DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA O HIV: ESPECIALISTA COMENTA MITOS E VERDADES

         



866 mil pessoas vivem com o vírus HIV no Brasil segundo dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. No dia 1º de dezembro, se comemora o dia Mundial de Luta contra a Aids e a data representa uma oportunidade de chamar atenção para o tema bem como desmistificar preconceitos.

O infectologista e professor da UNIFACS Fernando Badaró destaca a importância de discutir a prevenção ao HIV o ano todo. “Precisamos falar sobre esse assunto sempre. Um dos erros das campanhas de conscientização é que elas são temporárias, feitas em determinados períodos e depois o tema cai no esquecimento”, avalia.

Formas de prevenção – O uso do preservativo (masculino ou feminino) durante as relações sexuais é o principal aliado no combate ao HIV. Somados a ele, existem hoje outras possibilidades de diminuir as chances de transmissão como a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV).

O professor explica que a PrEP consiste no uso preventivo diariamente de antirretrovirais, reduzindo a probabilidade de infecção. Já a PEP deve ser utilizada por quem tenha passado por alguma exposição de risco ao HIV, como relações sexuais desprotegidas. Para surtir efeito, a PEP deve ser iniciada em 24h até no máximo 72 horas após a exposição, e a medicação antirretroviral deve ser tomada por 28 dias

Mitos e verdades - Confira abaixo alguns pontos que costumam causar confusão entre as pessoas quando o assunto é HIV/Aids.

· HIV e Aids não são a mesma coisa – Verdade. HIV é o vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), mas muitas pessoas podem viver anos sem apresentar sintomas nem apresentar a doença, quando aderem adequadamente ao tratamento antirretroviral. “O mecanismo de ação do vírus é que ele ataca os linfócitos T CD4, principais células de defesa do corpo, enfraquecendo o sistema imunológico”, explica Badaró.

· Antirretrovirais controlam o HIV - Verdade. Embora ainda não exista uma cura, a terapia antirretroviral mantém o HIV sob controle e ajuda a aumentar a expectativa de vida, tornando-a semelhante à de uma pessoa sem o vírus. As medicações são distribuídas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e devem ser tomadas com acompanhamento médico, para que o profissional possa promover ajustes em caso de resistência do organismo aos antirretrovirais ou efeitos colaterais.

· Pessoas com HIV sempre transmitem o vírus em suas relações sexuais - Mito. Estudos demonstram que pessoas com HIV que aderem ao tratamento antirretroviral para controlar a infecção e conseguem suprimir a carga viral – quando a quantidade de HIV no organismo chega a um nível indetectável nos exames de sangue - não transmitem o vírus mesmo em relações sem preservativo. “Isso não significa, no entanto, que o preservativo deva ser abandonado, até porque ele impede outras infecções sexualmente transmissíveis e o contato com cepas do HIV mais resistentes”, pondera Badaró.

· O HIV pode ser transmitido pelo sexo oral – Verdade. A transmissão do HIV acontece quando há uma troca de fluidos corporais (como sêmen, fluido vaginal, sangue, leite materno ou fluidos pré-ejaculatórios) com pessoas infectadas. Embora a probabilidade seja muito menor em relação à penetração, por exemplo, é possível contrair o vírus durante o sexo oral, quando há cortes ou machucados na boca ou gengiva que permitem a entrada do HIV.

· Mães com HIV não podem ter filhos sem transmitir o vírus – Mito. Mães soropositivas que fazem o tratamento antirretroviral e durante o trabalho de parto fazem uso de AZT venoso, além de realizarem cesárea, têm chances quase zero de transmitir o vírus aos filhos. “Para garantir, o recém-nascido também precisa tomar também durante seis semanas a medicação antirretroviral”, acrescenta o especialista.

· Posso ter contraído o HIV mesmo o resultando indicando negativo – Verdade. Isso acontece por causa da chamada janela imunológica, que é o período entre a infecção e a produção pelo organismo de anticorpos contra o HIV em quantidade suficiente para ser detectada pelos testes. Assim, você pode apresentar resultado negativo dias após ter sido infectado, já que a janela imunológica dura, em média, cerca de 30 dias. Por isso, o ideal é refazer os exames após um mês.