Histórias (reais ou não) que só acontecem porque é carnaval

      



Por Chico Araújo e Alberto Oliveira

Ficou difícil
Na falta de fantasia, ela vestiu um biquíni branco, amarrou na cintura um tecido azul brilhante e se maquiou como sereia.

Nos pés, sandálias havaianas - somente até metade do percurso porque a cerveja era liberada e no meio da fanfarra uma delas escorregou e se perdeu.

E lá se foi a sereia, de biquíni branco, um pé calçado e o outro não.

Preocupada com os cacos de vidro no chão, desprotegeu-se a bombordo e se deixou beijar por um "pirata".

Encerrado o beijo, deram-se as mãos e seguiram a fanfarra.

Mais à frente, numa tentativa de diálogo, o "pirata" empacou na primeira sílaba e dela não saiu, navio de âncoras arriadas.

Era gago, o pirata, gaguíssimo. 

Para a sereia restaram um biquíni branco e um pé de chinelo.

***

Era ele
Todo Carnaval a funcionária pública Cris era deslocada para trabalhar em um dos postos da Prefeitura em apoio à folia.

Final de expediente do domingo e ela ainda esperava o marido...

Perguntava toda hora ao segurança se ele tinha chegado. 

Cansada, decidiu sair. 

Escornado nos degraus estava lá seu esposo.

Ainda vestia restos de uma fantasia de bloco travestido.

O cabelo, desgrenhado, tinha alguns prendedores.

Batom borrado por todo o rosto. 

Nas mãos, uma pistola de água, já vazia.

- Olha ele aqui, por que não me avisou? - perguntou ao segurança!

- Isso aí é seu marido?

***

 

Sem aperto de mãos
Luizão e Tito foram colegas, parceiros, amigos, irmãos durante o fundamental e ensino médio.

Há muito não se viam.

Segunda-feira de Carnaval, quase meia-noite, coincidentemente recorreram ao Beco do Mijo durante a passagem de um bloco afro.

Trocaram um "oi" entusiasmado, mas sem aperto de mão ou abraço.

Balançaram, guardaram de volta e retornaram sem graça para a Praça do Poeta.

Tomaram diferentes rumos.

Ah, a poesia!

Há poesia!

***

Traído pelo coração
O Bloco: Filhos de Ghandi.

Objetivo: beijar muito.

Estratégia: dezenas de colares.

... Mas, no segundo dia de desfile se apaixonou por uma Muquirana.

Felizes para sempre?

***

Receba!
Lembram quando no carnaval de Salvador todo mundo usava uma fantasia chamada mortalha (uma espécie de camisolão de fantasma, só que colorido)?

Pois lá ia um bloco descendo a ladeira de São Bento, quase na Praça Castro Alves, quando uma foliã levanta a mortalha, arranca o absorvente e joga para trás (sem nem olhar).

O folião que viu a cena, fechou os olhos.

Ainda hoje imagina a surpresa de quem vinha atrás e recebeu o pacote pelo meio da cara.

-------------------------------------------------------------------------- 

*E quem quiser que conte outras (envie sua história para leiamais.ba@gmail.com)