Tradicional Trezena de Santo Antônio realizada no Farol da Barra

         



Desde o primeiro de junho que o Museu Náutico da Bahia, que fica no Farol da Barra ou Forte de Santo Antônio da Barra, comemora o período de homenagens ao seu santo padroeiro. O o Farol da Barra é um dos mais tradicionais festejos na Bahia. Todos os dias com incenso., cântico e louvor o santo padroeiro é lembrado. É a liturgia que ainda tem a degustação de gastronomia junina. 

O altar está decorado conforme a cultura regional e segundo o comandante Reuben Costa, um dos organizadores, a preocupação permanente é respeitar a tradição, daí a louvação, cânticos e homenagens. Ele observa que todos os anos a trezena é realizada no mesmo formato das antigas casas de Salvador.

O SANTO

Protetor dos pobres, no auxílio na busca de objetos ou pessoas perdidas, e amigo nas causas do coração. Assim é Santo Antônio de Pádua, frei franciscano português, que trocou o conforto de uma abastada família burguesa pela vida religiosa.

Contam os livros que o santo nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de 1195, e recebeu no batismo o nome de Fernando. Ele era o único herdeiro de Martinho, nobre pertencente ao clã dos Bulhões y Taveira de Azevedo. Sua infância foi tranquila, sem maiores emoções, até que resolveu optar pelo hábito. A escolha recaiu sobre a ordem de Santo Agostinho. Os primeiros oito anos de vida do jovem frei, passados nas cidades de Lisboa e Coimbra.

Fernando preferia a solidão das bibliotecas e dos oratórios às discussões religiosas. A até encontrar um grupo de franciscanos que seguia para o Marrocos, na África, onde pretendia pregar a Palavra de Deus e viver entre os sarracenos.

A experiência costumava ser trágica. E daquela vez não foi diferente. Como a maioria dos antecessores, nenhum dos religiosos retornou com vida. Depois de testemunhar a coragem dos jovens frades, Fernando decidiu entrar para a Ordem Franciscana e adotar o nome de Antônio, numa homenagem à Santo Antão. Disposto a se tornar um mártir, ele partiu para o Marrocos, mas logo após aportar no continente africano, Antônio contraiu uma febre, ficou tão doente que foi obrigado à voltar para a casa. Mais uma vez, o céu lhe reservava novas surpresas. Uma forte tempestade obrigou seu barco a aportar na Sicília, no sul da Itália. Aos poucos, recuperou a saúde e concebeu um novo plano: decidiu participar da assembleia geral da ordem em Assis, em 1221, e deste modo conheceu São Francisco (protetor das causas ecológicas) pessoalmente.

O processo de canonização de frei Antônio encabeça a lista dos mais rápidos de toda a história. Foi aberto meses depois de sua morte, durante o pontificado de Papa Gregório IX, e durou menos de ano.

Santo Antônio foi eleito pelo povo o protetor dos pobres. Transformou-se num dos filhos mais amados da Igreja, um porto seguro a qual todos – sem exceção – podem recorrer. Uma das tradições mais antigas em sua homenagem é, justamente, a distribuição de pães aos necessitados e àqueles que desejam proteção em suas casas.

O seu culto, que tem sido ao longo dos séculos objeto de grande devoção popular é difundido por todo o mundo através da missionação e miscigenado com outras culturas (nomeadamente Afro-Brasileiras e Indo-Portuguesas).

De Lisboa ou de Pádua, é por excelência o Santo "milagreiro", "casamenteiro", do "responso" e do Menino Jesus. Padroeiro dos pobres é invocado também para o encontro de objetos perdidos.

DEVOÇÃO NO BRASIL

Santo Antônio chegou ao Brasil na devoção e fé dos primeiros navegadores que aqui aportaram, e no primeiro século do descobrimento foi eleito padroeiro de Salvador, pela proteção que provia contra as investidas dos inimigos que ameaçavam a Baía de Todos os Santos. O defensor de Portugal também defendia as suas Colônias.

Como protetor do Forte da Barra, Santo Antônio “impediu”, na segunda tentativa de invasão, que os holandeses o tomassem, forçando-os a tentar entrar na cidade pelo lado de Santo Antônio Além do Carmo, onde foram definitivamente rechaçados.

Em reconhecimento aos serviços prestados, foi assentado praça como Soldado no Forte da Barra, sendo promovido a Alferes, Capitão, Major e Tenente-Coronel, conforme decretos Reais. Os soldos eram pagos ao Síndico do Convento de São Francisco e somente com a República as suas patentes e soldo foram cassados.

E pelas graças concedidas a esta Cidade do Salvador, a primeira fortificação militar do Brasil, seguindo a tradição dos antigos faroleiros que aqui residiram, mais uma vez abre suas portas para louvar seu anfitrião, Santo Antônio de Lisboa.