Sexta santa

         



Por Zédejesusbarreto
Nos antigamentes, a sexta-feira santa era dia de silêncio, falava-se baixinho. Os alto-falantes calavam e as emissoras de rádio tocavam música clássica. Recolhimento, contrição e penitência. Muitos faziam jejum de pão e água até às 15 horas, momento em que Jesus, o Cristo, teria morrido na cruz. Lembro-me dos babas ‘solteiros x casados’ pela manhã, a resenha depois à base de vinho vagabundo na espera da mesa farta – peixes, bacalhau, azeite ...  – à tarde, famílias reunidas.

 Nos templos católicos, os altares cobertos de roxo e preto, nada de missas até o domingo de Páscoa, a glória da ressurreição. Matracas ao invés dos badalos dos sinos e cantochão fúnebre. No fim de tarde, a esperada e concorrida procissão do Senhor Morto, rituais solenes, tristes, pesados. E belos com a participação do povo. Muitos choravam.

  Nunca gostei muito do crucificado. Choca-me a crueldade, o uso do horror humano como instrumento de fé. Gosto da cruz, enxuta, como signo.

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  Sinto muita saudade de minha Mãe Zuite, sua benção nesse dia me é indispensável.

Que venha a Páscoa, como um renascer.

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Escritor e jornalista