Lego Braille Bricks chega a Salvador

         



Um dia depois da Princesa Benedikte Astrid Ingeborg do Reino da Dinamarca visitar a Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo, e conhecer o inovador Lego Braille Bricks, a iniciativa rompe, pela primeira vez, as barreiras estaduais e chega a Salvador. Referência mundial em Educação Inclusiva, o projeto de alfabetização e inclusão para crianças cegas e com baixa visão será destaque no III Curso de Formação de Educadores, que acontece na Organização de Auxílio Fraterno, na capital baiana, durante os dias 22 e 23 de outubro.

Com objetivo de apresentar a ferramenta e a metodologia, a Fundação Dorina já conta com 90 inscritos para a ação que terá mais de 16 horas de aulas práticas, ensinando os participantes a trabalhar com o material de educação inclusiva. “Queremos levar o Lego Braille Bricks para todo o Brasil. Realizamos esse mesmo curso nas cidades de Presidente Bernardes e Franco da Rocha, em São Paulo, e o resultado foi bem positivo. Já alcançamos 82 crianças, incluindo alunos cegos, com baixa visão e videntes. Os educadores envolvidos contam com uma metodologia proprietária, que vem servindo como referência mundial e as crianças têm a oportunidade maravilhosa de aprender no sistema braille, ao mesmo tempo em que se relacionam e se divertem com os demais colegas”, explica Ika Fleury, Presidente do Comitê Braille Bricks da Fundação Dorina. Após a etapa presencial, os professores ainda passarão pela fase online.

Lançado mundialmente em abril desse ano, o projeto ajuda crianças cegas e com baixa visão a aprender Braille de maneira divertida e lúdica, usando as peças LEGO® customizadas para o Sistema. Totalmente inclusiva, as peças apresentam também o alfabeto convencional para que todas as crianças possam aprender juntas. Destaque nacional e internacional, a iniciativa da Fundação Dorina Nowill para Cegos conquistou, em junho, um Leão de Prata na categoria Inovação do renomado Festival de Cannes. “No ano em que Dorina Nowill, nossa dama da inclusão, completaria 100 anos, é uma grande honra ver seu legado se perpetuando mundialmente. Seu centenário não poderia estar mais feliz”, completa Ika.

Vale ressaltar que o III Curso de Formação de Educadores é uma Realização da Fundação Dorina Nowill para Cegos com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e conta com o apoio do Instituto Ometto, da Secretaria Municipal de Educação de Salvador e do Instituto Cegos da Bahia.

 

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos
Há mais de 70 anos, A Fundação Dorina Nowill para Cegos trabalha para que crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão sejam incluídos em diferentes cenários sociais. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional. Responsável por um dos maiores parques gráficos de braille no mundo com capacidade de impressão de até 450 mil páginas no sistema por dia, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil. A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, sites acessíveis, audiodescrição e consultorias especializadas. Contando com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual. Mais detalhes: www.fundacaodorina.org.br

Sobre o Centenário de Dorina Nowill
Nascida em maio de 1919, na capital paulista, Dorina de Gouvêa Nowill ficou cega repentinamente, aos 17 anos, em consequência de uma doença não diagnosticada. A partir da perda completa da visão, ela começava a fazer história e a construir os pilares da instituição que, no futuro, levaria seu nome e sua causa. Dorina Nowill foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular no Brasil. Posteriormente, viajou para os Estados Unidos, onde fez cursos de especialização na Michigan State Normal School e no Teacher"s College. De volta ao país, percebendo a carência de livros em braille, criou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, atual Fundação Dorina Nowill para Cegos, que iniciou suas atividades em 1946 com a produção e distribuição de publicações acessíveis por este sistema, dando início ao que hoje é uma das maiores imprensas braille do mundo em capacidade de produção. À frente do seu tempo, Dorina Nowill também foi responsável pela articulação e implementação de importantes políticas públicas nacionais, amplo espaço de fala e representatividade internacional, como sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 1981. Dorina Nowill faleceu em agosto de 2010, aos 91 anos, deixando um legado que permanece e segue adiante por meio dos colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários da instituição. Em 2019, celebramos o centenário dessa mulher, que desempenhou um importante papel na luta pela inclusão de pessoas com deficiência visual.