Novo tipo de laser sinaliza uma revolução na medicina

         



Um novo tipo de laser - já em uso na lipoaspiração - está sendo saudado pela sociedade como uma nova revolução na atual Medicina. Desenvolvido pela empresa brasileira DMC, a partir de uma sugestão do cirurgião plástico peruano, Patrício Centurion, o novo laser utiliza uma frequência de luz de 1210 diodo capaz de retirar, além do tecido adiposo, células-tronco mesenquimais do corpo humano e animal.

O médico Patricio Centurion foi quem pesquisou um comprimento de onda que estimula as células da gordura, criando uma espécie de fricção que a desprende do tecido conectivo. Com isso, consegue obter as células-tronco dessa gordura desprendida. A técnica é baseada em estudos realizados no Peru e Estados Unidos e está sendo avaliada também pelo Instituto do Coração (Incor), que já iniciou uma pesquisa para validar o processo e a qualidade celular do material retirado com foco na regeneração do músculo em pacientes que sofreram infarto.

ATALHO

O cirurgião plástico baiano Jose Carlos Dantas, disse à Tribuna da Bahia, que este novo tipo de laser fez um ‘atalho’ com o anterior (que retirava a gordura do paciente e levava a um laboratório para separar as células-troncos). “Ele permite que a gordura possa ser extraída, processada e reinjetada no organismo de forma imediata. Os anteriores destruíam as células gordurosas. E Patrício Centurion queria um que soltasse o tecido gorduroso para ser melhor aproveitado”.

Ainda segundo José Carlos Dantas a preocupação do peruano era que o novo laser transformasse o pós-operatório em algo muito mais simples, ou seja, sem dor, sem inchaço, e com pouquíssimas equimoses, o que os leigos chamam de hematomas. “A gordura retirada, através desse novo laser, especialmente a que fica em volta dos capilares (vasos finos de sangue), depois de decantada, é rica em células mesenquimais”.

Informa também que o cirurgião plástico Patrício Centurion notou que, a partir da decantação da gordura, a parte mais pesada ficava no fundo. “É justamente essa gordura, com capacidade de reproduzir tecidos, que o

organismo pode estar em falta e que tem aplicabilidade como célula-tronco”. A quantidade das células mesenquimais fica em torno de dois (2) a três (3) milímetros. Esta gordura pode ser utilizada em tecidos do tipo parede de coração e na parte óssea onde elas serão colocadas.

EXEMPLOS

O médico baiano aproveita para exemplificar o assunto relatando o que está sendo feito em cavalos no interior de São Paulo. Motivo de uma reportagem recente da revista Globo Rural, e que vem dando excelentes resultados. “No caso, em especial, dos cavalos a extração da gordura é feita na parte traseira”. Ele lembrou, ainda, que no mês passado (julho) a experiência também foi utilizada no Incor, em São Paulo. “A técnica foi utilizada num paciente que sofreu infarto. Eles estão aguardando para ver se acontece a regeneração da parede do ventrículo da área infartada”. .

As células mesenquimais são encontradas na medula óssea e na gordura. Depois desse novo tipo de laser, que não mata o tecido gorduroso, cresce a possibilidade de sua utilização, por exemplo, na reconstrução de mamas que tem um tecido fino. “Pode-se injetar essa gordura para fortalecer a espessura do tecido gorduroso na área afetada”. Esta tecnologia que proporciona uma maneira rápida e eficaz de atender ao paciente com uso de células-tronco deixa a todos com boa expectativa.

VIBRAÇÃO

O cirurgião plástico José Carlos Dantas, por exemplo, é um dos que vibram com o assunto. Acredita ele que o primeiro passo já foi dado com a criação do novo laser. “Os patologistas já reconhecem o potencial dessas células de gordura, que são pouquinhas porém tem mais 19 milhões de células-troncos quando contadas em laboratório. Posso dizer, com toda segurança, que se abriu um leque novo na Medicina para utilização desse laser como instrumento para células-tronco. Ainda é um início, mas esse aparelho, que foi desenvolvido, inicialmente para atender à lipoaspiração, será um grande sucesso mundial muito em breve”.

O novo laser tem sua sofisticação. Ele só pode ser utilizado apenas uma vez no paciente porque tem identidade genética. Funciona como um ‘kit’. Tem fibra óptica e cânulas. Ainda é um sistema caro, pois depois de utilizado tem que ser desprezado por completo. Não pode, em hipótese alguma, ser reaproveitado em outro paciente. O aparelho tem uma codificação própria e seu custo está estimado hoje em R$6 mil.

FUNCIONAMENTO

Ele funciona assim: o médico colhe a gordura do paciente e coloca num tubo de ensaio. Esse tubo de ensaio é fechado e levado a um decantador, que gira em rápida velocidade. A gordura que fica no fundo do tubo de ensaio é, exatamente, a gordura que interessa na aplicação como célula-tronco. É aquela gordura com potenciais de reaproveitamento no órgão onde será inserida. Os tecidos, onde as gorduras selecionadas tem mais facilidade de aproveitamento e reprodução são: ossos e músculos. As células mesenquimais são aquelas que estão em volta dos vasos capilares finos e tem o poder de replicar.

Nesta nova conquista da Medicina, o que mais entusiasma ao cirurgião plástico José Carlos Dantas é que o novo laser abre um leque maravilhoso de aplicações. “Por exemplo: se você tem a deficiência de um órgão e está fadado a ter uma qualidade de vida ruim ou até morrer precocemente, com o novo laser há a uma possibilidade de você prolongar a sua vida, através de um procedimento. Isto é uma coisa que não tem preço. Esse laser tem o seu valor na estética, mas o que mais interessa é o potencial que ele traz, deixando um leque em aberto. Tomara que, através das pesquisas ele venha a ser utilizado em outras e várias situações da vida”.

O cirurgião plástico baiano lembrou-se que quando a lipoaspiração foi anunciada, em um congresso internacional, em Fortaleza, no ano de 1979, o criador foi humilhado e chamado de ‘charlatão’ (aquele que exerce uma profissão sem estar preparado). “Hoje, a lipoaspiração é coadjuvante em outras cirurgias. Ela pode ser primária, modelar ou acessória. Entretanto, a sua importância está validada e não tem mais volta. Ela se sedimentou, mesmo tendo começado de uma forma desacreditada”, conclui.

A lipoaspiração é uma cirurgia indicada para tratar acúmulos de gordura em várias partes do corpo, mas não para tratamentos de obesidade. É um tipo de procedimento ideal para pessoas que fazem a manutenção saudável do corpo.
*Da Tribuna