DOS APUPOS AOS APLAUSOS

         



Por Zedejesusbarreto
Basta o gol, um triunfo, e a execração do torcedor indignado vira louvor nas arquibancadas. Assim é a paixão do futebol. O treinador do Bahia, Roger Machado, está vivenciando esse sobe-e-desce vertiginoso, no espaço de poucos dias.

Após a derrota para o River do Piauí pela Copa do Brasil, semana passada, e, três dias depois, nos 2 x 0 sofridos no clássico BaVi, o técnico foi vaiado em peso e viu/ouviu torcedores e a mídia esportiva pedir sua cabeça, responsabilizado pelos fracassos em campo e acusado de incompetente por não saber escalar e mexer taticamente na equipe. Defendeu-se dizendo que a equipe jogou bem e foi superior nas duas partidas jogadas, que teve o controle dos jogos e criou mais chances de golear, mas o gol não saiu; e os adversários, mais felizes (competentes), marcaram, venceram.

Vaias e vaias. Sem justificativas. Ele, Roger, e o goleiro Douglas, foram os escolhidos como culpados. Fora!

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No entanto, quatro dias depois do clássico baiano válido pelo Nordestão, nessa quarta-feira, no mesmo gramado da Fonte Nova e diante de mais de 15 mil devotados tricolores, tudo mudou de repente. O Bahia voltou a jogar bem, dessa vez pela Copa Sul-Americana, e dessa vez derrotou o Nacional do Paraguai, um adversário teoricamente superior ao River e ao Vitória (até porque disputa uma competição internacional), por convincentes 3 x 0.

Foi o bastante para a torcida vibrar, comemorar e aplaudir de pé a boa atuação da equipe, os ‘entendidos’ a elogiar as modificações na escalação e as variações táticas implementadas pelo treinador – poupou o goleiro Douglas, substituindo-o por Anderson e colocou o avante Rossi no lugar do meia Daniel -, mudanças que teriam resultado no bom triunfo do Esquadrão.

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Porém, de fato, o que aconteceu de diferente nessa partida foi que o gol saiu. Não um, mas três gols.

O primeiro, de bela construção coletiva, logo depois de o goleiro Anderson ter evitado a abertura do placar pelos paraguaios com uma saída arrojada nos pés do atacante do Nacional que varou o miolo defensivo baiano e entrou de cara. Ufa ! Daí, houve na frente uma boa trama coletiva, Flávio deu um passe de calcanhar (vejam só !) que desmantelou a defensiva adversária, Rossi entrou pela direita e cruzou do fundo, rasteiro, para Gilberto completar na pequena área.

Mal os visitantes tinham absorvido o golpe e Gregore (o melhor da partida) acertou um belo chute de longe, por cobertura, no ângulo, marcando assim seu primeiro gol, histórico, com a camisa Tricolor. Que felicidade! E tudo mudou no horizonte.

Logo no começo da segunda etapa, noutra boa trama coletiva, com boa participação do atacante Clayson (enfim ele !), Gilberto finalizou, o goleirão não conseguiu desviar e Élber, em outra boa jornada, empurrou, fechando o barraco e abrindo uma boa vantagem para o Tricolor no duelo contra o time paraguaio pela Sula.

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Mas... o que aconteceu de realmente diferente nesses três jogos do Bahia no espaço de uma tensa semana? O gol, os gols, ora !

Porque no jogo de bola não adianta jogar bem e bonito, ter o domínio das ações, se não conseguir vencer. O torcedor, na sua paixão só se contenta com o triunfo, mesmo que seja magro, injusto, com tento irregular ou ajuda da arbitragem. O que importa é vencer, apenasmente. E o que define é o gol, o objetivo do jogo.

Sò que, no futebol, como na vida, tem dias que a bola não entra. Paciência !

E a vida continua. É preciso torcer, ter esperança, tentar de novo, lutar, acreditar no gol que virá. Ou não.

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No sábado, agora, por exemplo, o Tricolor baiano encara o Ceará, em Fortaleza, pela Copa do Nordeste, uma parada dura, um clássico regional, de difícil prognóstico. E é preciso vencer para conseguir classificação no grupo e seguir adiante na competição. Jogar como se fosse uma decisão. O adversário também quer.

A partida de volta pela Sul-americana contra o Nacional, lá no Paraguai, acontece no dia 26.

Haja perna, pressão, fôlego e coração pra aguentar o tranco. É assim, como nesse viver, cada dia.

 

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