Ana Elisa Egreja abre primeira mostra individual

         



Neste mês de setembro a artista paulistana Ana Elisa Egreja desembarca na capital baiana para realizar sua primeira mostra individual no Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM. Organizada pela Galeria Leme/AD, a mostra intitulada Fabulações apresenta 18 pinturas que marcaram a trajetória da artista desde 2008, além de 4 trabalhos inéditos. Ana Elisa não esconde o entusiasmo. “Estou muito empolgada! É minha primeira individual num museu, as outras vezes foram em galerias, e ainda um museu tão especial”, admite.

A artista tem uma relação afetiva com o espaço, já que participou e foi uma das vencedoras do 15º Salão da Bahia (MAM-BA, Salvador, 2008). “Fui uma das ganhadoras do Salão da Bahia, que era um dos salões mais importantes do Brasil, na época. O júri era composto pelo Fernando Oliva, Rodrigo Moura e pela Solange Farkas - que agora escreve meu texto. Era um momento efervescente nas artes do Brasil e o começo da minha produção como artista. Ganhar o prêmio foi sem dúvida um ponta pé na minha carreira e é uma realização estar aqui de novo!“, confessa Ana Elisa.
Fabulações, título da exposição, exprime a essência daquilo que seria o elemento principal do trabalho da artista - a criação de uma narrativa fantástica, marcada pela composição complexa e pela reprodução minuciosa de materiais e texturas. Suas telas materializam cenas nas quais as ideias de domesticidade e de abandono convivem com a presença arquitetônica e os gêneros clássicos da história da arte, como a natureza morta e a pintura de interior. “A exposição mostra um recorte da minha produção desde então (2008), e revela a minha obcessao por alguns temas, como a projeção da luz nos espaços, reflexos, padrões, naturezas mortas.”, conta a artista.

Obra inédita
Com estilo inconfundível, suas pinturas realistas recriam ambientes internos, revelando a essência daquilo que seria o elemento principal do trabalho da artista - a substituição da verdadeira realidade por uma realidade fantástica. O que se percebe, por exemplo, a pintura sobre tela Poça II, que mostra o cômodo de uma casa em tons suaves, onde uma cortina divide o espaço com plantas e uma espécie de lago. “Pode se dizer que são realistas -fantásticas, pois são também fabulosas, como diz o titulo da exposição, e como o movimento literário, as pinturas tem um tempo cíclico, ao invés de linear, e apontam uma narrativa romanceada, cheia de elementos improváveis”, define Ana Elisa.
Projetos como Jacarezinho,92, 2017 e Casa Campo Verde/Rino Levi, 2018, no entanto, mostram um novo modo de produção das pinturas, que passaram então a retratar instalações encenadas nestas casas. Cada um dos projetos deu origem a uma serie de pinturas, como Poça II e Cobogós - o alagamento da casa Campo Verde. Mais uma vez o trabalho tem origem no convívio com as memórias guardadas na arquitetura, os traços de presença familiar e o silêncio dos interiores abandonados.
Uma das obras inéditas que será apresentada no MAM é Cobogós, feita especialmente para esta exposição, e que promete chamar a atenção do público. Com 3,3 x 5,9m, é uma pintura-instalação composta por 169 telas que representam o jardim da Casa Campo Verde/Rino Levi e seu reflexo num espelho d’água, através dos cobogós, elemento típico da arquitetura moderna brasileira.

A execução da obra demandou uma dedicação a mais da artista, como conta a própria Ana Elisa: “A história começa no final de 2017 quando soube que uma casa do arquiteto Rino Levi estava para ser demolida- a casa campo verde. Pedi autorização para a família e ocupei a casa por uma semana, criando cenários em cada cômodo da casa e encenando situações a partir dos objetos esquecidos. Esta pintura representa a sala principal da casa, onde se ve um jardim abandonado há 15 anos. Construí de verdade um espelho d’água para refletir todo aquele paisagismo transformado em mata tropical, e passei os últimos 6 meses, transformando cada um dos 169 cobogós numa pinturinha. Enfrentei o desafio especialmente para esta exposição e não vejo a hora de ver montado no espaço! “, conclui


Sobre a artista
Formada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, Ana Elisa Egreja participou das seguintes exposições individuais: Interiores, SESC, Ribeirão Preto, Brasil; Jacarezinho 92, Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2017); Da Banalidade: vol.1, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2016); Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2013), Dark Room, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, Brasil (2010); Temporada de Projetos, Paço das Artes, São Paulo, Brasil (2010).
Exposições coletivas: Crossing the borders of photography, Somerset House, Londres, Reino Unido (2019); Through the looking glass, Palazzo Capris, Turim, Itália; 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, São Paulo, Brasil); Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem, Galeria SIM, Curitiba, Brasil; Vértice - Construções, Centro Cultural dos Correios, São Paulo, Brasil (2016); Seven Artists from São Paulo, CAB Contemporary Art, Bruxelas, Bélgica (2012); Os primeiros dez anos, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; Arte Lusófona contemporânea, Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil (2011); Projeto Tripé, Sesc Pompéia, São Paulo, Brasil; Energias na arte – Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2009); 2000 e oito. Novos artistas para novas pinturas, Sesc Pinheiros, São Paulo, Brasil (2008); entre outras.
O seu trabalho integra coleções como: Franks-Suss Collection, Londres, Inglaterra; MAM - Museu de Arte Moderna da Bahia; Coleção Santander, Brasil; Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, Turim, Itália; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil e MAR, Rio de Janeiro.


Serviço:
O que: Exposição Fabulações, de Ana Elisa Egreja
Abertura: 12 de Setembro – 19h
Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão
Período: até 26 de Outubro de 2019
Visitação: Ter - Sex 10h às 12 e de 13h às 18h / Sáb 14h às 18h.
Telefone: +55 71 3117.6144
@bahiamam
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