A atuação discreta, silenciosa e eficaz do BC

         



Por Gerson Brasil
As discussões sobre a condução da economia, tendo como pano de fundo o desemprego, a recuperação econômica e agora a reforma tributária, têm gerado muito calor e pouca luz; críticas ácidas ao governo e a cobrança por medidas capazes de produzir resultados imediatos. Isto sem falar nas declarações políticas a marcar lugar e antecipar a disputa eleitoral de 2022. Aí se inclui governadores, senadores, deputados de vários partidos, outsiders e o histriônico e divertido Ciro Gomes.

 

Pouca atenção vem recebendo o trabalho que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, executa; como já tivesse independência, item até o momento não propiciado pelo presidente Jair; a portar-se como quem desconhece a responsabilidade dos outros e quem sabe flertando com o narrador de “O Filósofo do Deserto”, de Márcio Salgado, na ideia de que “o desapego ilustra a paisagem”. Por lassidão, tédio ou anchova.

 

A taxa básica de juros do país, a Selic, está em 5,5% e deve fechar o ano na casa dos 4,5%, e 4% em 2020 - pelo menos é a posta dos economistas do Itaú. Nada se fez de abrupto ou às pressas para levar o juro a este patamar, e, como consequência, o financiamento imobiliário que estava na casa do 8,5% caiu para 7,5% e pode chegar a 6%. Nesse caso ficará nas cercanias da taxa americana.

 

O presidente do BC disse que está atento aos juros do cartão de crédito, na estratosfera de mais de 300% ao ano; disse ainda que “precisamos reinventar esse produto”. Ele aposta em algumas medidas a serem tomadas, sem precisar refazer a roda e vê o mercado de crédito se movendo com taxas em viés de baixa, devido às fintechs.

 

Acertadamente, Roberto, que é neto do único liberal que o Brasil conheceu, o economista Roberto Campos, enxerga no mundo digital, nas fintechs e outras plataformas, a oportunidade de uma maior competição no mercado de crédito. Há empresas fazendo pagamentos instantâneos e outras que operam com crédito de modo simples. Já são 25.

 

Mas o Sebrae espera 300 até o final deste ano. São instituições cujo nicho de negócio está voltado paramicro, pequenas e médias empresas. O volume de crédito em operação ultrapassa a casa dos R$11 milhões.

 

Juros baixos e controle da inflação são as medidas básicas para qualquer economia deslanchar, obviamente que é preciso ter um sistema tributário eficiente e simples e um governo com contas equilibradas. O presidente do BC tem uma agenda liberal e está tocando, focada em que o desenvolvimento venha através do capital privado e da inflação sob controle e juros civilizados.

 

O movimento é para estabelecer um ambiente onde os consumidores possam usufruir de crédito barato e da inflação sob controle, o que significa a remodelagem de um BC sem estar alinhado com o governo - seja lá qual for -  e sim voltado para a defesa da moeda e com isso ajudar na instalação de um Estado liberal, com ênfase no capital privado. A forma de o BC contribuir para a redução do desemprego e o crescimento sustentável a longo prazo é o combate à inflação e a estabilidade monetária do país.

 

Os dados do Banco Central mostram que em agosto o volume de crédito no Brasil foi da ordem de R$3,3 trilhões, com crescimento de 1,1% na modalidade de pessoas físicas (saldo de R$1,9 trilhão) e de 1% para pessoa jurídica (saldo de R$1,4 trilhão).

 

O número parece gigantesco, mas equivale apenas a 50% do PIB, e quando comparado à média do mundo é menos da metade e um quarto do observado no mercado americano. 

 

Ou seja, a política monetária conduzida pelo Banco Central está alinhada a uma economia liberal e tem mostrado resultado. A independência do BC é um marco importante, nos livraria de algum maluco ou de a esquerdopaticetentar fixar a taxa de juros de acordo com o requeijão, a goiabada e o ingresso para a próxima atração; a internacional Deise, a mulher do homem que come raio laser. No YouTube, Luciana Elizondo e Quito Gato constroem uma renascença com “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá.
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Jornalista