Manifestantes protestam contra gerente acusado de racismo. MP vai apurar. Políticos reagem

      



Um grupo de manifestantes fez ato de protesto na tarde de hoje (26) na agência da Caixa Econômica Federal do Relógio de São Pedro, contra um dos gerentes acusado de racismo pelo empresário Crispim Terral, que também foi agredido por homens da Polícia Militar.

Já a vereadora Ireuda Silva (PRB), vice-presidente da Comissão da Reparação na Câmara Municipal de Salvador (CMS), repudiou a agressão: “A Caixa precisa se responsabilizar pelo comportamento dos seus funcionários. É sempre estarrecedor quando tomamos conhecimento de episódios como esse em Salvador, que é a cidade mais negra fora do continente africano. Racismo é crime inafiançável. A Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria da PM devem investigar os policiais com todo o cuidado e rigor. É um absurdo, uma covardia. Isso não pode passar em branco”, disse.

A presidente da Comissão Especial da Promoção da Igualdade, da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputada estadual Fátima Nunes Lula (PT-BA), também repudiou o ato de agressão. “A nossa ação diária deve ser de combate ao racismo, a intolerância, a todas as formas de discriminação. Não dá para aceitar o ocorrido na Caixa Econômica. O que vimos nas imagens do vídeo divulgado foi uma atitude cruel, racista, de um gerente, que teve apoio de militares, que quase tiraram a vida de um cliente, pai de 5 filhos, que esteve na agência bancária para resolver um problema pertinente a Instituição”, declarou a parlamentar.

Para a presidente, essa situação não poderá ficar impune e buscará respostas para este caso grave. “Buscaremos todas as formas de combater essa violência, ações que coíbam e punam àqueles que não sabem agir como ser humano, com respeito aos direitos. Não vamos aceitar a prática de uma violência cruel, marcada fortemente pelo racismo. Lutaremos pela vida, pela justiça e pela igualdade. Vamos apresentar uma representação junto ao Ministério Público, referente a atitude do gerente, solicitaremos da Secretaria de Segurança Pública apuração o caso, e apresentaremos uma nota de repúdio na Alba. Chega de tanta violência. Fim ao racismo”, afirmou Fátima Nunes.

Por sua vez o comando da PM diz que os policiais usaram força proporcional e técnica adequada contra o Crispim.

Mas, um procedimento foi instaurado no Ministério Público Estadual da Bahia (MP-BA) para apurar a denúncia de racismo praticado. Todos os envolvidos devem ser ouvidos após o Carnaval pela Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. A própria CEF vai ser acionada para rever sua postura enquanto instituição.
*Foto reprodução/Metro1
*Imagem: correio24horas