O vídeo pornográfico e a irresponsabilidade histórica da elite econômica brasileira

      



Por Dante Lucchesi
Jair Bolsonaro publicou um vídeo pornográfico e escatológico em sua conta no Twitter, distorcendo e denegrindo a imagem do Carnaval. Atacou, assim, a mais representativa festa popular do país. Ou seja, atentou contra a cultura nacional e comprometeu mais uma vez a imagem do país no exterior. Por fim, prejudicou uma das grandes atrações turísticas do país, o que pode representar um prejuízo da Indústria do Turismo e milhares de empregos.

 

Esse prejuízo, porém, será atenuado, por se tratar de uma figura patética, caricatural e cada vez mais desmoralizada, como reconhecem até os seus aliados.

De qualquer forma, a postagem escandalizou o mundo inteiro e comprometeu ainda mais a imagem do país e deste governo. A coisa foi tão absurda, que a reação de qualquer pessoa com um mínimo bom senso foi, em um primeiro momento, pensar que se tratava de uma postagem falsa. Um diplomata estrangeiro chegou a perguntar se a conta do presidente havia sido hackeada.

O bolsonarismo consegue obnubilar os limites da realidade. Primeiro por fazer da mentira sua arma política contumaz. Segundo, porque é tão absurdo que muitas vezes aparenta ser irreal. Bolsonaro está confirmando sua condição de “mito”, mas no pior sentido do termo, o de ser tão grotesco que não parece ser real.

E sua postagem tresloucada só confirmou o que já era mais do que evidente. O “mito” não tem a menor condição moral, intelectual e psicológica de ser Presidente da República.

Seu ataque imoral à maior festa popular do país foi motivado pelo mais primário ressentimento, diante das inúmeras manifestações de protestos e desapreço à sua pessoa que pulularam na folia momesca deste ano.

Porém, ao publicar um vídeo pornográfico, o presidente Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade, dando motivo claro a uma ação de impeachment. O que não vai acontecer. Por que não? Por algumas “singelas” razões: espera-se que ele aprove uma Reforma da Previdência que vai aviltar a aposentadora dos trabalhadores pobres, mas vai injetar bilhões no mercado financeiro; há grandes expectativas também em relação a uma enxurrada de privatizações que vão malbaratar o patrimônio público, em favor dos grandes grupos econômicos; e, por fim, espera-se do atual governo mais um pacote de maldades que retirem ainda mais os direitos dos trabalhadores brasileiros, como o décimo terceiro salário e as férias.

Portanto, para atender seus interesses mais escusos, a elite econômica do país, sua classe política corrupta e fisiológica, seu judiciário corporativista, apequenado e acanalhado, seu MP e sua PF partidarizados e truculentos e, last but not least, os barões da mídia e seus sabujos, que atendem pela alcunha de “jornalistas”, vão permitir que essa monstruosidade chamada Jair Messias Bolsonaro continue a ocupar o cargo de maior mandatário do país. Continuarão a contar para isso com o importante apoio social de uma classe média reacionária, escravocrata e fascista e com a inércia e a letargia dos segmentos alienados e embrutecidos das classes populares.

Infelizmente, a correlação de forças entre essa nefasta articulação conservadora e os setores progressistas e democráticos da classe política, do judiciário, da imprensa e da classe média é amplamente favorável àquela, e os movimentos e organizações populares não reuniram ainda força suficiente para fazer frente a essa avalanche fascista que se desencadeou com o golpe de 2016 e que, inclusive, mantém preso e incomunicável o maior líder popular do país, o Presidente Lula, condenado sem provas em uma escandalosa farsa jurídica chamada Lava Jato.

Com isso, desgraçadamente o país continua caminhando a passos largos na direção do abismo institucional, da desmoralização internacional e do caos social, em razão da mais absoluta irresponsabilidade histórica e do descaso político de suas classes dominantes.