Pimentel passa por sabatina

      



O titular da Secretaria de Trabalho, Esportes e Lazer de Salvador (Semtel), Alberto Pimentel (PSL), prestou ontem esclarecimentos a respeito da atuação do policial militar Bruno Guimarães dentro da pasta sem ser nomeado. Em sessão iniciada às 15h, o secretário de ACM Neto (DEM) exaltou a própria gestão na prefeitura e afirmou que não tem mais a intenção de nomear o rapaz para a Diretoria do Trabalho. O presidente da Casa, Geraldo Júnior (SD), abriu mão de presidir o Plenário, dando lugar ao vereador Edvaldo Brito (PSD). O PM é processado por agredir uma ex-namorada.

Pimentel esteve em reunião com o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), antes da histórica convocação na Câmara Municipal de Salvador. O braço direito de Neto foi o principal responsável pela manutenção do secretário no cargo e tem sofrido pressões por causa disso.

"Talvez tenha sido erro de comunicação", argumentou sobre o descontentamento de vereadores. Apontou ainda que sua convocação também tenha se dado em virtude de não ter prestigiado a posse de Geraldo Júnior como presidente na CMS. Ele negou que tenha autorizado o PM a despachar na pasta. "Nunca autorizei que atuasse. Autorizei que reconhecesse o ambiente de trabalho, apenas. Se não existe um processo de transição em Salvador, como eu vou fazer? Da minha parte apenas permiti que conhecesse o ambiente de trabalho", explicou.

O líder do governo na Câmara Municipal, vereador Paulo Magalhães Júnior (PV), destacou o momento importante que a Casa vivenciou com a convocação do secretário, prestando esclarecimentos ao parlamento. Conforme o líder, o ato simboliza o estreitamento das relações entre o Executivo e Legislativo e fortalece a independência da Casa.

"Apesar do objeto da convocação não ter efeito, já que o secretário desistiu da nomeação de Bruno Guimarães, a sua ida à Câmara Municipal é um sinal de estreitamento das relações entre o Executivo e o Legislativo. Os esclarecimentos foram feitos, o secretário cumpriu com excelência o dever de um gestor público que foi convocado por uma Casa Legislativa independente", disse Paulo Magalhães.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Salvador, Kiki Bispo (PTB), avalia que o objeto da denúncia referente à convocação do gestor caiu por terra. “Na medida em que ele deixa claro que não mais nomeará o policial Bruno, toda aquela celeuma que foi criada, toda aquela dúvida que foi levantada pelas três comissões que o convocaram me parece que o objeto fica bem reduzido, mas fica aqui o gesto do secretário que de forma reiterada já esteve aqui na Casa por duas ou três oportunidades, já esteve aqui no Parlamento, inclusive, com o próprio presidente Geraldo”, frisa.

O líder de oposição, Sidninho (Podemos), afirmou que a oposição continua firme requerendo a apuração de improbidade administrativa na Semtel. “Haja vista que quando uma pessoa não nomeada exerceu uma função, assinando documentos, carimbando, sendo militar na ativa, mas representando o poder municipal como se fosse nomeado merece que continuemos firmes no propósito da cobrança da apuração de improbidade administrativa, independentemente dele ter sido ou não nomeado. Também queremos que ele esclareça o porquê somente que depois que tudo isso veio à tona ele vem se comportando como um santo, porque mudou repentinamente a sua condução à frente da secretaria”.

O presidente Geraldo Júnior, por sua vez, ressaltou que "forças ocultas" tentaram manobrar para arrefecer a convocação. “Não permitirei interferências externas na CMS. Forças ocultas tentaram manobrar no sentido de antecipar a convocação de Pimentel para que ela saísse para a condição de convite”, falou o presidente.
*Da Tribuna