Câncer de Heloísa Périssé é raro e tumor é benigno em 80% dos casos

         



Heloísa Périssé descobriu que estava com câncer após fazer um procedimento de branqueamento dentário. “Quando eu mostrava às pessoas eu tinha uma bolinha, elas diziam ‘isso não é nada, não"”. O relato ocorreu no último dia 10 de novembro em entrevista ao médico Drauzio Varella, no Fantástico.

O médico perguntou detalhes do sinal: “doía?”, “sangrava?”, Heloísa respondeu que não para os dois casos. “Eu falei ao meu dentista, que é meu sobrinho, ‘vou fazer um branqueamento de dente’. Ele disse ‘a gente aproveita e tira essa bolinha’“. O tecido foi levado à biópsia por ser protocolo comum a esse tipo de procedimento. “É 1% de chance de ser alguma coisa, relaxa”, disse o profissional.

O médico especialista em cabeça e pescoço do Hospital da Bahia, Gabriel Carletto, reitera a raridade que é o tipo de câncer que acometeu a artista. “Tumores das glândulas salivares normalmente são benignos em 80% dos casos. Quanto maior for a glândula, menor a chance de neoplasia”.

No caso de Heloísa Périssé, após o diagnóstico da lesão, a atriz foi submetida a uma raspagem para ter a garantia de que ao redor da lesão não haveria mais células cancerígenas. Passada a segunda cirurgia, ela decidiu fazer um check-up geral. Na mesma época, sentiu outra “bolinha” ao passar a mão embaixo do queixo. A médica indicou uma ressonância magnética que durou 2 horas e meia.

“Ai eu vim para São Paulo e fiz uma cirurgia e depois veio a notícia: ‘Você vai passar por uma rádio e uma químio’. Ao mesmo tempo, aí começou uma guerra nuclear.” Ela passou por cinco sessões de quimioterapia e mais trinta sessões de radioterapia.

Gabriel Carletto alerta que, nesses casos, o autoexame é também importante. “É importante ficar atentos a qualquer lesão, dolorosas ou não, sangramentos ou nódulos que crescem em progressão na língua, na bochecha, no pescoço e região cerviacal. Se a lesão ficar evidente acima de 15 dias deve ser avaliado por um cirurgião de cabeça e pescoço”, afirma Carletto, acrescentando que pacientes fumantes e que consomem bebidas alcoólicas precisam redobrar a atenção nessas situações.

Além do exame físico, o médico destaca exames acessíveis e de baixo custo, capazes de identificar essas lesões em estágios bem iniciais, como o próprio ultrassom. “Em outros casos, exames mais específicos, como tomografia, ressonância e até um PET scan podem ser utilizados para identificar lesões ocultas, as quais o ultrassom não tem acesso”.

Uma vez descoberto o tumor, prossegue Carletto, o paciente, provavelmente, será submetido a um tratamento cirúrgico, que ainda é o principal procedimento para esse tipo de tumor. “A maioria das lesões é benigna e a cirurgia é curativa. Mas para os pacientes com lesões malignas, que são minorias, a ressecção cirúrgica é fundamental e pode ser seguida com o tratamento de quimio ou radioterapia, a depender da extensão da lesão e da condição do paciente”.

O médico reitera que a prevenção é ainda o melhor remédio. “Qualquer lesão cervical que surja na cavidade oral, no pescoço, na boca, na face ou na pele deve ser examinada por um especialista de cabeça e pescoço. Quanto mais cedo descoberto, mais efetivo será o resultado”, conclui.