Guedes diz que secretário foi "mal-interpretado" sobre subsídio da Ford

      



O ministro da Economia, Paulo Guedes, se comprometeu com um grupo de senadores a manter os subsídios da montadora em Camaçari (BA) e afirmou que seu auxiliar foi "mal-interpretado" ao tratar do assunto.

"Guedes nos garantiu que não vai cortar nada na Bahia para resolver o problema da desativação da fábrica em São Paulo. Os subsídios não estão em risco", disse o senador Otto Alencar (PSD-BA), que participou do encontro.

Na última quinta-feira (7), o secretário de Produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, cobrou da Ford um plano detalhado de mitigação do impacto da decisão de fechar sua fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP).


O secretário argumentou que a empresa deve isso à sociedade por ter recebido R$ 7,5 bilhões em subsídios nos últimos cinco anos, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Disse ainda que esperava uma atitude socialmente responsável da Ford.

Executivos da montadora entenderam o comentário como uma ameaça ao regime regional de redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que existe na Bahia. Costa, contudo, negou posteriormente que estivesse vinculando as fábricas de São Bernardo do Franco (SP) e Camaçari (BA).

A questão é que a fábrica do município paulista atualmente não dispõe de subsídios federais. Os benefícios tributários para a Ford estão concentrados na unidade baiana. O assunto alarmou a bancada de 39 deputados federais e 3 senadores da Bahia, que marcou uma reunião para tratar do assunto.

A pedido do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), Guedes aceitou receber um grupo de senadores para discutir a questão: além de Otto Alencar e Bezerra Coelho, a previsão era que estivessem presentes Jaques Wagner (PT-BA) e Omar Aziz (PSD-AM).

No encontro, o ministro disse que havia conversado com Costa e que ele havia sido "mal-interpretado". Conforme apurou a reportagem, mais cedo, num almoço na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro já havia desautorizado o auxiliar em conversa reservada, dizendo que a atitude do secretário não representava uma orientação do governo.

Guedes também aproveitou o encontro com a bancada da Bahia para pedir apoio para a reforma da Previdência. O maior temor era que a polêmica influenciasse na tramitação da proposta de emenda constitucional, que é a principal prioridade do governo Bolsonaro. Segundo Otto, a bancada garantiu apoio, dizendo que o país precisa da reforma.

O posicionamento dos congressistas baianos ajudou a reduzir a pressão que a Ford vem enfrentando desde que anunciou que vai sair do mercado de caminhões globalmente e que decidiu fechar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP), uma das últimas que restavam no mundo.

Mesmo assim, o clima ainda deve seguir tenso. O sindicato dos trabalhadores está se mobilizando sobre o assunto e há pedidos na Câmara dos Deputados para que a Ford detalhe como vai desmobilizar a fábrica, o que deve ocorrer até o fim do ano, e que tipo de subsídios recebe.

Com apoio do governo do estado de São Paulo, a montadora voltou a tentar vender a fábrica, o que já vinha fazendo há dois anos sem sucesso. Segundo o governador João Doria, há três interessados. A reportagem apurou que o grupo Caoa é o mais forte candidato, mas as conversas ainda estão em estágio preliminar.
*Folhapress