Alcolumbre quer apitar na reforma tributária

         



Por Gerson Brasil
O presidente do senado David Alcolumbre tornou-se mortal, ao se despir da veste da graça, assim como fez Adão e Eva, ao pecar. Isto se acreditarmos em Agamben, que refuta o Gênesi 3.7; para quem os personagens, bíblicos quando da queda, “abriram os olhos e viram que estavam nus”. O professor sustenta que a dupla não estava nua no paraíso e sim com um manto de luz, grudado no corpo.

 

Alcolumbre se deu conta de que não há virtude em permanecer no paraíso protegido por um manto divino. Abriu o olho e resolveu instalar um serviço de alto-falante e já anunciou: assumirá o debate da reforma tributária.

 

Ou seja, ao diabo a prudência, mesmo com todo elogio, “não há a menor garantia de que se esteja a salvo sequer da menor desgraça”, ensina La Rochefoucauld. De súbito, Alcolumbre conseguiu a aprovação de todos os líderes dos partidos no Senado para encampar o relatório do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. A proposta agrada à equipe econômica de Guedes, que não gosta da pauta de Maia para a reforma tributária. Como o país prima pelo surrealismo, a proposta de Maia é mais radical do que a da equipe econômica do governo; retira das mãos dos governadores o ICMS.

 

Alcolumbre, que até então estava praticamente calado, resolveu rivalizar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e por tabela colocar o Senado como protagonista num tema delicado, porque mexe com a arrecadação de tributos e, pior ainda, os coloca sob a batuta do governo federal.

 

Não se sabe se um dia, quer por distração ou bisbilhotice, o parlamentar tenha perdido o sono com La Rochefoucauld, e descoberto que normalmente aquilo que tomamos como virtude, “muitas vezes não é mais que um conjunto de acontecimentos de diversos interesses que a sorte ou nossa habilidade sabem arranjar”.

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Jornalista