fiquem satisfeitos, sem prejuízo para a cidade, é o lucro cobrado pela Justiça e que todos querem e esperam. "Negócio bom" é negócio quando todos lucram, costumam dizer os próprios comerciantes. 

Release  A pós-tragédia alheia é sempre um bom momento para autoridades locais se arvorarem defensoras da lei e da segurança da população. Foi assim após o incêndio da boate Kiss, em janeiro de 2013, quando 242 pessoas morreram na casa de espetáculo da cidade gaúcha de Santa Maria. Comovida e empurrada pela indignação, a prefeitura de Camaçari, como centenas de outras gestões municipais, iniciou um intenso trabalho de fiscalização e cobrança de ajustes na segurança das casas de espetáculos. Exatos 6 anos depois a situação de insegurança nesses espaços continua como dantes no quartel de Abrantes. Nessa conta também entra a farmácia Pague Menos de Camaçari, com 9 mortos, em 2016.

Agora é a tragédia da barragem de Brumadinho, que já conta 165 mortos oficiais e mais de 150 desaparecidos, que acorda e empurra as autoridades para seu trabalho de prevenção. Rápidas e eficientes como as ações preventivas adotadas pela Vale, dona da barragem mineira, a Defesa Civil e a secretaria de desenvolvimento urbano e meio ambiente (Sedur) iniciam a cobrança da Embasa e da Cetrel. Querem os estudos de segurança e a situação das barragens situadas no município e sob a responsabilidade desses empresas. 
 
Dendê  O desastre midiático em que se transformou o aniversário da socialite cinquentona Donata Meireles, em terras baianas (Confira), vai muito além da cadeira de sinhazinha ou ialorixá, transfromada em assento símbolo da polêmica. Graças às redes sociais, a festa vip no Palácio da Aclamação, antiga morada dos governadores da Bahia nas primeiras 6 décadas de 1900, ganhou pimenta e esquentou uma discussão sobre a Bahia, sua gente, sua história, e o que queremos para o futuro. 
 
Imediatamente interpretada por milhares de internautas como símbolo de desigualdade e desrespeito às nossas heranças e sofrimentos, a cadeira usada pela agora ex-diretora da revista Vogue Brasil, ejetada justamente por conta da polêmica, parece ter lugar numa outra discussão mais ampla e introduzida pelo esposo da socialite paulistana. Em recente artigo, o publicitário baiano Nizan Guanaes fala sobre seu sonho de ver uma Salvador no roteiro internacional do turismo para ricos e endinheirados.

Imaginando 2029, portanto daqui 10 anos, o criativo, premiado e  bem sucedido Nizan defende até a transformação de outro palácio, não o Aclamação, mas o Rio Branco, na praça Tomé de Souza, em hotel para atender o turismo vip. Proposta avança sobre a Rua Chile, onde ainda segundo Nizan, seria ocupada por lojas de grifes internacionais para consumidores de altíssimo poder aquisitivo. O texto completo, publicado no jornal Correio 24h pode oferecer novas pistas sobre o destino, a origem e a presença da famosa cadeira num mobiliário mais amplo (Confira).

Fake A morte do jornalista Ricardo Boechat fez emergir uma lista interminável de amigos da liberdade de imprensa de todos os tamanhos e matizes. Até quem não gosta de jornalista, não pratica jornalismo, critica o jornalismo, conspira contra o jornalismo e odeia a liberdade de expressão quando a informação fere seus interesses particulares ou do seu grupo lamentou o trágico acidente que vitimou o âncora do Jornal da Band e da FM Band News. A perda de um dos mais importantes representantes do que deveria ser a regra no jornalismo, infelizmente continua sendo a exceção.    

João Leite Filho joaoleite01@gmail.com é jornalista profissional e editor do site www.camacariagora.com.br