Aliados de Bolsonaro defendem Moro após vazamento de conversas

      



Os aliados do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) saíram em defesa do ex-juiz e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, após vazamento das conversas do ex-magistrado com o procurador Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol. Presidente do PSL na Bahia, a deputada federal Dayane Pimentel disse que expressa “total apoio e confiança” a Moro depois das matérias publicadas pelo site “The Intercept Brasil”. Segundo a reportagem, Moro sugeriu ao MPF trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. Especialistas em direito dizem que não haveria, a princípio, nenhuma ilegalidade, mas pode ter havido desvio ético.

Em nota enviada à imprensa, a aliada de Bolsonaro ainda pôs em xeque a imparcialidade do autor da reportagem ao dizer que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald é “um notório defensor do PT e do presidiário Lula”. A deputada disse, ainda, que as mensagens vazadas configuram crime.

Casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), Greenwald – que adotou o Rio de Janeiro desde 2005, quando conheceu Miranda – tem sido alvo de ataques homofóbicos e acusações nas redes sociais sobre um suposto partidarismo na publicação das reportagens. O deputado federal Abílio Santana (PL) também defendeu o ministro. "Moro tem uma vida pública ilibada, é um homem de bem e dentro da lei, não é a toa que pesquisas de popularidade apontam sempre resultados positivos referentes a ele. Absurdo são sites tendenciosos, dirigidos por esquerdopatas, terem acesso a conversas particulares de um ministro, que tem uma história de luta no combate à corrupção. Eles querem achar culpados para roubalheira do PT", disse o deputado.

Embora seja do DEM – partido que tem três ministro no governo Bolsonaro -, o deputado federal Arthur Maia teve outra posição sobre o caso. “Quando votei contra aquela palhaçada chamada de pacote anti-corrupcão, que dava ao MP (Ministério Público) e ao Judiciário um poder ilimitado, fui execrado nas redes sociais. Acho que agora as pessoas estão vendo o quanto é nocivo acreditar em heróis e achar que podemos sobrepor os homens às instituições”, afirmou, ao se referir ao pacote de medidas contra a corrupção alterado pela Câmara de Deputados e que, após as mudanças, passou a prever as condutas pelas quais juízes e membros do Ministério Público poderiam responder por abuso de autoridade. A matéria, porém, não avançou no Congresso Nacional.
*Da Tribuna