Rui diz que militares do governo têm postura “serena e responsável”

         



Mesmo sendo oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o governador da Bahia, Rui Costa (PT), elogiou, ontem, os militares que integram a gestão federal. Segundo o petista, a postura das Forças Armadas na administração tem sido “mais serena, moderada, responsável e madura” do que a dos civis. “Imagina alguém com a minha história de vida, que tem militância a vida inteira na esquerda, eu dizer hoje que, dos contatos que tive no governo federal, os que têm mais pé no chão e postura serena são os militares que estão no governo. Ou seja, que têm sido mais cautelosos, mais serenos nas atitudes são os ministros de origem militar. Esses têm sido mais cautelosos, mais profissionais. Não têm usado a ideologia nem o ódio para conduzir suas pastas. Tem dialogado. Alguns já conversei e tratam as coisas profissionalmente, seriamente. Percebo que o titular pode até não conhecer a pasta que está conduzindo, mas está estudando”, declarou, em entrevista à rádio Metrópole.

A gestão de Bolsonaro tem mais militares do que nos governos dos ditadores Castelo Branco, João Figueiredo, Ernesto Geisel e Emílio Garrastazu Médici. Pesquisa Datafolha divulgada, ontem, apontou, inclusive, que as Forças Armadas são as instituições de maior confiança do brasileiro. De acordo com o levantamento, 45% dos entrevistados apontaram os militares como muito confiáveis — em junho do ano passado, esse índice era de 37%. Os que não confiam somam 18% e os que confiam um pouco, 35%.

Rui disse, ainda, que fica "perplexo" com as "coisas inconscientes e tantas besteiras", que, segundo ele, dizem os integrantes do governo Bolsonaro. "É essa gente que está conduzindo o meu país?", indagou. O governador avaliou, também, que a reforma da Previdência enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso não irá resolve, por si só, os problemas das finanças. Segundo ele, se nada for feito, a Bahia terá um rombo de R$ 8 bilhões na Previdência em 2022. “Nós não suportaremos retirar da receita R$ 8 bilhões. Hoje, já é difícil tirar R$ 4,8 bilhões. Imagine se chegar a tirar R$ 8 bi. Será insuportável. O estado não suportará pagar a Previdência”.

Sobre a paralisação dos professores das universidades estaduais baianas, o chefe do Palácio de Ondina ressaltou que a Bahia está entre os três estados brasileiros que mais investe em educação superior e que não vai prejudicar as contas do governo para acatar o pleito dos grevistas. “Espero que haja bom senso e que as aulas voltem o mais rápido possível. Como eu disse antes, eu só farei o que for possível fazer. Eu não sairei do meu compromisso com a responsabilidade com as contas públicas. Se hoje seis estados ricos do Brasil estão na situação que estão, é porque os ex-governantes foram tomando atitudes que não realistas”, declarou Rui Costa.

O governador ainda rebateu as declarações dos professores, que têm dito que Rui Costa faz a obrigação ao pagar o salário em dias. “Eu me orgulho de estar conseguindo cumprir a minha obrigação. O governador de Minas não pode dizer isso. O governador de Santa Catarina não pode dizer isso, do Rio de Janeiro e de Goiás não podem dizer isso. Ou seja, eles não estão conseguindo nem a obrigação deles que é pagar em dias. Eu quero continuar podendo ter orgulho de dizer: ‘a minha obrigação estou conseguindo fazer’”.

Sobre a eleição de 2020, Rui disse que ainda não definiu seu candidato, mas aconselhou os integrantes de sua base. “Tenho dado uma sugestão aos partidos e aos possíveis candidatos que não lance nomes, mas sim se lance a conversar com a população. Tenho sugerido aos partidos que juntos ou separados percorram os bairros e as comunidades e perguntem ao povo o que espera da prefeitura (...) Depois que tiver um plano, de ouvir a população, aí sim chegou a hora de escolher qual o melhor nome para executar esse programa”, ressaltou.
*Da Tribuna